Autismo e dificuldade de aprendizagem: Como entender o termo dificuldade de aprendizagem em crianças

Dificuldade de aprendizagem em crianças: Diagnóstico de comprometimento em crianças com autismo

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Muitas vezes o diagnóstico de uma criança com dificuldade de aprendizagem é facilmente informado sem maiores investigações que seriam necessárias para não estigmatizar uma criança como autista, retardado mental ou deficiente mental.

O autismo infantil é uma desordem do desenvolvimento que pode ser diagnostica de forma precoce e que, desta forma, pode ser trabalhado com recursos específicos que ajudarão a criança a desenvolver estratégias para convívio social e aprendizagem satisfatória em muitas áreas de sua vida.

O autismo também pode ter graduações de comprometimento diferenciado e que portanto deve ser investigado por meio de entrevistas, testes psicomotores, testes psicológicos e avaliações neuro-psicológicos que indicarão aspectos importantes para serrem desenvolvidos com a criança, a fim de melhorar seu desempenho e facilitar sua aprendizagem social e cognitiva.

Ao tratar-se do problema da não aprendizagem ou da aprendizagem deficitária em crianças, não encontra-se um consenso em atribuir o nome de “dificuldades de aprendizagem” ao tema, surgindo uma variedade de termos para se referir ao assunto. As denominações mais comuns encontradas na literatura além de “dificuldade de aprendizagem” (Santos e Marturano, 1999; Medeiros e cols, 2000), são: “distúrbios de aprendizagem” (Morais, 1997; Paulo, 1998; Beyer, 2001), “problemas de aprendizagem” (José e Coelho, 1989; Loureiro, Linhares e Machado, 1999), e “fracasso escolar” (Ferrari, 2000; Stoeckel, Jaeger e Tavares, 2001).

Denominam-se distúrbios as perturbações ou alterações no comportamento habitual de uma pessoa (Drouet, 1997).

Segundo a 4º edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV), da Associação Psiquiátrica Americana (APA, 2000), os transtornos de aprendizagem são diagnosticados quando o sujeito atinge índices abaixo dos esperados para sua idade, escolaridade e nível de inteligência, em testes padronizados e aplicados individualmente, de leitura, matemática ou expressão escrita. Os transtornos da aprendizagem interferem significativamente no rendimento escolar e podem estar ainda associados à desmoralização, baixa auto-estima e déficits nas habilidades sociais. O transtorno da aprendizagem está dividido em: Transtorno da Matemática, caracterizado uma redução na capacidade de realizar operações aritméticas; Transtorno da Leitura, caracterizado por uma redução no rendimento da leitura, nos aspectos correção, velocidade e compreensão; Transtorno da Expressão Escrita; marcado por uma redução na capacidade de escrever e Transtorno da Aprendizagem Sem outra Especificação; que envolve transtornos de aprendizagem cujos critérios não satisfazem as condições anteriores, podendo envolver a leitura, matemática e escrita.

Gutierrez (1994) adota o termo “dificuldade escolar” para englobar os diferentes problemas que interferem na aprendizagem e cita que esses problemas eram freqüentemente atribuídos a uma disfunção cerebral mínima (DCM), mas a utilização dessa hipótese desvia a atenção de outros aspectos, como questões familiares e escolares, ao buscar uma justificativa apenas médica. Segundo o autor, o fracasso escolar pode ser então de ordem escolar, originada por um déficit instrumental ou familiar, envolvendo questões como um comprometimento da personalidade.

Marturano (1999) justifica a sua escolha pelo termo “dificuldade de aprendizagem”, por entender que distúrbio de aprendizagem se refere a uma problemática presente apenas no indivíduo, ignorando as interações entre esse e o meio social, escola e família.

Discorda-se neste trabalho que os distúrbios de aprendizagem se refiram apenas a problemas internos do indivíduo, tendo em vista o que outros autores expõem a seguir, mas se adotará o termo proposto pela autora acima citada, por entendê-lo como mais adequado e difundido na literatura. Contudo será respeitada a denominação adotada pelos autores aqui citados por compreender-se que todos se referem ao mesmo problema.

Para Beyer (2001) assim como a aprendizagem e seus processos são influenciados pela cultura, os distúrbios de aprendizagem também o são, distinguindo-se pela sua subjetividade. Inicialmente os distúrbios de aprendizagem se explicavam por uma incapacidade da pessoa, sendo de natureza endógena, ignorando-se fatores externos, ambientais e sociais e culturais do indivíduo.

Dessa forma, segundo o autor acima citado, o distúrbio de aprendizagem era visto como permanente e dificilmente se alteraria, tendo apenas o modelo médico como tratamento. Contudo, não se observavam dificuldades cognitivas no âmbito do desenvolvimento não dirigido, como a família, surgindo apenas no ambiente de desenvolvimento dirigido, a escola. O que não é visto como dificuldade em ambiente espontâneo é visto como dificuldade na escola. Por esse motivo, suspeita-se que a causa do distúrbio de aprendizagem esteja ligado à escola. Só há distúrbios de aprendizagem na escola. Assim o conceito de distúrbio inato, endógeno e permanente foi substituído pelo conceito de dificuldade temporária no aprender, cuja causa não esta no déficit individual, mas no manejo pedagógico empregado na escola.

Para Morais (1997) todas as crianças têm possibilidade de aprender e gostam de fazê-lo, e quando isso não acontece, algo está errado e todos os profissionais envolvidos no processo de aprendizagem devem se questionar sobre quais fatores estão envolvidos. As causas mais freqüentes dos distúrbios de aprendizagem são:

- Falta de estimulação adequada;

- Métodos de ensino inadequados;

- Problemas emocionais;

- Falta de maturidade;

- Dislexia.

Além desses fatores, podem-se citar também os aspectos carenciais, diferenças culturais e sociais, fatores escolares (currículo, método, relação professor-aluno, etc), sistema de avaliação, problemas familiares, deficiência mental e problemas físicos e motores.

Pain (1986 apud Drouet, 1997) denomina “problema de aprendizagem” todos os distúrbios psicopedagógicos que interferem na aprendizagem e aponta as seguintes causas e origens:

- Fatores orgânicos e constitucionais da criança;

- Fatores específicos, principalmente os perceptivos-motores (visão, audição e coordenação motora);

- Fatores psicogênicos (emocionais e intelectuais);

- Fatores ambientais (lar, escola ou comunidade).

De acordo com Drouet (1997) as principais causas dos Distúrbios de aprendizagem e ajustamento escolar são as seguintes:

- Causas físicas: são perturbações somáticas temporárias ou permanentes, provenientes do estado físico geral da criança, como febre, dores de cabeça, ouvido ou intestinais, anemia, asma, verminoses ou outros males que atingem o estado físico normal da pessoa;

- Causas sensoriais: constituídas por todos os distúrbios que atingem os órgãos dos sentidos, responsáveis pela visão, audição olfato, tato, equilíbrio ou seus respectivos sistemas de condução entre esses órgãos e o sistema nervoso que impeçam a pessoa de captar o que se passa no mundo externo;

- Causas neurológicas: São perturbações do sistema nervoso, que podem ocorrer no cérebro, cerebelo, medula ou nervos. O sistema nervoso comanda todas as ações físicas e mentais do individuo e qualquer distúrbio neste sistema constituirá um problema de maior ou menor grau, de acordo com a área lesada;

- Causas emocionais: são distúrbios psicológicos ligados à emoção, sentimentos ou a personalidade do indivíduo;

- Causas intelectuais: são aquelas ligadas à inteligência do individuo, a sua capacidade de conhecer e compreender o mundo em que vive e de raciocinar sobre tudo que o cerca.

 

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