Considerações sobre autoconceito, auto-estima e auto-imagem. Auto-avaliações da personalidade
September 8, 2010 – 6:47 pm
O autoconceito constitui-se de 3 componentes:
a) Cognitivo: são as características que a pessoa vê quando olha para si mesma.
b) Afetivo: caracterizado pelos afetos, emoções e avaliações.
c) Comportamental: o autoconceito influi na forma de se comportar e perceber o mundo.
O indivíduo, por volta dos 5 ou 6 anos, começa a verbalizar seus sentimentos, isto faz com que se torne possível verificar seus julgamentos de forma mais clara. (Bee, 1977)
Para a criança pré-escolar, as relações sociais ocorrem no âmbito familiar. À medida que a criança começa a movimentar-se e freqüentar outros ambientes, inclusive a escola, suas experiências sociais ampliam-se e a criança passa a ter uma compreensão maior dos tipos de relações interpessoais (Mussen, 1970).
Diferentes estudos analisam a relação entre o autoconceito e o rendimento dos alunos na escola, porém são poucas as pesquisas realizadas com crianças pequenas devido à dificuldade de aplicar provas. Portanto, apesar de não ficar clara a relação causal entre estas duas variáveis, conclui-se que existe uma relação positiva entre elas (Sánchez & Escribano, 1999).
Albuquerque e Oliveira (1999) apresentam que auto-estima é um dos constituintes do autoconceito mais importantes, sendo entendida como o processo de avaliação que o indivíduo faz das suas qualidades ou dos seus desempenhos. De acordo com Virtue (1998), a auto-estima é um conjunto de opiniões e sentimentos que uma pessoa tem sobre si mesma. Pessoas que gostam de si e respeitam suas próprias vontades são também geralmente respeitadas pelos demais.
A auto-imagem e a auto-estima se transformam em todas as pessoas devido ao processo de crescimento e cada fase da vida acrescenta algo. Porém traumas ou uma auto-estima excessivamente baixa pode impedir que haja progresso do individuo. Para Bee (1977), as crianças com baixa auto-estima são mais ansiosas e menos eficientes em grupo. É possível notar que um indivíduo possui baixa auto-estima quando este não tem uma opinião muito favorável sobre si, não se sente digno de respeito ou de amor e utiliza-se de um dos seguintes recursos por receio de que pelo fato de pensar e sentir-se desta forma seja rejeitado pelas pessoas (Virtue, 1998).
1- Passividade: a pessoa não se impõe e aceita ser manipulada por outras pessoas.
2- Agressividade passiva: emitir comportamentos contrários à sua vontade.
3- Agressividade: ameaça as pessoas para conseguir o que deseja.
Por vezes, a criança possui uma idéia do que pode desempenhar e se comporta de forma a confirmar isto. Entretanto, se não consegue, ela se pune devido ao fracasso (Bee, 1977).
Pessoas são isoladas em nossa sociedade por diferença de raça, posição econômica, aparência, sexo, idade, etc. Esta discriminação provoca ou reforça uma visão pobre de si mesmo e observa-se que pessoas com baixa auto-estima tendem a desenvolver mais facilmente transtornos psicológicos e físicos (Sánchez & Escribano, 1999).
A auto-estima está correlacionada com a ocorrência de depressão, porém não se estabelece uma relação causal, elas apenas se elevam ou se reduzem na mesma proporção (Bee, 1997).
Segundo o método psicodinâmico criado por Eric Berne, chamado Roteiro de Vida ou Script, a criança pode adquirir uma visão não realista acerca de si mesma perante pais e figuras importantes e isto deverão ser reavaliadas (Lima, 2003).
Também se pode dizer que um autoconceito positivo contribui para que o indivíduo tenha um bom desempenho social, afetivo e intelectual (Sánchez & Escribano, 1999). Virtue (1998, p.30) afirma que “diversos estudos chegaram à conclusão de que os indivíduos donos de uma elevada auto-estima costumam obter sucesso em seu meio social, exercendo atração sobre as outras pessoas e conquistando muitos amigos”. Para manter uma auto-estima saudável é necessário cuidar bem de si mesmo.
Estudos comprovam que, uma criança com alta auto-estima, provavelmente está inserida em um ambiente familiar favorável, em que seus pais, também com um índice alto de estima, incentivam a criança a ter opiniões e tem maior aceitação e atitudes positivas em relação a seus filhos, tendo como base limites claros estabelecidos e inseridos em uma atmosfera amorosa. (Bee, 1977)
Verifica-se que a criança vivencia a discrepância entre o que ela gostaria de ser e aquilo que ela pensa ser. Se a discrepância é baixa a auto-estima, provavelmente, será alta ou pode ocorrer o processo inverso, aumento da discrepância e queda da auto-estima. Entretanto, os padrões variam, pois algumas crianças podem, por exemplo, valorizar as atividades físicas enquanto outras se dedicam a atividades acadêmicas. (Bee, 1997)
Pais e companheiros, ao dar apoio a seus filhos, não podem estar vinculando sua atitude a excelentes performances da criança em determinadas áreas como, conseguir boas notas na escola, ser um atleta em destaque, pois se isto ocorrer distanciará a criança de sua realidade. (Bee, 1997)
Albuquerque e Oliveira (1999) referem que as percepções são formadas pelas avaliações e reforços de pessoas significativas, pelas auto-atribuições que o indivíduo realiza, pelo seu comportamento e pela experiência e interpretações do ambiente onde se insere. Acrescenta que o indivíduo é objeto da sua própria observação e hierarquiza as várias auto-imagens acerca de si e, portanto as que têm maior significado são aquelas a quem dá mais importância.
Há considerável queda da auto-estima no início da adolescência, este dado parece estar associado à mudança de escola ou de graus. (Bee, 1997)
Outro constituinte do autoconceito é a auto-eficácia que se refere à autopercepção em que o indivíduo se auto-avalia como eficaz e confiante na sua capacidade para enfrentar o meio ambiente (Albuquerque & Oliveira, 1999).
Em suma, o autoconceito é compreendido como o conjunto de percepções que o indivíduo tem de si próprio e se torna cada vez mais específico e diferenciado à medida que a idade avança (Albuquerque & Oliveira, 1999).
Apenas recentemente começou-se a estudar a relação do autoconceito com a doença e, mais raramente, com a saúde. Estudos comprovam que os doentes com perturbações emocionais tendem a ter um autoconceito pobre. A probabilidade para desenvolver sintomas devido ao stress é menor quanto melhor é o autoconceito do indivíduo. Em um estudo realizado em 94 mães de crianças deficientes, com idades entre os 24 e 63 anos, foi verificado que a auto-estima era a variável principal na predição do stress (Albuquerque & Oliveira, 1999).
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