Formação da Personalidade. Primeiros anos de vida na formação da personalidade
May 1, 2011 – 9:31 am
Na formação da personalidade diversos fatores contribuem para a adaptação e atendimento às necessidades de convívio da criança junto aos adultos significativos.
A personalidade sofre influencias pelas experiências dos contatos e relacionamentos iniciais da criança, assim como de fatores genéticos. Veja sobre teste de personalidade. Clique em testes de personalidade
Tanto o acolhimento dos pais, quanto a proteção e a nutrição são fatores desencadeantes da boa formação da personalidade, quanto os momentos de separação mãe-filho e os momentos de iniciativas e descobertas que permitem o desenvolvimento da autoconfiança da criança e do início de sua autonomia
Não se podem examinar as questões teóricas sobre separação mãe-criança e suas conseqüências sobre o desenvolvimento infantil sem considerar os estudos realizados por Bowlby (1958, 1968) que deram origem à teoria do apego. Uma das suas contribuições são as descrições que fez sobre as reações da criança à ausência materna e a relação destas reações com a sobrevivência das espécies.
Além destes, o estudo solicitado pela Organização Mundial da Saúde a Bowlby em 1951, intitulado Cuidados Maternos e Saúde Mental, teve forte repercussão no meio científico. Neste estudo ele ressaltou as influências negativas, para o desenvolvimento da personalidade, do cuidado materno inadequado na primeira infância e os efeitos de separações neste período (Bowlby, 1907).
Bowlby (1907) enfatizou que seria essencial para a saúde mental que o bebê e a criança pequena tivessem uma relação calorosa, íntima e contínua com a mãe (ou mãe substituta) e que fosse prazerosa e satisfatória para ambos.
Para Bowby (1907), uma personalidade estável e autoconfiante se construiria a partir da certeza de contar com o apoio e a presença das figuras de apego, e muitas patologias poderiam ser atribuídas à privação do cuidado materno ou descontinuidade na relação da criança com a figura materna durante os primeiros anos de vida. Esta relação com a mãe seria fundamental nos três primeiros anos de vida da criança, mas não devia ser exclusiva, sendo complementada pelos cuidados de outras figuras como pai, irmãos, parentes e outros.
A teoria do apego de Bowlby (1990) postula que a tendência para se estabelecerem fortes relações de apego com determinada pessoa é uma necessidade básica tão importante quanto a alimentação e o sexo. A relação que a criança estabelece com a mãe ou cuidador principal depende da responsividade e sensibilidade desta pessoa com a criança e não da satisfação das necessidades primárias da criança pelo adulto.
Além disso, Bowlby (1990) assinalou que o longo período da infância humana torna a criança vulnerável e impotente para viver sozinha, principalmente nos primeiros anos de vida. O apego tem a função de sobrevivência, já que busca promover e manter uma proximidade segura com o cuidador principal. O ser humano está geneticamente programado a responder com medo a determinadas situações potencialmente perigosas, com intuito de proteção. O comportamento de apego, envolvendo busca de proximidade pode ser ativado pelo medo, fadiga ou doença.
Conforme Bowlby (1990), pode-se identificar três padrões diferentes de apego.
- Apego seguro: As crianças classificadas nesta categoria demonstraram ser ativos nas brincadeiras, buscar contato com a mãe após uma separação breve e serem confortadas com facilidade, voltando a se envolver em suas brincadeiras;
- Apego inseguro/esquivo: nesta classificação incluiu aquelas crianças que após uma breve separação da mãe, evitou se reunir a ela na sua volta;
- Apego inseguro/resistente: essas crianças demonstraram, na situação experimental uma oscilação entre a busca de contato com sua mãe e a resistência ao contato com esta, além de terem se mostrado mais coléricos ou passivos que as crianças com os padrões de apego anteriormente descritos.
Segundo Winnicott (1993) quando o bebê está para nascer, a mãe já sabe quais as necessidades dele, de maneira ampla, desde as mais básicas, como por exemplo, saber se está com fome, se precisa mudar de posição, até o contato sem atividade. O bebê é capaz de desenvolver sentimentos, quando a mãe está em profundo envolvimento e dedicação a ele.
De acordo com Bowlby (1984) a criança dos três aos quatro anos de idade possui maior capacidade de compreender e aceitar a separação da mãe, porém permanecendo o comportamento de apego com a mesma. Ao final do primeiro ano, o bebê aproxima-se do familiar e das coisas agradáveis, afasta-se quando percebem situações potencialmente perigosas e evita o desconhecido e o desagradável. Estas reações são vistas como uma resposta adaptativa fundamental.