Psicologia Hospitalar - A depressão no paciente pós cirúrgico
February 23, 2009 – 11:15 am
A atuação da Psicologia Hospitalar junto à equipe multidisciplinar ou interdisciplinar no contexto hospitalar, deve focar o atendimento integrado e humanizado ao paciente, aos familiares e à própria equipe juntando e agregando esforços para a melhora e recuperação da pessoa internada e na qualidade e oeferecimento de condições de assistência para o tratamento e recuperação.
A intervenção da Psicologia Hospitalar na depressão é foco de atenção, pois esse é um sintoma frequente na hospitalização e nos casos onde acontece intervenção cirúrgica. Esta atenção deve ser maior por conta das consequencias destes fatores na evolução e recuperação deste procedimento.
A maior parte das depressões pós-operatórias é de origem reativa e esta varia em grau, de leve a grave, tendo fatores principalmente ativos.
Existe uma grau de agressividade, quase sempre inconsciente, que está presente nas depressões. Desta forma, um dos mecanismos presentes que provoca a depressão é a identificação do paciente com a pessoa que é objeto de sua agressão, neste caso, o médico cirurgião ou outros membros da equipe de saúde.
Através da identificação, o paciente transfere os sentimentos de agressividade pelo cirurgião, para ele próprio, sua consciência se torna atacante e, ela o ataca. De forma mais simplificada poderia ser dito que: quanto mais ele deseja ferir outra pessoa, mais é forçado pela sua consciência a ferir-se a si próprio e, mais cresce sua depressão.
O objetivo principal na atuação da psicologia hospitalar neste contexto é trabalhar, por meio de uma escuta ativa, tratando dessa depressão aguda, descobrindo e dando espaço para que expresse o porque está furioso e redirigir e mobilizar sua agressividade para o objeto real.
Na avaliação e intervenção psicológica também deve ser considerado pela Psicologia Hospitalar, outros fatores significativos que podem estar associados à depressão no pós-operatório. Entre esses fatores, um indício significante pode estar associado às vivências e conflitos experimentados no período pré-operatório.
A Psicologia Hospitalar em sua intervenção deve considerar que existe uma associação e correlação íntima entre o estresse e a ansiedade do paciente no pré-operatório e as características da depressão no período pós-operatório, principalmente nas 36 horas imediatas após a intervenção cirúrgica.
Uma das formas de trabalhar antecipadamente estas dificuldades concentra-se num intercâmbio de informações suficientes e esclarecedoras sobre as causas, necessidades e processo a que o apciente será submetido, mobilizando recursos internos para esse enfrentamento, tanto a nível cognitivo e perceptual, quanto a nível afetivo e emocional, provendo condições satisfatórias para sucesso no procedimento.
Quanto mais o paciente estiver esclarecido e preparado para um procedimento interventivo (logicamente dentro de suas capacidades e limitações), mais esse fator estressante será minimizado favorecendo sua recuperação.
Esse trabalho não é somente do psicólogo ou da Psicologia Hospitalar, e sim, da equipe funcionando de forma integrada para sustentação de uma relação de confiança e de esperança, focando-se nas condições positivas e facilitadoras do processo.
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