Medo da morte na hospitalização e na doença cardíaca.

September 7, 2009 – 11:45 am

Falar em morte parece mórbido e desencadeia algumas reações que em nossa sociedade, pois possui certa ambivalência onde há o medo (manifesto) e o interesse (velado) pelo tema.

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A morte torna-se um inconveniente à medida que o ser humano atribui enorme valor a vida, sendo que a consideração aos valores sociais tais como a importância conferida à vitalidade, ao sucesso, a produtividade, à busca constante de felicidade pelos indivíduos, diante da morte não possuem significado.

Todas as pessoas sabem que um dia irão morrer, mas vivem esse acontecimento como algo muito distante. E quando enfrentam uma situação onde há uma possibilidade da ocorrência da morte, angustiam-se frente a essa possibilidade, desenvolvendo sentimentos de culpa, assim como um arrependimento pelo que não foi realizado.

Muitos temem a morte devido ela estar relacionada à um posterior “julgamento” no que se refere aos aspectos religiosos; julgamento dos atos realizados em vida, demonstrando a importância da religiosidade para o indivíduo que se encontra nesta situação delicada.

KOVÁCS (1992) coloca que há um medo referente ao que vem após a morte e ele está relacionado ao medo de um julgamento, do castigo divino e da rejeição. A autora ainda fala que durante a sua existência, o homem presencia a morte em seus sonhos e fantasias e diante disso tenta colocar sua consciência em segundo plano agindo como se fosse imortal, apesar dele possuir um corpo que sente dor, adoece, envelhece e morre.

A idéia de morte representa a incapacidade do ser humano em reconhecer uma existência limitada e a necessidade de manter o sentido de imortalidade que pode se fazer presente através da crença na vida após a morte ou pela continuidade da família através dos filhos ou pela prática da herança.

Diante da hospitalização, principalmente diante de uma intervenção cirúrgica, o medo diante da morte, gera conflitos no paciente que cria fantasias fazendo associações com a data da cirurgia como preestabelecida para morrer.

Embora muitos pacientes não admitam esse medo referente à morte é muito comum na hospitalização e na aceitação do diagnóstico de uma doença crônica ou terminal.

Segundo Kluber-Ross (1987), o paciente inconscientemente não aceita a sua morte reforçando a crença na imortalidade. Ele se defende contra o medo da mesma e contra a incapacidade de prevê-la, precavendo-se dessa realidade. O tema morte é e sempre será, angustiante para o ser humano e um fator desencadeador de ansiedade diante da sua possibilidade.

A angústia de morte é um tema muito presente por exemplo, em pacientes com infarto do miocárdio e outras doenças cardíacas.

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