Como preparar um processo de psicodiagnóstico. Consequencias negativas do prolongamento do processo diagnóstico
February 16, 2010 – 12:21 pm
Se o processo psicodiagnóstico é prolongado demais, pode haver prejuízos no vínculo psicólogo-paciente.
O prolongamento do processo psicodiagnóstico tem como causa a sensação de impotência frente ao paciente que predomina no psicólogo. O paciente fica sobrecarregado em seu trabalho e nos testes psicológicos (sejam horas de jogos, desenho ou produção verbal) e a investigação intensiva do psicólogo favorece a fantasia de que o que acontece com ele é algo muito sério, extraordinário e difícil de captar (mesmo que o paciente não tenha idéia de quanto comumente dura um processo psicodiagnóstico, pode alimentar essas fantasias devido a inquietação, incertez, curiosidade etc. que o psicólogo lhe transmite involuntariamente).
Em casos de prolongamento, quando o processo diagnóstico inclui a devolução de informações, o paciente fica frustrado: a devolução funciona como uma expectativa que não se cumpre, em especial se a quantidade de entrevistas excede demais o estipulado no contrato.
Se não se trabalha com a técnica de devolução de informações, a relação psicólgo-paciente fica inconclusa e há incremento de ansiedade persecutória porque não foi dado ao paciente oportunidade de correção de suas fantasias.
Em ambos casos, o prolongamento excessivo do processo psicodiagnóstico pode ser prejudicial à psicoterapia futura pelo modelo de vínculo paciente-psicólogo que é internalizado (aumento da idealização ou preseguição - pode favorecer fantasias do paciente de ser retido ou a fantasia de ser tão interessante, agradável, sedutor que ninguém pode desprender-se dele). Além disso, o prolongamento do processo, e por conseqüência, do vínculo, dificulta a passagem transferencial que o paciente deve realizar no início da terapia.
Quando psicólogo sente que não consegue compreender corretamente o paciente e recorre a aplicação de outros testes, o mais adequado é que a extensão da bateria e o número de entrevistas finais e iniciais se mantenha constante.
Quando aumenta-se a quantidade de entrevistas com os pais, rompe-se equilíbrio necessário da relação com eles e com o filho. No geral, trata-se de uma maneira dos pais para reclamar maior atenção para si as custas do filho. Um vínculo excessivamente prolongado com os pais pode converter-se em uma psicoterapia breve de casal, oq eu não é aconselhável. Deve-se apontar para os pais a necessidade de um profissional que os escute e oriente independente do que se faça com o filho.
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