Atendimento Psicológico em Clinica-Escola: Plantão Psicológico em Instituições de Ensino
June 30, 2010 – 10:09 am
ATENDIMENTO PSICOLÓGICO: PLANTÃO PSICOLÓGICO EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO
Autores: Simone Aparecida Felício Menezes RA: 743804-4
Supervisor: Oliver Zancul Prado CRP: 06/55700-1
UNIP- UNIVERSIDADE PAULISTA – Instituto de Ciências Humanas
Curso Psicologia – Araraquara 2009
Podemos definir plantão psicológico como um espaço no qual qualquer pessoa que o procure será atendida. A principal perspectiva deste atendimento é oferecer a quem o procura a possibilidade de acolhimento e de ser ouvida. Á partir desta escuta, questões emergentes ou urgentes poderão ser trabalhadas. Qualquer questão poderá ser abordada, ou seja, o que venha a incomodar o cliente é uma questão importante.
Os termos urgência e emergência deixam claro o que devemos encontrar nos Plantões de modo geral, o primeiro provem do latim urger que significa urgir, estar iminente, perseguir de perto, não permitir demora. Emergência, também do latim emergere refere-se, sair de onde estava mergulhado, mostrar-se, situação critica, acontecimento perigoso ou fortuito (STERIAN, 2007).
O plantão psicológico pode ser realizado em instituições, escolas, hospitais, clínicas, clínicas-escola e é destinado às pessoas que buscam um atendimento de apoio emergencial, em situações de crise ou traumas, situação que tire o equilíbrio momentâneo e necessitam de uma ação interventiva imediata.
O plantão psicológico inicialmente foi concebido baseado na Abordagem Centrada na Pessoa, de Carl Rogers, que, como o próprio nome diz, enfatiza a forma como o cliente utiliza sua capacidade de superar adversidades e fazer com elas resultem em crescimento pessoal.
Esse tipo de atividade também pode ser realizado em outras abordagens, porém em comum, irá exigir do profissional que seja sintonizado às demandas sociais, e a tomada de postura pessoal, ética, política, social e profissional imediatas.
O Plantão Psicológico tem como característica três pontos de vista, o da instituição, o do profissional e o do cliente. ( Mahfoud, 1987). Da instituição exigirá estrutura do serviço, planejamento e recursos disponíveis. Do profissional, será a disponibilidade ao não planejado e ao pronto acolhimento da demanda do cliente e do último uma segurança e confiança ao serviço. (PAPARELLI E NOGUEIRA-MARTINS, 2007)
Em clínicas-escola esse serviço consegue abranger a integração de dois pontos importantes: a função da formação dos estudantes e o atendimento a demanda da população. Para os alunos, isso representa trabalhar o inusitado, o emergencial, os coloca diretamente a prova, ou seja, entrar em contato com o que foi aprendido e avaliar sua formação, além de proporcionar um contato com uma prática diversificada em relação ás queixas trazidas pelos clientes e a possibilidade de intervenção nos momentos de crises. Para a população representa poder contar com serviço de atendimento psicológico emergencial para atender suas necessidades. (PAPARELLI E NOGUEIRA-MARTINS, 2007).
O atendimento de Plantão Psicológico que é realizado no CPA – Centro de Psicologia Aplicada – UNIP, pelos estagiários do nono e décimo semestre do curso de Psicologia, tem como objetivo para com a clientela, acolher a demanda do individuo que sofre, oferecendo de acordo com a necessidade, as orientações e encaminhamentos cabíveis.
No que tange aos objetivos pedagógicos, o estágio visa desenvolver postura profissional, raciocínio clínico, proximidade do aluno à sua realidade social.
Desta forma a instituição responsável pela clínica-escola, ao oferecer tal serviço, com responsabilidade contribuirá a essa demanda social.
OBJETIVOS GERAIS
O objetivo central deste trabalho é observar as características da demanda social e identificar as principais necessidades da população que procura o atendimento no CPA- Centro de Psicologia Aplicada – UNIP.
Analisar as queixas apresentadas pelos clientes que foram atendidas pelos estagiários do nono semestre de Psicologia no Plantão Psicológico.
PROCEDIMENTOS
Os atendimentos foram realizados às quartas-feiras no horário das 7:30 às 10:30 horas. O serviço foi divulgado através de cartazes afixados em locais estratégicos como postos de saúde pública, centro de atendimentos comunitários, farmácias, hospitais, pronto socorro municipal, posto de atendimento de saúde da família.
Os clientes que procuravam o serviço eram atendidos por ordem de chegada, sem a necessidade de agendamento prévio. Foi seguido um protocolo pelos estagiários para padronizar a coleta de dados e garantir a fidedignidade dos resultados.
As sessões tiveram duração de cinqüenta minutos e eram realizadas em duplas nas funções de terapeuta e co-terapeuta revisando-se entre si, preenchíamos uma planilha de cada paciente onde eram coletados os dados sócio-demográficos, condições de saúde e dados clínicos. Contamos também com a presença do supervisor durante o plantão, e em seguida eram realizadas a supervisão de cada caso atendido pelo mesmo.
A instituição também conta com o suporte de uma médica psiquiatra, que atende uma vez por semana e os clientes, com horário previamente agendado. Desta forma, de acordo com a necessidade da demanda, poderíamos solicitar o suporte psiquiátrico, encaminhando o cliente para atendimento com a médica psiquiatra, esta por sua vez preenche uma ficha de dados clínicos dando hipóteses diagnosticas, assim podemos direcionar melhor o encaminhamento do cliente.
Os atendimentos da demanda infantil priorizaram o atendimento aos pais, as queixas trazidas eram acolhidas através da conversa com os responsáveis, as crianças também eram ouvidas para integrar as informações. Coletavam-se os dados da criança e as orientações eram passadas aos pais ou responsáveis e os encaminhamentos eram feitos de acordo com as necessidades dessa demanda.
Na primeira sessão preenchíamos um protocolo de atendimento para coletar os dados. As informações de cada cliente foram passadas a um estagiário que os uniu em uma única planilha. Foram geradas tabelas e encaminhadas ao grupo e estão apresentados neste trabalho nos itens “resultados”.
A entrevista inicial tem como objetivo principal reunir informações sobre os relatos dos clientes, que sejam pertinentes á intervenção terapêutica, o que eles trazem como queixa inicial e qual sua percepção diante dos fatos ocorridos. É um instrumento de relato verbal portanto pode trazer a percepção do comportamento e não como ele realmente ocorreu. (Silvares e Gongora).
Após a escuta da queixa do cliente adequávamos as intervenções necessárias e avaliávamos a necessidade do retorno ou um encaminhamento para outros serviços. Quando a queixa trazida era emergencial, o cliente era atendido até quatro sessões no total, se a queixa trazida abordava questões crônicas fazíamos encaminhamentos para outros serviços de atendimentos da clínica-escola ou mesmo externos.
RESULTADOS
Os dados obtidos são apresentados de acordo com os objetivos desse estudo e analisados por meio de uma estatística descritiva, através de freqüência e porcentagem.
Tabela 01 – Dados Sócio-Demográficos – Clientes adultos
|
TABELA 01 |
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|
Sexo – Responsável |
|
|
Renda Familiar |
|
||
|
|
Quantidade |
% |
|
|
Quantidade |
% |
|
Feminino |
23 |
71,88 |
|
Menos de 1 salário |
2 |
6,45 |
|
Masculino |
9 |
28,13 |
|
Entre 1 e 2 salários |
5 |
16,13 |
|
|
|
|
|
Entre 2 e 3 salários |
10 |
32,26 |
|
Total |
32 |
100,00 |
|
Entre 3 e 4 salários |
6 |
19,35 |
|
|
|
|
|
Entre 4 e 5 salários |
2 |
6,45 |
|
|
|
|
|
Entre 5 e 10 salários |
6 |
19,35 |
|
|
|
|
|
Entre 10 e 20 salários |
0 |
0,00 |
|
|
|
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
Idade – Responsável |
|
|
|
|
||
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
|
|
0-4 anos |
0 |
0,00 |
|
|
||
|
5-9 anos |
0 |
0,00 |
|
|
Quantidade |
% |
|
10-15 anos |
0 |
0,00 |
|
1-2 pessoas |
7 |
22,58 |
|
15-19 anos |
2 |
6,25 |
|
3-4 pessoas |
18 |
58,06 |
|
20-29 anos |
9 |
28,13 |
|
5-6 pessoas |
4 |
12,90 |
|
30-39 anos |
13 |
40,63 |
|
7 pessoas ou mais |
2 |
6,45 |
|
40-49 anos |
4 |
12,50 |
|
|
|
|
|
50-59 anos |
3 |
9,38 |
|
Total |
31 |
100 |
|
60-69 anos |
1 |
3,13 |
|
|
|
|
|
70-79 anos |
0 |
0,00 |
|
|
|
|
|
80 ou mais |
0 |
0,00 |
|
|
|
|
|
Total |
32 |
100,00 |
|
|
|
|
|
Estado Civil |
|
Religião |
||||
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
|
|
Solteiro(a) |
5 |
15,63 |
|
|
Quantidade |
% |
|
Casado(a) |
18 |
56,25 |
|
Católica |
20 |
62,5 |
|
Separado(a)/Divorciado(a) |
5 |
15,63 |
|
Evangélica |
8 |
25 |
|
Viúvo(a) |
2 |
6,25 |
|
Espírita |
2 |
6,25 |
|
Amaziado(a) |
2 |
6,25 |
|
Outras |
2 |
6,25 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
32 |
100,00 |
|
Total |
32 |
100 |
|
Escolaridade |
|
|
|
|
||
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
|
|
Analfabeto |
0 |
0,00 |
|
|
|
|
|
Fundamental Incompleto |
3 |
9,38 |
|
|
|
|
|
Fundamental Completo |
3 |
9,38 |
|
|
|
|
|
Médio Incompleto |
3 |
9,38 |
|
|
|
|
|
Médio Completo |
21 |
65,63 |
|
|
|
|
|
Superior Incompleto |
1 |
3,13 |
|
|
|
|
|
Superior Completo |
1 |
3,13 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
32 |
100,00 |
|
|
|
|
Com relação às características sócio-demográficas, a tabela 1 apresenta a distribuição dos dados dos clientes adultos, segundo as variáveis: sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda familiar, número de pessoas na família e religião.
Os dados apresentados ilustram que quase 72% dos clientes atendidos é do sexo feminino, enquanto que 28% são do sexo masculino.
No que se refere à idade, a faixa etária que mais procurou o serviço de plantão foi a clientela entre 30 e 39 anos, num total de 40,63 %. Em seguida vem a clientela com faixa etária entre 20 a 29 anos, representando 28,13 %. Os adultos entre 40 e 49 anos, representaram 12,50 %, em seguida a faixa de 50 a 59 anos com 9,38% dos atendimentos. Os adolescentes representaram 6,25% e por fim apenas 01 atendido com faixa etária entre 60 e 69 anos representando 3,13 % do total dos clientes
Com relação ao estado civil, observa-se que mais da metade são casados, 56,25 % . Os solteiros 15,63 % e os separados também representam 15,63 %. Os viúvos foram 6,25 % e os amaziados 6,25% da população atendida.
No que se refere à escolaridade, a tabela mostra que a maioria tem o ensino médio completo com o total de 65,23%. No ensino médio incompleto, fundamental completo e incompleto ficaram a porcentagem de 28,14% divididos igualmente, e apenas 6,26 % dos clientes possuem ensino superior, sendo metade dessa porcentagem incompleto e a outra metade completo.
Dos clientes atendidos, 32,26 % declararam possuir renda familiar entre 2 a 3 salários mínimos e da população total, 18,35 % possuem renda entre 3 a 4 salários mínimos e outros 18,35 % disseram que sua renda fica entre 5 a 10 salários mínimos, 16,13 % ficam com renda entre 1 e 2 salários e 6,45% tem renda de 4 a 5 salários e os outros 6,45 % disseram receber menos de 1 salário mínimo por mês.
Dentre a clientela atendida, 58,06 % tem sua família constituída por 3 a 4 pessoas, 22,58% com 1 a 2 pessoas na família, 12,90 % possuem 5 a 6 pessoas e o restante de 6,45% possuem 7 ou mais pessoas formando a família.
Quanto à religião, 62,5% são católicos e 25%, evangélicos, 6,25 espírita e 6,25% outras religiões.
As crianças atendidas no Plantão foram dispostas em tabela separada, conforme apresentada na tabela 1.1 descrita abaixo.
Tabela 1.1 – Clientela Infantil.
|
Sexo – Criança |
||
|
|
Quantidade |
% |
|
Feminino |
3 |
27,27 |
|
Masculino |
8 |
72,73 |
|
Total |
11 |
100 |
|
Idade – Criança |
||
|
|
Quantidade |
% |
|
Menor 1 ano |
0 |
0 |
|
1-4 anos |
1 |
12,5 |
|
5-9 anos |
7 |
87,5 |
|
10-15 anos |
0 |
0 |
|
|
|
|
|
Total |
8 |
100 |
|
Escolaridade |
||
|
|
Quantidade |
% |
|
Analfabeto |
0 |
0,00 |
|
Fundamental Incompleto |
11 |
100,00 |
|
Fundamental Completo |
0 |
0,00 |
|
Médio Incompleto |
0 |
0,00 |
|
Médio Completo |
0 |
0,00 |
|
Total |
11 |
100,00 |
|
Saúde das Crianças |
|
|
|
|
Quantidade |
% |
|
Em tratamento médico |
3 |
50,00 |
|
Sob alguma medicação |
1 |
16,67 |
|
Já foi internado |
2 |
33,33 |
|
Total |
6 |
100,00 |
Na tabela 1.1 podemos observar que 72,73 % das crianças atendidas eram do sexo masculino e os restante 27,27% feminino. A idade das crianças eram de 5 a 9 anos em 87,5% dos casos e 12,5% com idades entre 1 a 4 anos. Quando a saúde das crianças, 50 % delas estão em tratamento médico, 33,33 % já foram internados alguma vez e 16,67% tomam alguma medicação.
Os dados apresentados na tabela 2 ilustram as condições de saúde dos clientes.
Tabela 02 – Condições de Saúde
|
Tabela 2 – Dados sobre condições de saúde |
||
|
|
Quantidade |
% |
|
Em tratamento médico |
9 |
18,37 |
|
Sob alguma medicação |
12 |
24,49 |
|
Já foi internado |
10 |
20,41 |
|
Faz uso de álcool |
14 |
28,57 |
|
Faz uso de drogas |
4 |
8,16 |
|
Total |
49 |
100,00 |
Nesta tabela é possível observar que 28,57% faz uso de álcool, 24,49% tomam algum tipo de medicação, 18,37 estão em tratamento médico, 20,41, já foram internados durante a vida e 8,16 faz uso de drogas.
Tabela 03 – Dados Clínicos
|
Tabela 3 – Dados Clínicos |
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|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Categorias de demanda |
|
|
|
Tipo |
|
||
|
|
Quantidade |
% |
|
|
Quantidade |
% |
|
|
Dependência |
2 |
3,77 |
|
Crônico |
8 |
25,81 |
|
|
Escolar |
6 |
11,32 |
|
Agudo |
23 |
74,19 |
|
|
Família |
15 |
28,30 |
|
|
|
|
|
|
Ocupacional |
0 |
0,00 |
|
Total |
31 |
100 |
|
|
Perdas e lutos |
2 |
3,77 |
|
|
|
|
|
|
Psicopatologia |
3 |
5,66 |
|
|
Próprio/Terceiros |
|
|
|
Relacionamento |
15 |
28,30 |
|
|
|
Quantidade |
% |
|
Sexualidade |
0 |
0,00 |
|
|
Próprio |
22 |
70,97 |
|
Transtornos |
5 |
9,43 |
|
|
Terceiros |
9 |
29,03 |
|
Violência |
2 |
3,77 |
|
|
|
|
|
|
Saúde |
3 |
5,66 |
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
53 |
|
|
|
|
|
|
|
Tempo de espera |
|
|
|
|
Risco |
|
|
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
Quantidade |
% |
|
Menos de 1 semana |
29 |
90,63 |
|
|
Alto |
4 |
12,90 |
|
1-2 semanas |
3 |
9,38 |
|
|
Médio |
2 |
6,45 |
|
2-4 semanas |
0 |
0,00 |
|
|
Baixo |
25 |
80,65 |
|
1-2 meses |
0 |
0,00 |
|
|
|
|
|
|
Mais de 2 meses |
0 |
0,00 |
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
32 |
100,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Humor |
|
|
|
|
Diretiva |
|
|
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
Quantidade |
% |
|
Instável |
4 |
12,90 |
|
|
Sim |
27 |
87,10 |
|
Estável |
27 |
87,10 |
|
|
Não |
4 |
12,90 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
|
Total |
31 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Suporte Social |
|
|
|
|
Encaminhamento |
|
|
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
Quantidade |
% |
|
Adequado |
28 |
90,32 |
|
|
Nenhum |
9 |
29,03 |
|
Fraco |
2 |
6,45 |
|
|
Interno |
14 |
45,16 |
|
Ausente |
1 |
3,23 |
|
|
Externo |
8 |
25,81 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Número de Sessões |
|
|
|
|
Faltas |
|
|
|
|
Quantidade |
% |
|
|
|
Quantidade |
% |
|
1 |
13 |
41,94 |
|
|
1 |
|
3 |
|
2 |
15 |
48,39 |
|
|
2 |
|
1 |
|
3 |
3 |
9,68 |
|
|
3 |
|
0 |
|
4 |
0 |
0,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total |
31 |
100,00 |
|
|
Total |
0 |
4 |
A tabela dos “Dados Clínicos”, abrangem os dados dos atendimentos de adultos e crianças. As queixas infantis foram dispostas de acordo com o relato dos responsáveis que os acompanharam ao atendimento e as orientações foram passadas à eles.
Pode-se constatar a partir dos dados apresentados na tabela 3, que as queixas que se constituem nos principais motivos de procura do atendimento psicológico no plantão estão relacionadas a problemas de relacionamentos, com 28,30% do total e também com 28,30% dos casos eram referentes a conflitos familiares. Os problemas escolares ficaram com 11,32 % .Podemos ainda citar como outras queixas, as perdas e luto, os transtornos psíquicos, saúde, violência, dependência e psicopatologias.
Pudemos também observar que 74,2 % dos casos atendidos eram agudos, portanto indicados ao atendimento em Plantão Psicológico, e apenas 25,81 % eram de demanda crônica.
Os dados da tabela 3 também mostram que 70,97 % chegaram ao atendimento por própria demanda e 29,03 % vieram encaminhados por terceiros. Desses clientes, 90,63 % esperaram menos de 1 semana para serem atendidos e apenas 9,38% dos clientes aguardaram entre 1 a 2 semanas, que também é um tempo bastante curto de espera.
Quanto ao risco dos clientes em relação as suas queixas, 80,65 % dos casos em baixos, 6,45 % estavam com risco médio e 12,9 % dos clientes enfrentam alto risco nas situações de queixas relatadas.
A tabela 3 também nos mostra através dos dados que 87,1% dos clientes atendidos apresentaram estabilidade de humor, sendo que 12,9% , instabilidade.
90,32 % dos clientes possuem um suporte social adequado, 6,45% um suporte fraco e apenas 3,23 % não possuem suporte social.
Com relação ao número de sessões a tabela nos mostra que 48,39% dos clientes
foram atendidos em duas, e 41,94% em sessão única, o restante dos clientes foram atendidos em três ou quatro sessões.
Os dados da tabela sobre as faltas nos atendimentos de retorno mostram que 4% dos clientes faltaram às sessões.
Por último, ainda de acordo com a tabela observa-se que 87,1% dos estagiários utilizaram intervenção diretiva.
No que se refere aos encaminhamentos, 29,03 % dos clientes receberam alta, 45,16 % dos clientes foram encaminhados para a terapia dentro da própria instituição e 25,81% para encaminhamentos externos.
DISCUSSÃO
A prática do Plantão Psicológico hoje está mais difundida, pois mostra-se eficaz no sentido de solucionar ou amenizar a demanda de clientes que esperam atendimento público e também colabora para que essas pessoas, tendo acesso a tal possibilidade de atendimento, conheçam melhor o que é a psicologia, como ela trabalha e os benefícios que pode trazer, e a melhora substancial de questões relacionadas com o psicológico humano.
Esta pesquisa buscou caracterizar a clientela atendida no estágio de Plantão Psicológico no CPA – UNIP durante o primeiro semestre do ano de 2009, tendo assim a oportunidade de conhecê-la melhor e possivelmente adequar-se ao um atendimento cada vez mais eficaz à população e fortalecer a formação dos alunos que tem a oportunidade de entrar em contato com o público que poderá encontrar na carreira profissional.
É importante também destacar a prática do plantão no seu papel social, pois apresenta um enorme potencial preventivo. Os clientes atendidos neste serviço puderam conhecer e usufruir de um atendimento psicológico e até mesmo desmistificar alguns preconceitos criados pelas crenças populares e receber serviço de pronto atendimento para suas questões psíquicas.
Isso pôde ser verificado neste estágio semestral de Plantão Psicológico, onde vimos que 70% das pessoas que foram atendidas, procuraram o serviço espontaneamente, o que demonstra que sentem a necessidade de serem ouvidos e o tempo de espera foi muito pequeno, o que fortalece a relação de acolhimento, além de apresentarem questões agudas na maioria dos casos, o que caracteriza o atendimento emergencial ou de urgência.
A angustia demonstrada por clientes nesta situação necessita de uma intervenção de forma iminente e percebemos isso ao acolher a queixa trazida neste momento. (STERIAN, 2007)
Neste estágio podemos verificar através da analise dos resultados quantitativos dois principais motivos que levaram os clientes a busca pelo atendimento psicológico. Os conflitos de relacionamentos conjugais ou amorosos e os conflitos familiares. Esta procura foi feita na sua maioria por clientes do sexo feminino.
Os problemas conjugais em geral são situações onde as emoções são as respostas condicionadas e podem servir de estimulo discriminativos para novas respostas, e podem proporcionar um indesejável efeito de desorganização sobre o comportamento. (SKINNER apud GUIMARÃES, 2009). Tais padrões desadaptativos do comportamento emocional podem ser resultados de deficiências das habilidades ou uma história de condicionamentos patogênicos.
Acredito que o terapeuta deve identificar e descrever as possíveis contingências que estão em operação nas situações trazidas através do relato do cliente que vem até o Plantão Psicológico e levá-lo a uma auto-observação e auto-conhecimento e assim conseguir descrever as contingências às quais responde e influir nelas.
Guilhardi, ao citar Skinner em um de seus trabalhos, diz que todo o comportamento humano é “inconsciente” e a torna-se “consciente” quando os ambientes verbais fornecem as contingências necessárias à auto-observação, então o terapeuta deve assumir na interação com o cliente a função dos “ambientes verbais” para cumprir seu papel como terapeuta.
O processo de auto-conhecimento deve ser despertado no cliente através de questões feitas pelo terapeuta, neste caso os estagiários do serviço oferecido, que leve o cliente a relatar seus comportamentos e os sentimentos despertados e os relacionar com o ambiente.
Acredito que os atendimentos de Plantão Psicológico realizados neste estágio puderam seguir esses pressupostos e ao questionar, sintetizar as informações, levantar hipóteses juntamente com os clientes fizeram que os atendimentos os auxiliassem a pensar nestas questões, avaliar-se. Ao acolher o sofrimento inicial da população atendida, permitiu-se dar um suporte para que pudessem ter certa clareza dos acontecimentos e buscar soluções para os mesmos.
Isso fica claro ao verificarmos os resultados, que 70% dos atendimentos realizados durante o estágio, resultaram em encaminhamento dos clientes para serviços internos ou externos, para que possam atender suas necessidades.
Sabemos a importância desse trabalho para a população e trabalhamos para suprir ao máximo a demanda, mas vemos que ainda estamos longe de um ideal no que tange a saúde mental nos serviços atendimento à saúde pública.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da atuação nesse estágio, pude observar alguns sentimentos despertados em mim no decorrer dos atendimentos certamente devido ao contato com situações adversas da prática profissional e do inesperado. A preocupação em atuarmos de forma assertiva para com o cliente também circunda nossa mente.
A atividade também deu a oportunidade de avaliar minha trajetória acadêmica colocando a prova questões de formação, postura ética, profissional e pessoal.
Minha experiência com o plantão teve valor considerável na compreensão da demanda dessa população e contribui muito para a formação acadêmica. Também é importante ressaltar que existem limites em casos mais complexos e desta forma não são amenizadas nos atendimentos em Plantão Psicológico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
- GUILHARDI, H.J. Com que contingências o terapeuta trabalha em sua atuação clínica ?. Instituto de Análise de Comportamento e Instituto de terapia por Contingências de Reforçamento. Site Terapia por contingência. Acesso 27/05/2009
- GUIMARÃES, R.P. Deixando o preconceito de lado e entendendo o Behaviorismo Radical. Revista Psicologia: Ciência e Profissão, 2003, v.23, nº 3. Site Scielo, 05/02/2009
- MAHFOUD, M. A vivência de um desafio: Plantão Psicológico. In: R.L. Rosenberg. Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987.
- PAPARELLI, R.B. & NOGUEIRA-MARTINS, M. C. F. Psicólogos em formação: Vivências e Demandas e Plantão Psicológico. Revista Psicologia:Ciência e Profissão, 2007, v.27, nº1, p. 64-79.
- SILVARES, E.F.M e GONGORA, M.A.N. A entrevista clinica com adultos: fundamentos, modelo e habilidades envolvidas. Um manual para alunos iniciantes, Parte I.
- SKINNER, B. F. Seleção por conseqüências., Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 2007, vol.IX, nº1, p.129-137.
- STERIAN, A. Emergências Psiquiátricas: Uma abordagem Psicanalítica. 4ª edição, São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.
One Response to “Atendimento Psicológico em Clinica-Escola: Plantão Psicológico em Instituições de Ensino”
Boa noite, me formei no final de 2010 em psicologia, gostaria de começar minha carreira em uma clinica escola, como funciona para eu me cadastrar? Ou seria só para estudantes.
Fico no aguardo!
Obrigada
By Renata on Apr 13, 2011