TRATAMENTO DE DEPENDENTES DE DROGAS: COMO TRATAR A DEPENDÊNCIA COM TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS

TRATAMENTO DE DEPENDENTES DE DROGAS

As técnicas comportamentais para intervenção de um transtorno são vastas, porém quando relacionadas à dependência de drogas, as técnicas restringem-se àquelas capazes de influenciar determinados comportamentos que levam a outros, pois segundo Mijares & Silva (2006) a droga é um estímulo cuja função depende dos resultados que alcance ou da forma como é administrado, de modo que pode funcionar tanto como reforço positivo como reforço negativo.

Ao funcionar como reforço positivo a técnica deverá intervir sobre o aumento da probabilidade de resposta do comportamento de auto-administração pelos efeitos que produz e ao funcionar como reforço negativo a intervenção deve ser feita sobre o fato da auto-administração gerar alívio dos sintomas de abstinência.

Silva & Serra (2004) afirmam que estudos controlados, aleatórios mostram a eficácia das técnicas comportamentais na redução do uso de drogas e problemas associados, podendo ser aplicadas em diversos ambientes como o hospitalar, o ambulatorial e o domiciliar, sendo desde um tratamento individual até o grupal ou familiar.

Em contraponto, Calais & Silva (2008) afirmam que o uso de técnicas comportamentais apesar de serem eficazes, também podem proporcionar que outro comportamento manifeste-se quando o anterior, que era o foco, for diminuído ou até extinto.

Desta foram, quanto às técnicas comportamentais utilizadas para a dependência de drogas, podem-se destacar as que são ligadas a teoria de aprendizagem social como as de condicionamento clássico, aprendizagem instrumental e modelagem, pois a aprendizagem social visa agir sobre as formas como o ser humano aprende, age, pensa e sente em determinadas circunstâncias. Em Geral, pode-se afirmar que as técnicas cognitivas também são utilizadas, já que as cognições têm intima relação na dependência por drogas.

As técnicas de condicionamento clássico iniciam através de um mapeamento que o terapeuta faz juntamente com o paciente acerca de situações, lugares, companhias e etc, que estão condicionados ao uso da droga. Isto auxilia o paciente a visualizar sinalizadores e a traçar novos comportamentos em substituição aos anteriores que o levavam a ingerir drogas, para desfazer estes estímulos que o condicionaram ao uso de drogas.

O cerne da intervenção em condicionamento clássico é identificar os comportamentos que instigam o uso de drogas para prover o indivíduo de habilidades que rompam com o ciclo de conduta e que por fim propicie formas de lidar com situações propensas à recaída.

Neste poderíamos incluir a técnica comportamental de intenção paradoxal, no qual o paciente é orientado a apresentar respostas exatamente contrárias aos objetivos de estar buscando ajuda.

As técnicas de aprendizagem instrumental são responsáveis por atrair os indivíduos à busca de prazer imediato e evitação das situações que os privem de satisfação ou imponham sofrimento. Como a vida do dependente de drogas é, geralmente, privada de recompensas cotidianas como amigos, família e diversões, os pacientes têm dificuldades em lidar com afetos negativos, críticas ou frustrações, transformando a droga em um reforço positivo passageiro. Assim, o terapeuta encoraja o paciente a encontrar prazer em outras coisas.

Uma forma de incentivar o paciente a encontrar prazer em outras situações poderia ser através da técnica de economia de fichas, ou como algumas literaturas definem os Vouchers que são trocados por amostras de urina para comprovar a não utilização de drogas três vezes por semana. Tais vouchers podem ser trocados por objetos consistentes que substituem a droga e proporcionem prazer, como ingressos para jogos, espetáculos, cinema, dentre outros.

Nas técnicas de modelação o paciente aprende o comportamento observando-o no outro o modelo a ser seguido, geralmente, o modelo costuma ser o terapeuta ou alguém da família e de seu relacionamento, pois “a observação de modelos pode conduzir à aquisição de padrões de respostas autônomas, motoras e/ou cognitivas que, dependendo de incentivo adequado, poderão ser imitadas no futuro”. (SOUZA e BATISTA, 2001 apud Caminha ET. AL. 2003, p.59).

Neste, pode-se observar a importância da família no processo terapêutico, pois parte-se do princípio de que a família pode auxiliar no engajamento do paciente ao tratamento. No entanto, há casos em que a família faz parte dos estressores ambientais que levaram o indivíduo a ingerir drogas e, portanto, quando esta técnica for baseada em alguém da família deve ser realizada após o condicionamento clássico.

Além das técnicas comportamentais, o tratamento também pode ser baseado em técnicas cognitivas comportamentais, em terapia motivacional, intervenções farmacológicas (em casos mais extremos) e terapia de 12 passos.

A terapia cognitiva-comportamental expande a atuação das técnicas comportamentais ao reconhecer a influencia de elementos cognitivos como o processamento da informação, aprendizagem social e os estágios de desenvolvimento para a formação do indivíduo. Assim, o tratamento foca nas interações entre fatores comportamentais, cognitivos, social e de desenvolvimento, visando a mudança nas percepções e crenças no comportamento do indivíduo.

A terapia motivacional procura auxiliar o indivíduo nas etapas de abstinência, iniciando pela pré-contemplação, em que a pessoa não reconhece ter problemas com drogas, depois a fase da contemplação com o momento de ambivalência com relação às razões para a mudança, indo à preparação, onde há o aumento do compromisso com a transformação e finalmente no para de utilizar e manter-se limpo do uso de drogas.

A terapia dos 12 passos é a tão conhecida modelo Minnesota dos alcoólicos e narcóticos anônimos que baseia-se na aceitação da perda do controle, por onde o indivíduo segue passos até a total independência da droga.

  1. One Response to “TRATAMENTO DE DEPENDENTES DE DROGAS: COMO TRATAR A DEPENDÊNCIA COM TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS”

  2. angola um pais que precisa de ajuda ,na luta contra as drogas

    By Pacavira on Nov 28, 2010

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