Teste Psicológico: como medir a validade de um teste psicológico
August 13, 2010 – 10:00 pm
VALIDADE DE UM TESTE PSICOLÓGICO – A validade de um teste PSICOLÓGICO se refere ao que mede e até que ponto o faz. Um traço medido por determinado teste só pode ser definido através de um exame dos critérios específicos ou de outras fontes objetivas de informação, utilizados no estabelecimento de sua validade. A validade de um teste precisa ser determinada através da referencia ao uso especifico para o qual é considerado. Existem categorias de processos de determinação de validade:
- Validade de Conteúdo do teste psicológico: exame sistemático de conteúdo do teste psicológico, a fim de verificar se abrange uma amostra representativa do campo do comportamento a ser medido. Usado para avaliar testes de aproveitamento (ex: prova de história). Problema: amostragem do conteúdo, ou seja, a área do conteúdo a ser testada precisa ser sistematicamente analisada a fim de assegurar que todos os aspectos fundamentais sejam, adequadamente e em proporções corretas, abrangidos pelos itens do teste. Outro problema pode ser a inclusão possível, nos resultados de testes, de fatores irrelevantes (ex: facilidade/dificuldade de entender instruções verbais num teste de matemática). As especificações do teste devem mostrar os tópicos a serem abrangidos, os tipos de aprendizagem a serem testados e a importância individual relativa de tópicos e objetivos. A discussão da validade no manual do teste deve incluir informação sobre as áreas da disciplina e os objetivos ou habilidades de aprendizagem abrangidos pelo teste, com alguma indicação do número de itens em cada categoria. Devem ser descritos os procedimentos seguidos na seleção das categorias e classificação dos itens. Outros processos complementares: estudo dos tipos de erros comumente feitos no teste e uma análise dos métodos de trabalhos empregados pelos sujeitos. Esse tipo de validade não é eficiente para testes de aptidão e de personalidade, porque esse tipo de teste requer verificação empírica por outros procedimentos, pois o conteúdo desses testes pouco mais faz do que revelar as hipóteses que levam o construtor do teste a escolher um certo tipo de conteúdo para medir determinado traço. Assim esses testes podem medir diferentes funções em pessoas diferentes. Validade aparente: refere-se ao que o teste parece medir, se o teste parece válido ou não para os sujeitos, ao pessoal administrativo que decide quanto ao seu emprego e outros observadores não treinados tecnicamente. É uma característica desejável num teste para que ele funcione em situações práticas.
- Validade Relativa ao Critério: indica a efetividade de um teste para predizer o comportamento de um individuo em situações especificadas. Assim o desempenho do teste é conferido com relação a um critério (uma medida direta e independente daquilo que o teste pretende medir). Por exemplo: teste de aptidão acadêmica, notas escolares. A medida de critério em função da qual os resultados dos testes são validados pode ser obtida aproximadamente ao mesmo tempo que os resultados ou após um intervalo estabelecido. Validade preditiva (É provável de Luiza fique neurótica?): predição por um espaço de tempo, a informação obtida é mais significativa para testes usados na seleção e classificação de pessoal. Validade concorrente (Luiza é neurótica?): os dados são aplicados a um grupo para o qual já existem os dados de critério. Esse tipo de validade é significativa para testes empregados para diagnósticos de condições existentes, e não pra predição de resultados futuros. Contaminação do critério: o resultado do teste não pode influir na posição de qualquer indivíduo no critério, pois isso poderia elevar a correlação entre os resultados dos testes e o critério de uma maneira artificial. Entre os critérios mais comuns na validação de testes de inteligência esta o indicie de aproveitamento escolar, também pode ser usado como critério para certos tipos de teste de aptidões múltiplas e de personalidade. Nos testes de aptidão especifica um tipo freqüente de critério é baseado no desempenho em treino especializado. Ex: desempenho na escola de música é usado na validação de testes de aptidões musicais. Os critérios intermediários de desempenho registrados em algum estágio do treinamento são freqüentemente empregados como medida de critério, sendo falha a idéia de um critério final. Em testes de aptidões especificas, e também em testes encomendados para ocupações especificas, é muito usado um critério baseado em registros de acompanhamento de desempenho real no trabalho. Ainda que a mensuração do desempenho no trabalho seja difícil devido a não uniformidade nas condições, e ainda que se possa perder sujeitos pois trata-se de um período longo. Validação pelo método de grupos de contraste: necessita de um critério que reflete influencias seletivas cumulativas e não controladas do dia a dia (Ex: em teste de inteligência comparação entre os resultados obtidos por crianças retardadas mentais institucionalizadas e crianças normais da mesma idade). Usado na validação de testes de personalidade. Classificações usadas como âmago da medida de critério, incluem o julgamento pessoal de um observador a respeito de qualquer traço que os testes psicológicos tentam medir. As classificações tem sido empregadas na validação de quase todos os tipos de testes. Correlações entre um novo teste e testes previamente disponíveis: é usado quando o novo teste é uma forma mais simples ou mais abreviada do anterior. Especificidade de critérios: a validade relativa ao critério é mais apropriada para estudos de validação local, em que se quer avaliar a efetividade de um teste para um programa específico. Ou seja uma validade prática de um teste em uma situação específica. As diferenças nos critérios são a principal razão para variação observada entre os coeficientes de validade. Os critérios podem variar temporalmente em uma mesma situação (Ex: desempenho no trabalho que é algo dinâmico). Validade Sintética: os critérios podem ser complexos (além de diferirem entre situações e no decorrer do tempo). Quando diferentes medidas de critério são obtidas para os mesmos indivíduos suas intercorrelações são frequentemente baixas. Quando há subcritérios relativamente independentes, é mais correto validar cada teste em função do aspecto do critério que o teste mais procurou medir. Uma análise dessas relações mais específicas empresta significação aos resultados. Validade sintética é a influência da validade em uma situação específica a partir de uma análise sistemática dos elementos do trabalho, uma determinação da validade do teste para esses elementos, e uma combinação das validades elementares em um todo. Esse processo inclui três passos: 1- análise minuciosa do trabalho, para identificar seus elementos e seus pesos relativos; 2- análise e estudo empírico de cada teste para verificar até que ponto mede a proficiência de cada um desses elementos do trabalho; 3- obtenção da validade de cada tese para o trabalho especificado sinteticamente a partir dos pesos desses elementos no trabalho e no teste. Esse tipo de validade é útil para generalização de dados de validade de uma situação complexa, sem necessidade de realizar um estudo separado da validade em cada situação.