Sofrimento e Dor: como podemos dimensionar a dor e informar sobre a intensidade de nossa dor

September 2, 2010 – 1:49 pm

O limiar de tolerância a dor é o ponto em que o estímulo alcança tal intensidade que não mais pode ser aceitavelmente tolerado. Difere do limiar fisiológico porque varia conforme o indivíduo e em diferentes ocasiões, é influenciado por fatores culturais e psicológicos. A resistência à dor seria a diferença entre os dois limiares, pois expressa a amplitude de uma estimulação dolorosa à qual o individuo pode aceitavelmente resistir. É também modificada por traços culturais e emocionais, causando ao sistema límbico citado a modulação da resposta comportamental à dor.

De acordo com Angelotti (2001) há ainda uma relação evolutiva entre a sensação dolorida, a sensação do fenômeno primário e a percepção como fenômeno secundário. Essa relação não é observada de forma direta ou linear. O modelo neuropsicofisiológico da dor envolve a psicologia da percepção e a farmacologia dos circuitos centrais e periféricos da nocicepção, sendo moderados por influências límbicas e corticais sobre o afeto e o comportamento.

CLASSIFICAÇÃO DA DOR

Kobayashi (2003) acredita que toda classificação é um tanto formal e esquemática, apesar de muitos sistemas de classificação já terem sido desenvolvidos. Cada um toma uma característica específica da dor como critério de inclusão, ou seja, a etiologia, a natureza e até mesmo a idade do paciente. A mais citada nos trabalhos científicos nacionais e internacionais tem sido a que se utiliza da duração da dor como referencial e se divide em dor aguda, crônica e recorrente:

Dor Aguda: tem duração de minutos a algumas semanas, e decorre de lesões teciduais, processos inflamatórios ou moléstias.

Dor Crônica: tem duração extensa, de vários anos (em geral considera-se seis meses) a vários anos, e, geralmente, acompanha o processo da doença ou está associada a uma lesão já tratada.

No que se refere à dor Recorrente esta é aguda ocorrendo em episódios de curta duração. Tem porém uma característica crônica, porque se repete ao longo de muito tempo (às vezes, ao longo de quase uma vida), e não é claramente associada a uma etiologia específica.

Mello Filho (1992) afirma que existem certas características fisiopatológicas e clinicas que distinguem alguns tipos de dor e nos parece útil expor as classificações existentes conforme a tabela 1.

Tabela 1. Classificação das Dores

Origem periférica

Superficial (cutânea), Profunda: somática e visceral referida

Origem Central

Dor central (deaferenciação)

Angelotti (2001) também descreve e classifica os tipos e qualidade da dor dentro de um quadro de características quanto à sua função e preparação de alerta para cada indivíduo.

Dor de origem nociceptiva somática: essa dor é usualmente sentida como uma sensação dolorosa rude. É localizada no tempo e no espaço, sendo descrita como pontada, facada, ardor e latejamento. Pode ser exacerbada por movimento e aliviada pelo repouso. Alguns exemplos das dores ósseas, pós – operatória, musculoesqueléticas e artrítica.

No caso da dor de origem nociceptiva visceral esta é sentida como vaga, difusa e geralmente referida em estruturas distantes daquelas comprometidas. É associada a sensações autonômicas, tais como náusea, vômito e sudorese. Os locais cutâneos referidos podem ser o ombro ou a mandíbula; em relação ao coração, a escápula; com referência à vesícula biliar e dorsal, em correspondência ao pâncreas.

Dor neuropática sua origem é a lesão ou a irritação do nervo e é normalmente, expressa como dor ardente ou penetrante. A maior queixa dos pacientes estão relacionadas às sensações paroxísticas elétricas, por dores relatadas como lancinantes ou fulgurantes.

Finalmente a dor psicogênica, que ocorre quando nenhum mecanismo nociceptivo ou neuropático pode ser identificado e com componentes emocionais suficientes para estabelecer critérios. Doentes com dor crônica apresentam prevalência elevada de transtornos depressivos, ansiongênicos sexuais somatoformes, factícios e do sono (Angelotti 2001).

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