O que é Psicologia comunitária: A terapia comunitária

Segundo Grandesso (2002), na terapia comunitária as pessoas dão significados aos pensamentos e sentimentos e comunicam ao grupo.

Na terapia comunitária além da fala a escuta também é um exercício constante.

De acordo com Bakntin (1999) apud Camargo (2005), a palavra é a expressão da palavra interior e da consciência e tem sempre um sentido ideológico ou vivencial que se relaciona com o contexto e porta os significados que foram dados socialmente e o exercício da escuta ampliam o sentido das coisas, dando uma versão de sentido.

Para o mesmo autor, as sessões de terapia podem ser consideradas como um campo onde se estabelece uma rede de relações dialógicas e mediadas pela linguagem, fazendo circular e transformar sensações, emoções e pensamentos. Nessa construção interpessoal onde todos participam do mundo construído (o grupo), seja como falante ou ouvinte.

A escuta torna-se um desafio e exercício constante, pois é comum à vontade de aconselhar ou dar soluções prontas para os problemas. Essa posição talvez venha a sugerir a dificuldade de “colocar-se no lugar do outro” (Camargo, 2005).

Aqui se faz necessário algumas colocações referentes ao desenvolvimento da terapia comunitária nas unidades básicas de saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde na área da saúde mental tem como objetivo a elaboração e cooperação na implantação para as políticas de saúde nas localidades de São Paulo. Dentre esses objetivos consta à promoção da cidadania aos seus habitantes e principalmente aos que sofreram ou sofrem exclusão social.

(www.6.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saudeareastematicas/0006)

Alguns levantamentos epidemiológicos em São Paulo apontam uma prevalência anual de transtornos mentais em torno de 20% da população entre transtornos graves e persistentes como a esquizofrenia e transtorno o bipolar e comuns como a ansiedade, depressão, somatização, abuso e dependência de álcool sendo que esses a sua maioria.

O site refere-se a estudos realizados que demonstram que fatores sociais estão relacionados à maior incidência desses transtornos.

Portanto, as regiões com piores índices sócio-econômicos são priorizadas na implantação de serviços para saúde mental.

(www.6.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saudeareastematicas/0006)

A prefeitura tem capacitado profissionais da saúde como terapeutas comunitários, e o primeiro trabalho voltado para essa prática teve início em 2002 e desde esse período vem sendo realizada nas unidades de saúde.

(www.6.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saudeareastematicas/0006)

Para Sluzki (1997) a rede social afeta a saúde do indivíduo e também pode ser afetada por sua doença. As relações sociais contribuem para dar sentido à vida referindo-se ao nível existencial nos seres humanos. Esse existir para alguém e servir para alguma coisa vêm a estimular os cuidados com a saúde.

Essa rede social no nível de prática possibilita uma retroalimentação dia-a-dia no que diz respeito aos desvios de saúde e atua como um monitor da saúde ativando consultas aos especialistas e isso favorece a correção de comportamentos (Sluzki, 1997).

Para o mesmo autor, essa rede favorece atividades pessoais que estão associadas com a sobrevida tais como: seguir dietas, aderir ao tratamento medicamentoso, fazer exercícios e no geral ter cuidados com a saúde.

A doença crônica traz consigo o efeito aversivo e as outras pessoas costumam evitar ao manterem uma distância física.

Segundo Sluzki (1997), a pessoa afetada pela doença reduz os seus contatos sociais por estar impossibilitado de realizá-las e devido a sua debilidade muitas vezes não consegue ativar a rede.

A doença vem a reduzir as possibilidades de gerar os comportamentos de reciprocidade de modo que nas suas relações e interações sociais tem menor possibilidade de troca, principalmente no que se refere aos cuidados (Sluzki,1997).

Segundo Sluzki (1997), cuidar de um doente crônico é pouco gratificante porque apesar dos cuidados o paciente não melhora rapidamente e desestimula os membros da rede que estão envolvidos nos cuidados. E em termos gerais, a doença crônica pode esgotar os membros da rede social de uma pessoa.

Uma outra teoria utilizada foi a da comunicação e essa é um elemento que tem a capacidade de unir a pessoa, a família, à comunidade e a sociedade e proporcionar a interação social (Barreto, 2003).

A comunicação é uma necessidade dos seres humanos, do homem social (Diaz,1986).

Através dela é possível compreender que todo o comportamento, todo ato verbal ou não, individual ou grupal tem o valor de comunicação e o processo de entendimento torna-se cheio de possíveis significados e sentidos que podem estar ligados ao comportamento humano (Barreto, 2003).

Essa comunicação é uma metacomunicação, pois a pessoa quando comunica algo costuma indicar como deseja que a mensagem seja entendida. Essa comunicação sobre a comunicação pode ser verbal ou não verbal (Diaz, 1986).

Todas essas possibilidades encontram-se além das palavras, e ocorrem quando o individuo procura entender e começa a buscar a consciência de existir, de pertencer e de ser reconhecido (Barreto, 2003).

A comunicação também tem seu lado negativo quando usada de forma ambígua e pode trazer efeitos nocivos.

Como cita Diaz (1986), a linguagem é uma faca de dois gumes que pode levar o homem à comunhão ou a destruição. Nesse sentido a linguagem aparece inclusive na Bíblia, em nível sagrado, ao chamar o filho

de Deus de palavra encarnada ou ao apresentar a confusão e divisão quando se refere à Torre de Babel.

 

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