Avaliação Psicológica no Contexto Forense – Simulação e Dissimulação
August 31, 2008 – 8:38 pm
A avaliação no contexto forense relacionada às tentativas de simulação e dissimulação devem ser consideradas com dupla perspectiva:
• Observação (comportamentos sugestivos)
• Intervenção (estimulação de reações, provocar situações, induzir a fadiga, confrontação, confundir, misturar sintomas, induzir estresse, etc.)
• Os dados podem ainda serem confirmados com testagem psicológica, quando for o caso.
• Pode ainda ser feito entrevistas com pessoas que tiveram contato com o réu imediatamente antes, durante e logo após a transgressão
Principais erros que os peritos cometem em relação às distorções presentes no contexto forense
• Acreditar que a simulação não ocorre com freqüência
• Associar simulação com doença mental (quem simula é mais doente do que o próprio doente)
• Acreditar que o avaliador não consegue ser enganado
• Valorizar excessivamente os traços de caráter em detrimento de uma avaliação contextual (DSM-IV)
• Acreditar que determinadas condições clínicas, como amnésia e alucinações, podem ser facilmente simuladas e dificilmente provadas quanto à veracidade
• Acreditar que a habilidade de detectar simulação é uma arte e não pode ser ensinada
• Minimizar a ocorrência da simulação e deslocar o foco da análise para a doença mental
Como avaliar?
Uso de técnicas integradas e valorização das múltiplas fontes de informação
Precauções iniciais:
• O avaliador deve verificar se existem fatores ou eventos que podem provocar a presença de distorções da realidade sem que haja a intenção do sujeito (distorções não deliberadas)
• Fatores a serem focados para esta identificação para descartar anulação da avaliação
• Características pessoais: estresse, incapacidades físicas, limitações de inteligência, falta de atenção, re-evocação de traumas, funcionamento psicótico
• Características do evento: tempo de duração (muito rápido), intensidade (muito fraca), barreira físicas quanto à observação, fatores de distração, etc.
• Erros de avaliação: medidas pouco seguras ou inválidas, treinamento inadequado, contexto emocional, falta da avaliação de outros eventos ocorridos em passado remoto.
• Desta forma identifica-se de houve erros de percepção e de compreensão da realidade tanto do avaliado quanto do avaliador
Avaliação da simulação
Na entrevista clínica
• Apresentação dramatizada e exagerada (teatral)
• Conduta cautelosa e premeditada (fala lenta, repetições, hesitação)
• Inconsistência em relação ao diagnóstico psiquiátrico (relato de sintomas raros e não usuais, relato de melhoras repentinas)
• Inconsistência do próprio relato (sintomas contraditórios e disparidades entre os sintomas e a observação de conduta)
• Confirmação de sintomas óbvios (principalmente os mais positivos e espalhafatosos, em detrimentos dos negativos e mais tênues)
Condução da entrevista
Avaliador:
• Questionar sintomas exóticos
• Confundir sintomas de outras patologias
• Usar uma entrevista estruturada para nova avaliação ao longo do tempo
• Entrevistar outros membros da família, amigos, colegas de trabalho
• Colher dados históricos da vida do sujeito para confrontar com o periciado
• Reformulação do que já foi dito. Exemplos:
• Sintetização da conduta: (você está dizendo que não consegue se lembrar de nada naquele dia?)
• Estimulação de informações: (me fale mais sobre os motivos…)
• Chance de mudar o relato: (pense sobre o que me falou sobre ouvir vozes, você obedece a todo tempo?)
• Chance de eliminar discrepâncias (estou impressionado de você falar que aconteceu desse jeito…)
• Possibilitando que o sujeito admita as distorções: se sua esposa falasse sobre essa verdade o que acha que ela diria, por quê?
• Buscar outros meios de se aprofundar no conhecimento do sujeito:
• Relatórios médicos, relatórios de rendimento escolar, ficha de trabalho, serviço militar, etc.
• Perceber indicadores de comunicação verbal durante o relato de uma mentira
• Maior número de hesitações e erros (mentiras que exigem esforço mental – elaboração cognitiva, ou sujeitos que apresentam menor condições cognitivas)
• Uso do “eu acho…eu acredito” mais presentes em quem conta verdades
• Não utilizar critérios isolados
Uso de testes psicológicos
• Conjunto de instrumentos e procedimentos podem ser úteis na avaliação
• Usar somente se houver preparo técnico
• É mais difícil uma pessoa simular uma característica quando se defronta com meios que não conhece, possibilitando identificar distorções e incongruências nas respostas.
• Reaplicação após um tempo (aparece a simulação ou a dissimulação – tentativa de repetir o erro)
Veja mais sobre entrevista clínica forense
2 Trackback(s)