Psicoterapia com crianças: Aspectos sobre o Contrato de Psicoterapia Infantil

April 25, 2010 – 9:13 pm

Aspectos sobre o Contrato de Psicoterapia Infantil

O contrato é feito após a entrevista devolutiva do psicodiagnóstico e as recomendações terapêuticas consideradas importantes. Recomenda-se conversar com os pais para a entrevista a fim de saber como a criança está, se houveram intercorrências, se algo mudou na vida da criança e se os pais ainda estão interessados em iniciar o processo psicoterápico. Explicar o que é psicoterapia infantil: uma técnica que utiliza brinquedos, desenhos e estórias para ajudar a criança a compreender o que sente, seus medos, suas raivas, suas emoções, seu comportamento e inclusive suas fantasias. Deixar claro que de fato ela vai a psicoterapia para brincar e que este é o trabalho da criança. A criança é o paciente e seu horário de atendimento deve sempre ser respeitado. No caso dos pais precisarem conversar com o psicólogo devem requisitar um horário extra. O que é dito em sessão de atendimento também é sigiloso e cabe ao psicólogo comentar com os pais o que entende sobre a criança, mas não seu comportamento, ou verbalizações. No caso de crianças pequenas é importante que fique um adulto esperando do lado de fora, o que tranqüiliza a criança, e no caso das maiores é importante ter alguém no começo do processo e à medida que a criança se familiariza combina-se o que for melhor. O tempo da sessão é de 50 minutos e no caso de atraso não há reposição.

No caso de crianças que fizeram o psicodiagnóstico com outro profissional no primeiro contato com o paciente se apresentar e dizer que leu o que a outra psicóloga escreveu sobre ela e convidá-la a conversar sobre isso. Comentar que conversou com os responsáveis dela e que eles estão de acordo em iniciar um processo psicoterápico, perguntar o que ela (a criança) pensa sobre isso e se sabe o que é psicoterapia. Conversar sobre o número de sessões (é interessante utilizar um calendário), sobre o tempo, as faltas e os atrasos. Deixar claro que a sessão é um espaço que a criança pode usar como quiser (em alguns casos se a criança se tornar agressiva, explicar que ela é livre para fazer o que quiser desde que não se machuque, não machuque o psicólogo e não destrua a sala).

Apresentar a caixa lúdica, o cadeado e os materiais (estarão sobre a mesa antes que a criança entre). Dizer:

__ Trouxe estes materiais para você escolher o que deseja para ficar na sua caixa e você usar durante as sessões, o que você não pegar volta para mim, o que pegar, ficará dentro da caixa. A caixa também é sua durante os atendimentos e só você vai abri-la e fechá-la com este cadeado.

Esperar a criança escolher e recolher o material não selecionado e então dizer que ela pode fazer o que quiser.

Recomendações ao psicoterapeuta

É importante manter uma atitude acolhedora, mas não invasiva, mostrar-se interessado na criança sem forçar a comunicação. Fazer perguntas que lhe ocorram sobre o que está acontecendo e também comentar as próprias percepções. Quando convidado deve brincar com a criança e tentar entender o que ela está expressando e comunicar a ela. Manter a atenção sobre os próprios pensamentos e sentimentos, pois facilita a compreensão das emoções envolvidas na relação e os aspectos não verbalizados e inconscientes.

Sempre deixar claro a possibilidade de conversar sobre qualquer assunto e o desejo do psicoterapeuta de compreendê-la.

Ser verdadeiro consigo mesmo e com a criança, não representar um papel, ter claro a função do psicólogo: compreender o paciente em seus aspectos inconscientes e comunicar a ele. Quanto mais seguro se estiver, mais simples será o contato, porém mais profundo. Não se preocupar com o depois e sim com o momento do atendimento ajuda muito.

Profª Drª Maria Olinda Gottsfritz

  1. 2 Responses to “Psicoterapia com crianças: Aspectos sobre o Contrato de Psicoterapia Infantil”

  2. Gostei muito da forma clara da apresentação dos aspectos importantes para o deenvolvimento do trabalho de atendimento infantil.
    Aproveito a oportunidade para questionar em relação ao atendimento infantil feito no serviço público de saúde, o quê precisa ser modificado e como isso pode ser feito. Quais os cuidados primordiais.
    Um abraço,
    Maria Lima

    By Maria Lima on May 21, 2010

  3. Sempre admirei psicologos que se especializaram em psicologia infantil, é realmente “outro universo”

    By Marisa on Nov 22, 2011

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