Psicologia Hospitalar: Objetivos, intervenções e acompanhamento ao paciente hospitalizado

A especialização em Psicologia Hospitalar, uniu-se às atividades de psicologia do hospital procurando avançar junto aos demais profissionais, que já desenvolveram um grande trabalho nos últimos vinte anos. (CAMON, 1988)

O principal objetivo da Psicologia Hospitalar é amenizar todo o sofrimento causado pela hospitalização. É muito importante que o psicólogo tenha claro que sua atuação na instituição hospitalar não é uma atuação psicoterápica dentro do que se chama setting terapêutico. É importante abranger não só a patologia que originou a hospitalização como também toda a conseqüência e o sofrimento emocional que decorre desta hospitalização (CAMON, 1998).

È necessário que o psicólogo saiba claramente quais os limites institucionais de sua atuação, e não se colocar como uma força isolada dentro do hospital. (CAMON, 1995).

É fundamental a atuação desses profissionais associada a uma equipe multidisciplinar para agir nas diversas unidades do hospital. A psicologia atua na saúde do ser humano, tanto para prevenir quanto para tratar. O psicólogo visa um relacionamento saudável e, dessa maneira, busca dialogar com o paciente e seus familiares. Ao relacionar-se com o paciente, além de usar o seu bom senso adquirido pela prática, é de suma importância que o profissional faça uso de meios psicológicos técnicos e científicos, que o psicólogo deve se deve ao fato de que ao ser hospitalizado o doente sofre mudanças em suas rotinas diárias, o que muitas vezes não é fácil, sendo necessário um tempo de adaptação. ( CAMPOS,1995).

A atuação do psicólogo hospitalar se dá em várias atividades do hospital. Uma de suas atuações por exemplo, é o atendimento a pacientes no momento de receberem diagnósticos desfavoráveis.

É muito grande o número de pacientes que se sentem desamparados e aterrorizados diante do modo como recebem seus diagnósticos.

Para muitos profissionais da saúde, a relação é estabelecida com a doença, e não com o doente. Assim, a importância ao sofrimento emocional e familiar, tão presente nas pessoas envolvidas nesse processo é diminuída. Toda emoção que determina o surgimento e o agravamento de doenças é desprezada. A relação é com o diagnóstico, o prognóstico, e tudo que implica no tratamento do paciente. A dor, o sofrimento, dizem respeito apenas a ele e seus familiares. (CAMON, 1998).

O ser humano sabe que um dia vai morrer, mas esta morte é vista com medo e acaba se transformando num tabu, algo que não se comenta. O psicólogo quando chamado para esclarecer qual a real situação do paciente aos seus familiares, ou até mesmo ao próprio paciente, quando necessário, não deve negar a possibilidade da morte. O profissional de saúde deve ter em mente que em muitas situações a presença real e participativa tem mais efeito terapêutico do que muitas palavras. Ao dar a informação do diagnostico ao paciente, é muito importante a maneira como isso é feito. (CAMPOS, 1995).

É importante para o psicólogo hospitalar saber ouvir e observar, tanto as palavras como o silêncio, dando assistência ao paciente e seus familiares. Pois ao ser hospitalizado, o paciente passa por um processo de despersonalização, deixando de ter seu próprio nome, e passa a ser um diagnóstico ou um número de leito. Seu espaço não é mais o mesmo, sua rotina muda e as pessoas ao seu redor são vistas como estranhas. Tudo isso implica numa total restruturação vital. Com a especialização clínica, os diagnósticos passam a ser cada vez mais específicos, transformando aquela vida em apenas um sintoma, e fazendo com que esta pessoa necessite de certos cuidados para se livrar de tais estigmas. Para tanto, a psicologia hospitalar surge como uma possibilidade para o paciente confrontar com sua angústia e sofrimento, procurando superar o momento de crise . (CAMPOS, 1995)

Todavia, muitas situações e determinadas práticas serão vistas pelo paciente como agressivas. É necessário que o psicólogo se cerque de cuidados, para assim não se tornar invasivo. (CAMON, 1995).

Ainda sobre a importância da atuação do psicólogo no hospital, CAMON (1995), afirma o quanto o adoecer e o processo de hospitalização representam a perda da nossa referencia, a perda do próprio mundo. Além de se submeter às restrições impostas pela doença , o enfermo tem que submeter-se as restrições do hospital. O profissional muitas vezes precisa intervir terapeuticamente sobre a temporalidade do enfermo, pois este, muitas vezes vivência o imediato como eterno. Este, se já teve outras internações ou situações de perda, reviverá o passado no presente, o que acaba também envolvendo o futuro.

CAMON , 1996 salienta o quanto é importante as crianças hospitalizadas ou em fase terminal participarem de atividades lúdicas programadas, sendo elas nas enfermarias pediátricas ou nos ambulatórios, dirigidas por profissionais da saúde mental, psicólogos ou psiquiatras. Várias podem ser as atividades psicoterapêuticas aplicadas no hospital, como pintura livre a dedo, modelagem, desenho livre entre outros. Essas atividades possibilitam às crianças experimentar sua nova forma de ser, e através dela pode se descobrir qual o processo psicológico da criança, ajudando a tornar consciente aquilo que está oculto ou que ela acaba evitando. O psicólogo deve ajudar a criança a, através das atividades, fortalecer a auto-estima e o auto-conceito, criando oportunidades para que ela retome seu equilíbrio psíquico. É de suma importância ajudar a criança a tomar consciência de si mesma, de sua existência no mundo e da situação de sua doença, fazendo com que, desta forma, ela fortaleça e renove o contato com seus sentidos e sentimentos

Por fim, o trabalho do psicólogo hospitalar ocorre em várias frentes, passando pelas famílias dos enfermos, chegando aos próprios enfermos, sejam eles adultos ou crianças. Atualmente, apesar de ainda haver muito a se construir nesta área, a psicologia hospitalar já é entendida como intervenção importante na instituição hospitalar.

  1. One Response to “Psicologia Hospitalar: Objetivos, intervenções e acompanhamento ao paciente hospitalizado”

  2. Texto conciso e claro, com boa abrangencia sobre o assunto.

    By Francineide on Jan 13, 2014

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