Separação de casal: Consequencias emocionais da separação. Como lidar com a separação

GIUSTI (1987), acredita que quase sempre a separação acarreta em abalo emocional assemelhando-se com a reação após a morte de um parente e que pode ser considerado equivalente causado pela perda da única fonte de subsistência. Depois do vínculo parental, o vínculo matrimonial é o mais profundo da vida de uma pessoa e quando ele se rompe é necessário um grande gasto de energia psíquica, o que causa desgaste físico e nervoso.

De acordo com WALLERSTEIN & BLAKESLEE (1991), o divórcio acarreta numa quebra dos compromissos que se assume com filhos e com a própria sociedade, pois espera-se que o casamento dure eternamente. Muitas vezes, pra não fugir deste compromisso muitos casais permanecem infelizes e solitários por muitos anos, até decidirem separar-se.

Os mesmos autores afirmam que ao decidir-se pelo divórcio, poucos podem prever o que vem pela frente, o processo de divórcio leva vários anos para ser resolvido passando por três fases. A primeira inicia-se com a infelicidade do casamento provocando a decisão de separar-se. A segunda fase, quando as pessoas tornam-se disponíveis sexualmente, com isso põem para fora seus sentimentos em relação ao sexo, suas fantasias e por fim a fase marcada pela sensação de estabilidade, onde a família define seus novos padrões.

Segundo MALDONADO (1995), a separação pelo fim do casamento assemelha-se muito com as separações que o indivíduo enfrenta a cada passagem da vida, término de um namoro, de uma amizade, de um trabalho profissional, passa pelas mesmas fases, a da esperança de reformulação, raiva, revolta, ressentimento.

MUSZKAT (1992), diz que o ideal de par amoroso que o casamento passa, acaba criando uma grande insatisfação, pois no casamento mostra-se, as diferenças individuais, com isso gera a insatisfação pessoal e desconfortável. Pensando em evitar o mal-estar, deixa-se inúmeras vezes de seguir o desejo do bem-estar.

Segundo VAUGHAN (1991), a separação inicia-se como um segredo, um dos parceiros começa a sentir-se desconfortável na relação, como se o mundo no qual constituiu-se não fora mais adequado. Muitas vezes, a relação não é mais compatível com o sentimento que tem de si próprio, busca-se fora da relação algo que possa redefinir o valor próprio, auto-afirmação, que não obteve no relacionamento. A separação, portanto, não ocorre no mesmo momento para ambos, embora passando pelas mesmas transições, começam e terminam em momentos diferentes.

Para MALDONADO (1995), a concretização da decisão pode levar muitos anos, principalmente quando a pessoa se vê presa pelo medo e pela culpa. A separação desmonta a vida construída pelos moldes tradicionais, abre-se a possibilidade de buscar o equilíbrio próprio, de tentar encontrar o que realmente faz sentido, dá margens a descobertas novas da relação da pessoa consigo mesma. Refazer aspectos importantes da identidade é como refazer uma “pele nova” que faz a pessoa ter a necessidade de concentrar-se em si mesma por um tempo, até poder estar com os outros, encontrar novos pontos de referência, saber o que quer, o que pretende buscar. E por muitas vezes a separação ser tão violenta, a pessoa vai à luta para fazer sua própria vida, para sobreviver e depois volta à angústia, insegurança e incerteza. O que a pessoa passa a querer da vida está muito ligado ao que ela pode querer agora, sob novas condições e perspectivas. Assim, é comum muitas pessoas sobrecarregarem no trabalho para não enxergar a situação do casamento.

Segundo a mesma autora, após a separação, ocorre a reorganização pessoal, onde o ódio e o ressentimento podem dar origem a uma indiferença. Viver sozinho traz a capacidade de respirar, desenvolver a autonomia, sentir que é possível tomar conta de si mesmo. Às vezes uma nova união pode se dar logo após a separação, esta tem a função de defesa contra a angústia, solidão e baixo-estima, ou então o medo de se envolver afetivamente com alguém, com receio de ferir-se, de sufocar-se, de ficar sem espaço, sem privacidade.

KINGMA (1992) aponta o relacionamento com os velhos amigos, novos amigos, lazeres diferentes, psicoterapia, tempo para si, como fundamentais para a reorganização da pessoa.

O período de adaptação, no qual encontram-se sobrecarregados à resolver muitos problemas, leva-se a um processo de transição, onde passa-se a dar mais valor à novas amizades, à novos vínculos, percebe-se desta forma, que os contatos com o restante do mundo são mais numerosos do que imaginou-se, é importante saber o que quer dar aos outros e o que gostaria de receber, antes de procurar uma pessoa que responda às necessidades afetivas, é preciso realizar o que quer, afinal o risco de repetir inconscientemente os erros nos relacionamentos é grande, uma vez que existem forças psíquicas procurando fazer com que tudo permaneça como está e que somos um tanto quanto conservadores futuros, ainda que isso não seja fácil. A solidão não pode nem deve ser evitada. Ninguém pode privar-se da tristeza, sensação de abandono e falta, da mesma forma que não pode fugir da força interior que aos poucos vai se adquirindo. Porém, abrir-se com os outros, trocar opiniões, sempre é positivo, além de apreciar a verdadeira amizade (GIUSTI, 1987).

KINGMA (1992), afirma que em dado momento do processo de separação, muitos sentimentos passam pelo indivíduo, como: não acreditar que esteja acontecendo com ele, afirmar que isso não pode ser feito com ele, prometer que fará qualquer coisa para mudar este acontecimento, desacreditar que conseguirá superar isso, entre outros. Passado este período, há a reconhecimento da realidade, onde se inicia o processo de cura. Com a realidade que o relacionamento acabou, fica fácil identificar o porque da relação ter chegado ao fim, como uma maneira de conservar com si mesmo.

  1. One Response to “Separação de casal: Consequencias emocionais da separação. Como lidar com a separação”

  2. Ótimo conteúdo. Me ajudou muito !

    By vel050 on Jun 13, 2011

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