ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO EM PLANTÃO PSICOLÓGICO

ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO EM PLANTÃO PSICOLÓGICO

Autores: Simone Aparecida Felício Menezes RA: 743804-4

Supervisor: Oliver Zancul Prado CRP: 06/55700-1

UNIP- UNIVERSIDADE PAULISTA – Instituto de Ciências Humanas

Curso Psicologia – Araraquara Dezembro 2009

O plantão psicológico pode ser realizado em instituições, escolas, hospitais, clínicas, clínicas-escola e é destinado às pessoas que buscam um atendimento de apoio emergencial, em situações de crise ou traumas, situação que tire o equilíbrio momentâneo e necessitam de uma ação interventiva imediata. Para tanto é necessário que se estabeleça um local adequado com horário fixado para que a população possa ter acesso ao serviço.

Vimos também, o plantão psicológico ir até um local específico, que mereça uma atenção adequada ás pessoas, como o caso de grupos de Psicólogos que atuam para emergências em aviação, mas especificamente quando há um desastre. (Franco, 2005)

Os termos urgência e emergência deixam claro o que devemos encontrar nos Plantões de modo geral, o primeiro provem do latim urger que significa urgir, estar iminente, perseguir de perto, não permitir demora. Emergência, também do latim emergere refere-se, sair de onde estava mergulhado, mostrar-se, situação critica, acontecimento perigoso ou fortuito (STERIAN, 2007).

O Plantão Psicológico tem como característica três pontos de vista, o da instituição, o do profissional e o do cliente. ( Mahfoud, 1987). Da instituição exigirá estrutura do serviço, planejamento e recursos disponíveis. Do profissional, será a disponibilidade ao não planejado e ao pronto acolhimento da demanda do cliente e do último uma segurança e confiança ao serviço. (PAPARELLI E NOGUEIRA-MARTINS, 2007).

Em clínicas-escola esse serviço consegue abranger a integração de dois pontos importantes: a função da formação dos estudantes e o atendimento a demanda da população. Para os alunos, isso representa trabalhar o inusitado, o emergencial, os coloca diretamente a prova, ou seja, entrar em contato com o que foi aprendido e avaliar sua formação, além de proporcionar um contato com uma prática diversificada em relação ás queixas trazida pelos clientes e a possibilidade de intervenção nos momentos de crises. Para a população representa poder contar com serviço de atendimento psicológico emergencial para atender suas necessidades. (PAPARELLI E NOGUEIRA-MARTINS, 2007).

O atendimento de Plantão Psicológico que é realizado no CPA – Centro de Psicologia Aplicada – UNIP, pelos estagiários do nono e décimo semestre do curso de Psicologia, tem como objetivo para com a clientela, acolher a demanda do indivíduo que sofre, oferecendo de acordo com a necessidade, as orientações e encaminhamentos cabíveis, baseados na integralidade com foco na intervenção do individuo e suas condições de vida no momento em que se apresenta.

No que tange aos objetivos pedagógicos, o estágio visa desenvolver postura profissional, raciocínio clínico, proximidade do aluno a sua realidade social.

Desta forma a instituição responsável pela clínica-escola, ao oferecer tal serviço, com responsabilidade contribuirá a essa demanda social.

OBJETIVOS GERAIS

O objetivo central deste trabalho é observar as características da demanda social e identificar as principais necessidades da população que procura o atendimento no CPA- Centro de Psicologia Aplicada – UNIP.

Analisar as queixas apresentadas pelos clientes que foram atendidas pelos estagiários do décimo semestre de Psicologia no Plantão Psicológico e proporcionar o acolhimento adequado da demanda, com as devidas orientações aos clientes atendidos.

Proporcionar ao estudante em formação conhecimento das diversas áreas de atuação no qual o Psicólogo pode atuar, observando a demanda dentro se uma sociedade.

PROCEDIMENTOS

Os atendimentos foram realizados às quartas-feiras no horário das 7:30 às 10:30 horas. O serviço foi divulgado através de cartazes afixados em locais estratégicos como postos de saúde pública, centro de atendimentos comunitários, farmácias, hospitais, pronto socorro municipal, posto de atendimento de saúde da família.

Os clientes que procuravam o serviço eram atendidos por ordem de chegada, sem a necessidade de agendamento prévio. Foi seguido um protocolo pelos estagiários para padronizar a coleta de dados e garantir a fidedignidade dos resultados.

As sessões tiveram duração de cinqüenta minutos e eram realizadas em duplas nas funções de terapeuta e co-terapeuta revisando-se entre si, preenchíamos uma planilha de cada cliente onde eram coletados os dados sócio-demográficos, condições de saúde e dados clínicos. Esses dados foram inseridos em um sistema de computador criado para padronizar todos os serviços oferecidos pela clínica de psicologia e cadastrar todos os clientes que os utilizam. Assim os clientes atendidos foram cadastrados e os dados coletados, registrados no mesmo, com agendamento de salas, horários de retornos e faltas informados no programa dando início ao processo de padronização eletrônica.

Contamos com a presença do supervisor durante o plantão, e em seguida era realizada a supervisão de cada caso atendido pelo mesmo.

Os atendimentos da demanda infantil priorizaram o atendimento aos pais, as queixas trazidas eram acolhidas através da conversa com os responsáveis, as crianças também eram ouvidas para integrar as informações. Coletavam-se os dados da criança e as orientações eram passadas aos pais ou responsáveis e os encaminhamentos eram feitos de acordo com as necessidades dessa demanda.

Na primeira sessão preenchíamos um protocolo de atendimento para coletar os dados. As informações de cada cliente foram passadas a um estagiário que os uniu em uma única planilha. Foram geradas tabelas e encaminhadas ao grupo e estão apresentados neste trabalho nos itens “resultados”.

A entrevista inicial tem como objetivo principal reunir informações sobre os relatos dos clientes, que sejam pertinentes á intervenção terapêutica, o que eles trazem como queixa e qual sua percepção diante dos fatos ocorridos. É um instrumento de relato verbal, portanto pode trazer a percepção do comportamento e não como ele realmente ocorreu. (Silvares e Gongora).

Após a escuta da queixa do cliente adequávamos as intervenções necessárias e avaliávamos a necessidade do retorno ou um encaminhamento para outros serviços. Quando a queixa trazida era emergencial, o cliente era atendido em até quatro sessões no total, se a queixa trazida abordava questões crônicas fazíamos encaminhamentos para outros serviços de atendimentos da clínica-escola ou mesmo externos, sempre buscando atender com o olhar voltado ao principio da equidade que possam auxiliar com ações prestativas e reais de encaminhamentos.

RESULTADOS

Os dados obtidos são apresentados de acordo com os objetivos desse estudo e analisados por meio de uma estatística descritiva, através de freqüência e porcentagem.

Tabela 1. Dados Sócio-Demográficos

Sexo

Renda Familiar

N

%

N

%

Feminino

38

59

Menos de 1 salário

2

8

Masculino

26

41

Entre 1 e 2 salários

4

17

Entre 2 e 3 salários

5

21

Total

64

100

Entre 3 e 4 salários

7

29

Entre 4 e 5 salários

3

13

Entre 5 e 10 salários

2

8

Entre 10 e 20 salários

1

4

Total

24

100

Idade

N

%

0-4 anos

2

4

Família

5-9 anos

8

18

N

%

10-15 anos

0

0

1-2 pessoas

7

18

15-19 anos

2

4

3-4 pessoas

25

66

20-29 anos

9

20

5-6 pessoas

5

13

30-39 anos

14

31

7 pessoas ou mais

1

3

40-49 anos

3

7

50-59 anos

4

9

Total

38

100

60-69 anos

3

7

70-79 anos

0

0

80 ou mais

0

0

Estado Civil

Religião

N

%

Solteiro(a)

7

18

N

%

Casado(a)

21

55

Católica

23

59

Separado(a)/Divorciado(a)

4

11

Evangélica

12

31

Viúvo(a)

6

16

Espírita

3

8

Amaziado(a)

0

0

Outras

1

3

Total

38

100

Total

39

100

Escolaridade

N

%

Analfabeto

0

0

Fundamental Incompleto

23

43

Fundamental Completo

4

7

Médio Incompleto

4

7

Médio Completo

16

30

Superior Incompleto

3

6

Superior Completo

4

7

Com relação às características sócio-demográficas, a tabela 1 apresenta a distribuição dos dados dos clientes adultos e crianças, segundo as variáveis: sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda familiar, número de pessoas na família e religião.

Os dados apresentados ilustram que 74% dos clientes atendidos são adultos, considerando as idades de 20 a 69 anos, 4% estão em idade de adolescência entre indivíduos do sexo masculino e feminino. As crianças atendidas foram de 22 % entre meninos e meninas.

No que se refere à idade adulta, a faixa etária que mais procurou o serviço de plantão foi a clientela entre 30 e 39 anos, num total de 31%. Em seguida vem à clientela com faixa etária entre 20 a 29 anos, representando 20 %. Os adultos entre 40 e 49 anos, representaram 7 %.. Na idade infantil, 18% das crianças tinha entre 5 a 9 anos e 4% de 0 a 4 anos.

Com relação ao estado civil, observou-se que 55% são casados, 18% solteiro e 11 % separados/divorciados e 16% dos clientes eram viúvos.

No que se refere à escolaridade, a representação dos adultos e crianças representam 43%, com ensino fundamental incompleto, 30% médio completo sendo que todas as crianças em idade escolar freqüentam o ensino fundamental.

Dos clientes atendidos, 17% tem a renda entre 1 e 2 salários mínimos, 21 % declararam possuir renda familiar entre 2 a 3 salários mínimos e da população total, 29 % possuem renda entre 3 a 4 salários mínimos, 13 % tem a renda entre 4 a 5 salários, 8 % disseram que sua renda fica entre 5 a 10 salários mínimos, e 8% possuem renda inferior a 1 salário mínimo ao mês.

Dentre a clientela atendida, 66 % tem sua família constituída por 3 a 4 pessoas, 18% com 1 a 2 pessoas na família. Quanto à religião, 59 % são católicos e 31%, evangélicos.

Os dados apresentados na tabela 2 ilustram as condições de saúde dos clientes adultos e crianças.

Tabela 2 – Dados sobre condições de saúde

N

%

Em tratamento médico

19

32

Sob alguma medicação

18

30

Já foi internado

11

18

Faz uso de álcool

11

18

Faz uso de drogas

1

2

Na tabela 2 é possível observar que 32% dos adultos e crianças fazem algum tipo de tratamento médico, 30% tomam algum tipo de medicação, 18% dos individuos já foram internados durante a vida, 18 % dos adultos fazem uso de bebida alcoólica e 2% faz uso de drogas.

Tabela 3 – Dados Clínicos

Categorias de demanda

Avaliação do problema

N

%

N

%

Dependência

4

7

Crônico

15

34

Escolar

13

22

Agudo

29

66

Família

13

22

Ocupacional

3

5

Total

44

100

Perdas e lutos

5

8

Psicopatologia

6

10

Tipo de queixa

Relacionamento

21

35

N

%

Sexualidade

1

2

Próprio

29

67

Transtornos

9

15

Terceiros

10

33

Violência

2

3

Saúde

4

7

Total

43

Total

60

Tempo de espera

Avaliação do risco

N

%

N

%

Menos de 1 semana

37

84

Alto

2

12

1-2 semanas

5

11

Médio

9

5

2-4 semanas

0

0

Baixo

33

84

1-2 meses

1

2

Mais de 2 meses

1

2

Total

44

100

Total

44

100

Humor

Diretiva

N

%

N

%

Instável

17

39

Sim

38

88

Estável

27

61

Não

5

12

Total

44

100

Total

43

88

Suporte Social

Encaminhamento

N

%

N

%

Adequado

38

86

Nenhum

15

37

Fraco

5

11

Interno

14

44

Ausente

1

2

Externo

14

19

Total

44

100

Total

43

Número de Sessões

Faltas em retornos

N

%

N

%

1

20

45

1

4

67

2

17

39

2

2

33

3

5

11

3

0

0

4

2

5

Total

44

100

Total

100

A tabela dos “Dados Clínicos” abrange os dados dos atendimentos de adultos e crianças. As queixas infantis foram dispostas de acordo com o relato dos responsáveis que os acompanharam ao atendimento e as orientações foram passadas a eles.

Pode-se constatar a partir dos dados apresentados na tabela 3, que as queixas que se constituem nos principais motivos de procura do atendimento psicológico no plantão estão relacionadas a problemas de relacionamentos, com 35% do total e 22 % do total de casos também se referiram conflitos familiares e 22% com queixas escolares.

Ao que se refere à avaliação do problema verificado pelos estagiários, 66 % dos casos apresentaram problemas considerados agudo e 34% , crônico.

Os dados da tabela 3 também mostram que 67 % chegaram ao atendimento por própria demanda e 33 % vieram encaminhados por terceiros. Desses clientes, 84 % esperaram menos de uma semana para serem atendidos, um tempo bastante curto de espera. De acordo com os dados informados pelos clientes, 86 % do total foram considerados com suporte social adequado.

Com relação ao número de sessões a tabela nos mostra que 45 % foram atendidos em sessão única, 39% foram atendidos em duas sessões, e, o restante dos clientes foi atendido em três ou quatro sessões.

No que se refere aos encaminhamentos, 37 % dos clientes receberam alta, 44 % dos clientes foram encaminhados para a terapia dentro da própria instituição e 19% para encaminhamentos externos.

A tabela também mostra que 67% dos retornos agendados ocorreram falta a do cliente. As atuações do terapeuta foram em sua maioria de forma diretiva, representando 88% deles.

DISCUSSÃO

Esta pesquisa buscou caracterizar a clientela atendida no estágio de Plantão Psicológico no CPA – UNIP durante o segundo semestre do ano de 2009, tendo assim a oportunidade de conhecê-la melhor e possivelmente adequar-se ao um atendimento cada vez mais eficaz à população e fortalecer a formação dos alunos que tem a oportunidade de entrar em contato com o público que poderá encontrar na carreira profissional e pensar nas atuações do profissional psicólogo.

A prática do Plantão Psicológico hoje está mais difundida, pois mostra-se eficaz no sentido de solucionar ou amenizar a demanda de clientes que esperam atendimento público e também colabora para que essas pessoas, tendo acesso a tal possibilidade de atendimento, conheçam melhor o que é a psicologia, como ela trabalha e os benefícios que pode trazer, e a melhora substancial de questões relacionadas com o psicológico humano.

É importante também destacar a prática do plantão no seu papel social, pois apresenta um enorme potencial preventivo. Os clientes atendidos neste serviço puderam conhecer e usufruir de um atendimento psicológico e até mesmo desmistificar alguns preconceitos criados pelas crenças populares e receber serviço de pronto atendimento para suas questões psíquicas.

Isso pôde ser verificado neste estágio semestral de Plantão Psicológico, onde vimos que 67% das pessoas que foram atendidas, procuraram o serviço espontaneamente, o que pode indicar a necessidade desse público de serem ouvidos e o tempo de espera foi muito pequeno, o que pode fortalecer a relação de acolhimento. As demandas consideradas pelos estagiários como casos agudos representaram 66% dos atendimentos, o que caracteriza um serviço de atendimento em Plantão Psicológico, para acolher questões emergentes.

Para não tornar-me repetitiva, já que realizei o estágio de Plantão Psicológico também no primeiro semestre deste ano, decidi relatar na discussão deste trabalho de encerramento de estágio, um caso atendido por mim e uma estagiária como co-terapeuta, que despertou a busca por saberem que pouco são abordado durante o curso de graduação, e sim dá-se pela especialização específica da área do esporte, que é a Psicologia do Esporte.

A mãe de um paciente de quatorze anos procurou o serviço de Plantão Psicológico em nossa clinica-escola, juntamente com o garoto, relatando que o mesmo participava de competições esportivas há determinado tempo e nas últimas competições apresentou sintomas físicos, como dores de barriga, falta de ar, tremores e nervosismo antes de iniciar as competições. Ela estaria preocupada, pois o garoto estava sendo avaliado como atleta por treinadores que poderiam levá-lo para equipes maiores e isso lhe proporcionaria seguir em frente com a carreira de atleta.

Orientamos a mãe que atenderíamos o garoto buscando saber qual seria o problema enfrentado por ele e manteríamo-na informada daquilo que era pertinente saber.

Atendemos o garoto para averiguar qual era a demanda e auxiliá-lo até a competição que era muito importante para o mesmo. Verificamos que talvez esse garoto estivesse realmente disposto a seguir carreira, e isso era importante para ele, porém estava num esporte de auto-rendimento e não tinha se dado conta disso antes.

Trabalhamos a questão do histórico da trajetória dele dentro do esporte e ajudamos a identificar e descrever as possíveis contingências que estão em operação nas situações vividas durante as competições que já havia passado e as que ainda viriam durante a carreira.

Buscamos que através da auto-observação e auto-conhecimento pudesse perceber essas contingências às quais responde e influir nelas. Trabalhamos também as questões de controle da ansiedade que o acometia antes das provas e como isso se apresentava como sintomas físicos. A técnica de respiração diafragmática e visualização foram passadas a ele para contribuir nesse processo.

Depois de realizados os quatro atendimentos, indicamos ao cliente e informamos à mãe que seria adequado que ele pudesse obter auxílio psicológico de um profissional especializado para prepará-lo psicologicamente com os aspectos do esporte de auto-rendimento que o garoto estava inserido.

Neste momento procuramos algum profissional da psicologia que pudéssemos encaminhá-lo e não conseguimos encontrar aqui nesta cidade alguém que trabalhasse com atletas em consultórios particulares, nem mesmo a equipe que o garoto treinava tinha esse apoio psicológico. Indicamos ao cliente, profissionais que atuavam na abordagem psicológica que foi trabalhado com o cliente no Plantão Psicológico.

Esse caso me impulsionou há pesquisar um pouco sobre a atuação do Psicólogo na área do esporte e verifiquei que a Psicologia do Esporte figurou-se entre as nove primeiras especialidades para as quais o Conselho Federal de Psicologia regulamentou o título de especialista, e vem conquistando espaço e força em projetos sociais, fitness, reabilitação, programas de qualidade de vida, medicina preventiva além de atuar no preparo e treinamento psicológico á atletas.

A psicologia comportamental atuando na área do esporte parte da utilização dos conhecimentos dos princípios básicos aplicados ao esporte, o psicólogo que trabalha neste contexto esportivo utiliza a análise funcional do comportamento para obter uma intervenção adequada que propicie um melhor controle do comportamento do indivíduo e sua evolução, utilizando sempre o delineamento do sujeito como seu próprio controle, tendo como objetivo a compreensão, predição e controle do comportamento.

Sendo assim, o controle das variáveis que explicam o comportamento esportivo individual ou coletivo deve ser efetuada através da análise do contexto ambiental do qual está inserido. (Pereira apud Rubio, 2003)

O controle de tal comportamento se dá pela manipulação de variáveis independentes, que podem ser controladas. (Skinner, 1953 apud Pereira, 2003)

O conhecimento da psicologia comportamental aplicada a esse contexto estende-se a qualquer comportamento que possa ser classificado como esportivo e sob todas as formas de esporte, o competitivo, lazer, escolar, reabilitação e promoção da saúde.

Pereira cita Martin (1992) e diz que a utilização da psicologia no esporte não é novidade e que a análise funcional com base no modelo de contingências, a metodologia sistemática de dados, programas de modificação e treinamento de repertórios são práticas comuns. A partir desta análise é possível identificar déficits ou excessos comportamentais, verificando a origem dos problemas e trabalhar de forma a saná-los.

Desta forma a prática do Psicólogo Esportivo comportamental, seve ser de analisar as contingências e seus efeitos cumulativos sobre o desempenho dos organismos, identificando as relações funcionais que dão origem e mantém os comportamentos apresentados pelos esportistas no ambiente com treinadores e familiares, podendo ser capaz de modificar respostas mal-adaptadas e transformá-las em satisfatórias a esses ambientes, através da manipulação das variáveis ambientais da qual o comportamento é função.

Sendo assim, alcançar marcas e resultados desejados necessita de aprendizagem e treinamentos, equiparados com apoio psicológico.

Acredito que os atendimentos de Plantão Psicológico realizados neste estágio puderam seguir esses pressupostos e mesmo não tendo contato com a especialidade esportiva pudemos ao menos orientar adequadamente esse cliente que nos procurou no Plantão Psicológico com uma questão aguda, porém, que merece continuidade. Ao acolher tal demanda em específico um caso isolado dentre os atendimentos do semestre, permitiu-se dar um suporte para que pudessem ter certa clareza dos acontecimentos e buscar soluções para os mesmos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da atuação nesse estágio, pude observar alguns sentimentos despertados em mim no decorrer dos atendimentos certamente devido ao contato com situações adversas da prática profissional e do inesperado. A preocupação em atuarmos de forma assertiva para com o cliente também circunda nossa mente.

A atividade também deu a oportunidade de avaliar minha trajetória acadêmica colocando a prova questões de formação, postura ética, profissional e pessoal, questões ligadas à área de atuação do Psicólogo e as maneiras de olhar para a demanda trazida pelo cliente.

Minha experiência com o Plantão Psicológico teve valor considerável na compreensão da formação acadêmica como um todo. Também é importante ressaltar que existem limites em casos mais complexos e/ou específicos, porém, passiveis de um acolhimento inicial e até mais focado em determinada demanda, através dos atendimentos em Plantão Psicológico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • GUIMARÃES, R.P. Deixando o preconceito de lado e entendendo o Behaviorismo Radical. Revista Psicologia: Ciência e Profissão, 2003, v.23, nº 3. Site Scielo, 05/02/2009
  • MAHFOUD, M. A vivência de um desafio: Plantão Psicológico. In: R.L. Rosenberg. Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987.
  • PAPARELLI, R.B. & NOGUEIRA-MARTINS, M. C. F. Psicólogos em formação: Vivências e Demandas e Plantão Psicológico. Revista Psicologia:Ciência e Profissão, 2007, v.27, nº1, p. 64-79.
  • RUBIO, K.Org: Psicologia do Esporte: Teoria e Prática. São Paulo: Coleção Psicoplogia do Esporte, Casa do Psicólogo, 2003.
  • SILVARES, E.F.M e GONGORA, M.A.N. A entrevista clinica com adultos: fundamentos, modelo e habilidades envolvidas. Um manual para alunos iniciantes, Parte I.
  • STERIAN, A. Emergências Psiquiátricas: Uma abordagem Psicanalítica. 4ª edição, São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

  1. One Response to “ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO EM PLANTÃO PSICOLÓGICO”

  2. Boa tarde.

    Parabéns, pelo trabalho.

    Sou gestante, e sofro com transtornos do pânico, gostaria de contribuir para uma pesquisa.

    Att.

    Andréia.

    By Andréia on Oct 28, 2013

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