Psicologia Hospitalar: A história da inserção do psicólogo no contexto hospitalar

A Psicologia Hospitalar tem se mostrado um campo cada vez mais promissor no Brasil. Dessa forma, é importante destacar o caminho da inserção do psicólogo no contexto hospitalar e as conquistas realizadas, bem como, a valorização da Psicologia Hospitalar junto à equipe, a instituição e principalmente o reconhecimento de pacientes e familiares neste serviço de atendimento psicológico, avaliação psicológica e intervenção psicológica com os pacientes hospitalizados.

Ainda na da década de 80, a presença do psicólogo no hospital era uma prática polêmica. Hoje nos cursos de graduação não se pode deixar de incluir temas como psicossomática, morte e hospitalização. Junto a tais fatores, foram surgindo movimentos que tinham como foco a humanização na relação e no trato com os pacientes. Nos hospitais gerais isso teve como resultado uma maior proximidade com o paciente e seus familiares, visando preservar o máximo sua identidade . Nesta linha,  a Psicologia Hospitalar ainda era uma prática nova no campo da saúde, com vários termos muitas vezes incompreendidos que geravam desencontro de idéias. Hoje, através da interação multidisciplinar ela é uma disciplina na maioria dos cursos de Psicologia (Felício, 1998).

Particularizando o Estado de São Paulo, o surgimento de psicólogos teve início no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-SP) na área de pediatria em 1954, depois na psiquiatria e em 1957 na ortopedia.

Em 1977 foi dado início na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) o primeiro curso de Psicologia Hospitalar do país na graduação (Romano, 1991).

Neto (1991) discute a atuação do psicólogo no complexo Hospital das Clínicas, pioneiro no assunto no Brasil, mostrando as lutas por idéias e ideais inovadores  na Psicologia Hospitalar. Estes ideais estão ligados a nova forma de atuação do psicólogo dentro do hospital, fato que não era novidade no contexto internacional mas no Brasil representava uma nova perspectiva de trabalho. Mesmo assim, ainda existe nos dias de hoje a dança dos poderes nos hospitais, a tradição do autoritarismo que não foi totalmente banida.

Em Ribeirão Preto, no ano de 1987, a Psicologia foi introduzida no Hospital São  Francisco, no  centro de neurocirurgia (CIN), através da  solicitação de um médico devido à pacientes desenvolverem problemas emocionais decorrentes da patologia neles acometida naquele momento e os profissionais da saúde não tinham formação acadêmica para subsidiarem tais quadros sintomatológicos. A vinculação dos pacientes ao hospital era feita através do antigo INAMPS ou particulares. A equipe era formada por profissionais de várias especialidades como neurocirurgiões, oncologistas, pediatras, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e  psicólogos, entre outros (Moura e Nascimento, 1990).

Segundo Neto (1991) os psicólogos do (HC-SP) atuaram significativamente neste campo, trabalhando contra a inércia e a omissão. Conseguiram resultados importantes com a equipe multiprofissional, tendo como principal enfoque prestar assistência psicológica inovadora  ao paciente. Moura e Nascimento (1990) salientam que o psicólogo tinha lacunas em sua formação, tornando-o despreparado para a atuação dentro do hospital, já que sua graduação direcionava-o para o atendimento clínico em consultório. Assim, desconheciam as patologias que acometiam os pacientes e as possíveis problemáticas que essas traziam ou causavam.

Contudo, em outras regiões do país, a proposta da inserção do psicólogo no contexto hospitalar persistia, tornando-se um dos maiores desafios no campo da saúde para a Psicologia. Elaboravam-se, então, os conceitos  de saúde , ultrapassando a definição da normalidade, equilíbrio e ausência de sintomas. Era preciso conceituar a saúde como um todo, um organismo, levando em conta tanto os aspectos biológicos como os elementos sociais (Gonzáles, 1993).

Ainda assim, fora da atuação  de assistência pública, o modelo entre os psicólogos brasileiros já era o da clínica concentrada nos consultórios. Deste modo, observamos que a participação da Psicologia no campo da saúde dentro das instituições ainda era restrita (Conselho Federal de Psicologia / 1988).

Com as políticas oficiais do governo federal, houve a implantação do Plano Integrado de Saúde Mental (PISAM), formando assim as primeiras equipes multiprofissionais de saúde mental na rede estadual. Neste contexto, a atuação da Psicologia enquanto profissão ainda tinha uma participação  tímida e marginal nos hospitais psiquiátricos e serviços ambulatoriais. Em 1980, eram 269 psiquiatras para apenas 6 psicólogos (Vasconcelos, 1998).

 

  1. One Response to “Psicologia Hospitalar: A história da inserção do psicólogo no contexto hospitalar”

  2. olá, muito bom o material, mas infelizmente não pode ser usado na produção de trabalhos academicos, pois não há referencias sobre os autores do texto, como são usadas citações indiretas preciso sabe quem as fez para colocar como apud, caso contrario seria plágio.
    aguardo uma resposta,
    obrigada, Yasmin

    By yasmin on Feb 24, 2014

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