ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL: INCLINAÇÃO E TALENTO PARA EXERCER FUNÇÃO TÉCNICO–FUNCIONAL
August 27, 2010 – 9:32 pm
Alguns indivíduos descobrem, ao longo de suas carreiras, que possuem verdadeiro talento e grande motivação para um determinado tipo de trabalho. O que realmente os estimula e motiva é exercitar suas aptidões e a satisfação de saber que são peritos. Isto pode acontecer em qualquer área profissional: por exemplo, um engenheiro pode descobrir que é muito bom em projetos; um vendedor que, de fato, tem verdadeiro talento e gosto para vendas; um gerente de produção pode perceber que tem satisfação cada vez maior ao dirigir unidades fabris complexas; um analista financeiro pode descobrir que tem talento e prazer em resolver problemas complexos de investimento de capital; um professor pode ter grande satisfação com seu crescente conhecimento na área, entre outros.
À medida que progridem em suas carreiras as pessoas observam que, sendo transferidas para outras áreas de trabalho, ficam menos satisfeitas e competentes. Começam a se sentir atraídas de volta para suas áreas de competência e satisfação. Elas adquirem um senso de identidade em torno do conteúdo de seu trabalho – as áreas técnicas ou funcionais nas quais são bem sucedidas – e procuram aperfeiçoar suas aptidões nessas áreas.
Os indivíduos com inclinação técnico-funcional dedicam-se a vida toda à especialização e não dão valor à posição de gerente geral, embora aceitem cargos de gerente técnico se isto lhes der condições de continuar em suas áreas de especialidade. Embora quase todas as carreiras, no princípio, tenham orientação técnico-funcional e a sua fase inicial esteja ligada ao desenvolvimento de uma especialidade, nem todos são atraídos por uma especialidade. Para alguns, a especialização é um meio de serem admitidos como membros da organização ou motivo de segurança mais do que um objetivo em si. Para outros, é simplesmente um degrau no plano de carreira, ou seja, uma etapa necessária para chegar à administração geral. Para outros, ainda, é uma oportunidade de aprender algumas técnicas necessárias para iniciar atividades autônomas ou empresariais. Conseqüentemente, embora a maioria comece se especializando, apenas alguns acham isto intrinsecamente gratificante o suficiente para desenvolver pontos de referência profissionais em torno de suas especialidades.
Quanto ao tipo de trabalho, a característica mais importante de trabalho desejável para membros deste grupo é que seja um desafio. Se o trabalho não desafiar sua capacidade e aptidões, logo eles o acharão enfadonho e sentir-se-ão rebaixados, o que os levará o procurar outras atribuições. Como a auto-estima das pessoas deste grupo depende de exercitar seu talento, elas precisam de tarefas que permitam tal exercício. Embora outros possam estar mais interessados no contexto do trabalho, este tipo de pessoa está mais interessada no conteúdo intrínseco do trabalho.
Os indivíduos da categoria técnico-funcional, que são fiéis a uma organização (em oposição a um consultor autônomo) desejam e anseiam tomar parte no estabelecimento das metas. Entretanto, após chegarem a um acordo sobre as mesmas, exigem autonomia máxima para executá-las. Na verdade querem carta branca para agir, orçamentos e recursos de toda a espécie que os capacitem a desempenhar a tarefa apropriadamente. É muito freqüente surgirem conflitos entre gerentes gerais, que procuram limitar o custo de funções especializadas, e especialistas que querem poder gastar o que for preciso para executar a tarefa devidamente.
A pessoa com esta inclinação irá tolerar o gerenciamento enquanto acreditar que é fundamental para a realização da tarefa, considerando-a, contudo, árdua e necessária mais do que intrinsecamente agradável ou desejável. Para essas pessoas, uma promoção para um cargo mais geral é inteiramente indesejável porque as força a se afastar das especialidades com as quais se identificam.
O talento para os aspectos interpessoais de administração varia neste grupo, resultando no dilema de que, se estas pessoas forem promovidas para cargos na área de supervisão e então descobrirem que não têm capacidade para desempenhar tal função, costumam ficar sem saída na organização. Quase todos os degraus em um plano de carreira não permitem um retorno fácil para funções técnicas, uma vez que a pessoa tenha assumido um cargo administrativo.
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