Pesquisas científicas sobre separação conjugal: Pesquisa psicológica sobre os motivos da separação nas relações amorosas

Muitas pesquisas foram realizadas com o intuito de entender o processo de individualidade, conjugalidade e separação conjugal. Alguns resultados basearam-se em pesquisas feitas com casais, para entender possíveis diferenças entre eles.

Em pesquisa realizada por MAGALHÃES (1993), tendo como objetivo verificar as diferenças de opiniões acerca do significado do casamento entre homens e mulheres. Os sujeitos que participaram da pesquisa foram vinte casais de classe média do estado do Rio de Janeiro, com idade entre 25 e 55 anos, sendo que, 95% das mulheres entrevistadas apontam o casamento como uma relação de amor e 100% dos homens alegam ser constituição de família.

Portanto, concluiu-se que as mulheres encaram a separação como conseqüência do fim do amor. Já para a grande maioria dos homens, o fato da relação não estar bem, não justifica um rompimento.

WILLI (1995), com o objetivo de estudar escolha amorosa, relações entre conjugalidade e individualidade e a ruptura no casamento num conceito de cumplicidade, ou seja, sendo uma matriz interacional, que organiza a vida amorosa do casal, onde cônjuges unem-se por supostos comuns, quase sempre inconscientes, e com a expectativa que o parceiro o liberte de seu conflito. No jogo de cumplicidade, há uma troca de estratos, de características latentes ou manifestas da personalidade dos cônjuges.

Definindo como tipos de cumplicidade quatro temas: amor como ser um mesmo (narcísica), amor como preocupar-se com o outro (oral), amor como pertencer um ao outro (sádico-anal) e amor como afirmação masculina (fálico-edípica), sendo estas quatro princípios dinâmicos fundamentais, e como tais, não formam unidades de patologia. Todo casamento pode ser, afetado pelos quatro temas.

As análises não evidenciaram uma relação significativa entre a separação conjugal e a presença maior ou menor da dimensão de individualidade na interação, nem tampouco entre separação e os tipos predominantes de cumplicidade amorosa. Dos 16 casais estudados, 10 se mantiveram casados e seis se separaram. Os resultados mostram que a manutenção ou a ruptura do casamento, ao longo do processo terapêutico, estava significativamente com o modo como as dimensões de individualidade e conjugalidade puderam se transformar, levando o casal a efetuar mudanças no jogo interacional conjunto, em busca de maiores espaços de crescimento. Foi possível observar, uma maior possibilidade das mulheres realizarem mudanças e também uma maior possibilidade destas de romperem o casamento, o que ocorreu na maioria dos casos em que houve separação conjugal.

PASCUAL (1991), com o objetivo principal de investigar a relação entre a individualidade e a conjugalidade no recasamento obteve resultados que demonstram diferenças significativas, entre pessoas casadas pela primeira vez e recasadas. Uma vez que a relação matrimonial é caracterizada pela forte presença entre atitudes individuais e conjugais, o casal ou cria rígidos limites entre si ou embarca numa relação em que os limites de individualidade desaparecem. Duas características do primeiro casamento, a rigidez e a preservação de padrões esteriotipados aparecem no recasamento.

Em trabalho realizado em uma mesa redonda, COSTA, PENSO & CARNEIRO (1992), defendem a questão da separação conjugal enquanto fator de saúde, na medida em que permite a reorganização das famílias. Preocupam-se com a literatura que diz a respeito das situações pós-divórcio. As pesquisas enfatizam a dimensão disfuncional e buscam as patologias associadas à separa cão conjugal. As autoras argumentam sobre a saúde e a competência das famílias que viveram uma separação conjugal, trazendo dados de pesquisa próprias baseadas em modelos sistêmicos de terapia familiar. Assumem uma postura crítica aos resultados comparativos. Concluindo que a competência da família não depende do fato de estarem casados, recasados ou descasados, mas sim da qualidade das relações estabelecidas.

Com o objetivo de analisar a relação entre o controle conjugal e a satisfação conjugal, atual, passada e estimada para o futuro COLETA (1992), elabora pesquisas com 90 homens e 116 mulheres casados há pelo menos três anos. Os resultados primeiros indicam maior satisfação conjugal no futuro. Na segunda pesquisa, mostrou-se que a satisfação conjugal e o controle conjugal não se evidenciam nos primeiros anos de casamento, mas ocorrem somente após alguns anos de casamento.

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