Entrevista Psicológica Forense – Psicologia Forense
August 23, 2008 – 8:07 pm
Entrevista forense
As técnicas utilizadas na entrevista psicológica no contexto forense não diferem das utilizadas na clínica, porém precisam de certa adaptação.
A entrevista pode ser considerada como um conjunto de técnicas de investigação, de tempo delimitado, na qual se utiliza conhecimentos psicológicos, em uma relação profissional, com o objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos (indivíduo, casal, família, rede social), em um processo que visa fazer recomendações, encaminhamentos, ou propor algum tipo de intervenção em benefício das pessoas entrevistadas.
Na área forense existem variáveis específicas que irão influenciar a entrevista, pois se relacionam às tentativas de simulação e dissimulação de fatos, situações, comportamentos e sintomas.
Com uma entrevista é possível explorar uma grande variedade de informações que vai muito além das verbalizações.
Busca-se avaliar a linguagem não-verbal, a conduta e as emoções associadas à verbalização e desta forma pode-se identificar discrepâncias.
Alguns fatores caracterizam a entrevista no contexto forense, os quais delimitam conhecimentos, habilidades, atitudes, abordagens e técnicas específicas:
• Existe um contexto coercitivo, pois não existe participação voluntária do entrevistado.
• Identificam-se fatores legais e clínicos da entrevista e isso influencia no decorrer da entrevista, pois a possibilidade de simulação ou dissimulação pode estar presente.
• O psicólogo forense em sua atuação deve buscar minimizar os aspectos coercitivos, conduzindo a entrevista num ambiente neutro, verificando se existe uma necessidade real do entrevistado estar contido ou não, permitir que se fale sobre os próprios elementos coercitivos presentes e buscar um vínculo de forma a possibilitar maior motivação para a entrevista.
• A questão do sigilo é outro fator a ser considerado devendo o profissional fundamentar no código de ética e na legislação pertinente, avaliando as características particulares de cada caso e discutindo os limites de confidencialidade.
• A linguagem no laudo psicológico deve ser preparada para o contexto forense e ao mesmo tempo, considerar que estas informações serão repassadas a um público leigo não cabendo a utilização do “psicologuês”, característico de alguns laudos clínicos e que acabam dando duplo sentido.
• Entre outros cuidados, o psicólogo deve tomar notas de todas as informações colhidas para garantir a confiabilidade dos achados, pois poderá haver necessidade de provas documentais, devendo guardar as anotações, testes e protocolos utilizados.
Questões importantes quanto à simulação e dissimulação:
• Existe distorção consciente das informações
• Podem existir ganhos secundários envolvidos (financeiros, direitos, favorecimentos).
• As distorções são conscientes e voluntárias (diferentemente das entrevistas clínicas onde na maior parte as distorções são inconscientes)
• As distorções estão relacionadas à simulação (fingir sintomas) e dissimulação (ocultar sintomas)
• Deve-se avaliar e analisar as situações, fatos e eventos com dupla perspectiva, podendo fazer uso de observações (comportamentos sugestivos) e intervenções (estimulação de reações, provocar situações, induzir a fadiga, confrontação, confundir, misturar sintomas, induzir estresse, etc.).
• Deve-se confirmar os dados com testagem psicológica
• Pode-se ampliar a exploração com entrevistas com pessoas que tiveram contato com o réu imediatamente antes, durante e logo após a transgressão.
Quanto às discordâncias e verificações:
• A lei garante o princípio da ampla defesa e, desta forma, permite que os dados possam ser contestados.
• As confrontações não devem ser tomadas como uma situação pessoal
• Os achados devem estar embasados em fundamentos científicos (em termos de validade e fidedignidade)
• Deve-se restringir a avaliação nas questões forense (coleta dados, organização, relatório) com coerência com o que está sendo questionados pelos agentes jurídicos.
• Ao usar técnicas, estas devem ser aceitas e aprovadas pela comunidade científica.
O Papel do Psicólogo como Investigador
• O papel a ser assumido no contexto forense exige um trabalho de investigação
• A atitude deve ser de imparcialidade e objetividade, abdicando-se do papel de ajuda característico na clínica.
• Deve estar atento para as questões éticas decorrentes (impedimento e suspeição)
• O profissional deve ter consciência que irá lidar com frustrações e outros sentimentos (impotência por não poder opinar ou decidir)
• O réu também vai apresentar sentimentos que precisarão ser trabalhados, (morosidade da justiça, invasão da privacidade, medo, etc.).
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