Como a morte é vivenciada no hospital: O Hospital diante da morte

Para KOVÁCS (1991) a morte está presente na vida do ser humano em todas as idades, e para cada estágio de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo, ela se apresenta com diferentes características, sendo que a única certeza que o homem tem na vida é de que a morte é inevitável.

Antes do advento da tecnologia, o medo da morte era mais familiar ao homem, havia um compartilhar muito maior tanto no leito de morte, como nos rituais que envolviam a comunidade, sendo permitida a expressão de dor e tristeza. Com o avanço da Medicina e também o desenvolvimento industrial em uma sociedade que valoriza a produção do homem, este se vê solitário no momento de sua morte, em um quarto de UTI. Afastam-se as crianças para que não tenham contato com o moribundo ou com a morte, pois isso pode afetar seu desenvolvimento de forma negativa e acredita-se que as expressões de dor e tristeza devam ser banidas, o que impede a elaboração de luto (id).

Sob o ponto de vista de CAMPOS (1995) morrer é a possibilidade mais extrema e íntima do existir do homem, sendo percebida por ele desde cedo, como sendo a mais certa de todas as suas possibilidades.

De acordo com a autora citada, o homem é provavelmente, o único ser vivo que sabe, com certeza, que vai morrer. Por esse motivo, é difícil ele parar para questionar sobre a morte, pois esta causa uma sensação de desconforto, mal estar, medo do desconhecido; sendo esta situação geradora de muita angústia.

Essa angústia é maior no paciente que se encontra hospitalizado, pois este entrega seu corpo nas mãos dos enfermeiros e médicos, que para ele são estranhos, esperando que eles ajudem-no a sair dessa situação ameaçadora (id.).

No ambiente hospitalar, a preocupação com a morte envolve tanto o paciente e sua família, quanto os profissionais que o assistem. O cuidar de pacientes, especialmente de pacientes em estado terminal, tem sido um desafio para os profissionais da área da saúde (FIGUEIREDO e TURATO, 1995).

O contato íntimo do profissional da saúde com a morte, pode representar uma ruptura com toda a convicção de onipotência e poder, fazendo com que o confronto com a impotência e a consciência da morte resultem em ansiedade e depressão (id).

Para ROMANO (1994), quase ninguém mais morre em casa, o hospital tornou-se o lugar oficial da morte, em especial a CTI (centro de tratamento intensivo) ou UTI (unidade de terapia intensiva). E esse espaço fechado, quase sagrado, faz com que a morte se torne indefinida, selvagem, prolongada e escamoteada, o que provoca reações diversas na equipe de saúde.

SILVA (1995) compartilha dessa idéia afirmando que houve um deslocamento do antigo lugar da morte, que antes era em casa acompanhada dos familiares, para os hospitais, onde serão assistido pelos profissionais de saúde.

MENDES e cols. (1988) afirmam que a doença provoca no paciente hospitalizado um estado de dependência em relação à enfermeira, o que pode ocasionar mudanças na concepção do papel da mesma: do cuidado tradicional de cabeceira que inclui assistência física e psicológica, para um papel mais abrangente de relacionamento mútuo.

Para RIBEIRO, BARALDI e SILVA (1998) a morte é vista como um fato despersonalizado e desagradável, a morte e não o morrer é tida como uma fase do processo de vida, assim como o nascer, o crescer, entre outros. Isso faz com que se torne um tabu discuti-la, sendo que morte, desde a Idade Média até os nossos dias é ocultada, banida e proibida das preocupações do homem.

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