Psicologia Hospitalar – A Escuta Ativa e a intervenção psicológica no manejo da dor com o paciente hospitalizado
February 20, 2009 – 6:01 pm
O paciente hospitalizado pode estar enfrentando além da sua doença, do ambiente estranho do hospital, da necessidade da entrega ao outro, da despersonalização neste contexto, pode ainda estar sofrendo com a dor.
No contexto hospitalar, via de regra, gerenciar a dor pressupõe a medicalização do sofrimento.
A medicalização penetra fundo em nossas vidas e constitui um dos domínios em que o poder da técnica é acolhido e praticamente não contestado.
Em relação à dor, constata-se que grande parte dos profissionais de saúde não sabe o que significa dor quando falam nela.
A dor tem duas características importantes: a primeira é que estamos diante de um fenômeno dual: de um lado, a percepção da sensação; de outro, a resposta emocional do paciente a ela, porém nem sempre quem está sentindo dor está sofrendo.
A Psicologia Hospitalar pode contribuir na compreensão do sofrimento, mostrando que esse sentimento é subjetivo e está mais ligado aos valores da pessoa.
Portanto, o sofrimento é mais global que a dor e, fundamentalmente, sinônimo de qualidade de vida diminuída.
A intervenção psicológica no hospital busca a humanização do atendimento, através da escuta ativa e da qualidade da relação possível entre o Psicólogo e o paciente internado. Talvez o remédio mais eficaz em termos de cura seja justamente a qualidade do relacionamento mantido entre o paciente e seus cuidadores, e entre o paciente e sua família.
Esta qualidade curadora da relação terapêutica pode facilmente ser enfraquecida ou ameaçada quando reações emocionais sentidas pelos pacientes, famílias ou cuidadores não são adequadamente trabalhadas.
A atuação do Psicólogo Hospitalar neste contexto promove uma contribuição à equipe, num trabalho de escuta ativa, na valorização dos aspectos emocionais que permeiam a situação da doença e da hospitalização, facilitando a expressão destas emoções, a compreensão e a apreensão dos conteúdos manifestos e latentes para que em conjunto possa oferecer maior qualidade de vida e de cuidados.
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