Psicologia da Morte: Como lidar com a morte no hospital

A maneira de tratar a morte, nos dias de hoje, acarreta um maior isolamento da pessoa que morre, bem como traz consigo marcas profundas e difíceis de dissolver aos que ficam, ou seja, por mais que o meio em que vivemos tente facilitar o contato com a morte e a elaboração do luto, as marcas sempre existirão e terão o curso natural que sempre tiveram no processo de cicatrização (Perazzo, 1986).

Ao ver a realidade de grande parte dos hospitais brasileiros, onde as pessoas passam a noite em filas para serem atendidas, pacientes em macas espalhadas pelos corredores dos hospitais, outros com doenças graves que nem ao menos conseguem atendimento médico, profissionais da saúde estressados, tendo muitas vezes que escolher aquele paciente que deverá viver e o que deverá morrer, pensar a morte com dignidade parece algo impossível (Torres, 1996).

Falar da morte com dignidade, vivendo num país como o Brasil, onde 60% da população é analfabeta e possuindo em torno de 40 milhões de pessoas vivendo em miséria absoluta, parece ser redundante. A morte com dignidade, mas onde está a dignidade da vida? Talvez em muitos casos a morte seja o único momento em que a pessoa possa ter dignidade, porém, na maioria das vezes, esse momento é mais indigno do que a própria vida indigna que ela teve (Filho, 1996).

Mas o que significa morrer com dignidade? “Significa ter uma sobrevivência significante e uma morte apropriada, o que implica em manter um comportamento competente e uma conduta responsável” (p. 49). O morrer, na maioria das vezes, é algo doloroso e solitário. Proporcionar ao paciente a oportunidade de desenvolver um comportamento competente, no qual ele possa escolher a maneira pela qual deseja resolver seus problemas e possa desenvolver suas habilidades, respeitando suas limitações, torna esse processo muito menos doloroso (Torres, 1996).

Assim como um processo de vida com dignidade, o processo de morte com dignidade deveria ser fundamentado no direito e no respeito à cidadania, acompanhado da ética. A falta de respeito e consideração com esses aspectos impedem uma melhor qualidade de vida e uma morte com dignidade para a nossa população (op.cit.).

De acordo com dados de 1996, divulgados pelo Ministério da Saúde, a principal causa de mortes no Brasil está relacionada às doenças do aparelho circulatório, tendo sua maior incidência na região sul, com 34,7% dos casos. Ao observar a proporção da mortalidade, por causas determinadas, em todos os sexos e faixas etárias pode-se dizer que:

  • Na região Norte, a principal causa de mortalidade refere-se à fatores externos, responsáveis por 28,4% das mortes no estado de Rondônia, e as doenças infecciosas e parasitárias obtiveram o menor índice, sendo responsáveis por 7,8% das mortes no estado do Pará;
  • Na região Nordeste, o estado do Piauí registrou 36,8% de mortes ocasionadas por doenças do aparelho circulatório e 5,2% por afecções no período perinatal no estado da Bahia;
  • Na região Centro-Oeste, doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por 30,3% das mortes no Mato Grosso do Sul e as afecções do período perinatal foram responsáveis por 4,9% das mortes em Goiás;
  • Na região Sudeste, a principal causa de mortalidade foram as doenças do aparelho circulatório, responsáveis por 34,5% das mortes, enquanto o menor índice refere-se as afecções do período perinatal no Rio de Janeiro, com 3,4% dos casos;
  • Na região Sul, o estado do Paraná registrou 35,3% das mortes ocasionadas por doenças do aparelho circulatório e 2,6% por afecções do período perinatal no Rio Grande do Sul.

As causas de morte relacionadas pelo Ministério da Saúde são diversas, no entanto, tais dados permitem observar que, no ano de 1996, a principal causa de morte em todo o país esteve relacionada às doenças do aparelho circulatório, enquanto as afecções do período perinatal ocorreram com menor índice.

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