Psicologia Hospitalar: O trabalho do Psicologo com a Dor no Hospital
February 15, 2009 – 11:41 am
Ninguém vai ao hospital por prazer ou para tirar férias, muito menos para passear. Trata-se de uma necessidade de preservação da própria vida.
É neste contexto que sempre temos a presença inoportuna da dor e do sofrimento que nos provocam profundamente como seres humanos e como profissionais da saúde.
Na atuação da Psicologia Hospitalar deve ser considerado que uma das situações críticas do cuidado da vida é quando esta é marcada por dor e sofrimento intoleráveis e sem perspectiva, provocados por determinada doença séria de características mortais.
É muito freqüente ouvir nas UTIs e corredores do hospital pacientes que verbalizam em alto e bom tom que não
temem tanto a morte em si mesma, mas sim a dor e o sofrimento do processo do morrer.
O cuidado da dor e do sofrimento é a chave para o resgate da dignidade do ser humano e é um dos objetivos do trabalho e da intervenção da Psicológica Hospitalar num trabalho multidisciplinar.
A doença destrói a integridade do corpo, e a dor e o sofrimento podem ser fatores de desintegração da unidade da pessoa.
A medicina atualmente está equipada e preparada com instrumentação tecnológica e química para combater a dor, mas quando se fala lidar com o sofrimento encontra-se ainda num estágio bastante rudimentar.
Em relação à dor, constata-se que grande parte dos profissionais de saúde não sabem o que significa dor quando falam nela.
Este conhecimento subjetivo do ser humano e a atenção humanitária a ser disponibilizada mostra um campo de atuação da Psicologia Hospitalar.
A dor tem duas características importantes: a primeira é que estamos diante de um fenômeno dual: de um lado, a percepção da sensação; de outro, a resposta emocional do paciente a ela.
A segunda característica é que a dor pode ser sentida como aguda, e portanto passageira, ou crônica, e conseqüentemente persistente.
Porém cabe ressaltar que nem sempre quem está sentindo dor está sofrendo. O sofrimento é uma questão subjetiva e está mais ligado aos valores da pessoa.
Certamente, algum nível de dor e sofrimento pode ser tolerado, e seria utópico dizer que o alívio de toda dor e sofrimento seria um objetivo do sistema de saúde.
Deve ser considerado que a vulnerabilidade provocada pela doença exige uma resposta mais ampla chamada “cuidado”. É nesta dimensão de atenção e cuidado que cabe o trabalho da Psicologia Hospitalar e a contribuição do Psicólogo neste contexto no trabalho multidisciplinar e interdisciplinar.
A contribuição da medicina psicossomática e a entrada da psicologia no contexto da saúde, notadamente no âmbito hospitalar foram de extrema importância nestes últimos anos para resgatar o ser humano para além de sua dimensão físico-biológica e situá-lo num contexto maior de sentido e significado, nas suas dimensões psíquica, social e espiritual
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