Aids e as manifestações emocionais da doença: Aids e Psicologia

O vírus HIV encontra-se presente em fluídos do organismo humano como sangue, secreção vaginal, sêmen, saliva e etc. Ele ataca o sistema imunológico, principalmente os linfócitos T4 (CD4+) e de acordo com o critério do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, desencadeia diversas enfermidades diferentes (Brasio, 2003).

A infecção por HIV é uma doença transmissível que apresenta uma gama de manifestações clínicas. A infecção é sintomática, e pode passar por um longo período assintomático, desembocando numa série de infecções oportunistas (Brasio, 2003).

Segundo Brasio (2003), o surgimento da AIDS causou um grande impacto na humanidade, por ser uma doença relacionada à sexualidade e ao uso de drogas injetáveis e, principalmente, pela ação devastadora sobre seu portador.

De acordo com Quinn (1996), a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 18 milhões de adultos e 1.5 milhões de crianças já foram infectados, o que totaliza 4,5 milhões de casos de AIDS no mundo todo.

No Brasil foram notificados, até 30/03/02, 237.588 casos. No Estado de São Paulo esse número foi de 110.845 casos até 30/09/02, sendo que, desses, 48.488 são residentes na cidade de São Paulo. As formas de transmissão que mais cresceram nos últimos anos foram por meio de usuários de drogas e heterossexuais (Ministério da Saúde, 2002).

AIDS – Fatores Emocionais da Doença

Parker (1998) entende que a AIDS, por estar vinculada à idéia de morte e a comportamento de risco como o uso de drogas e o sexo inseguro, desencadeia na sociedade o medo, a discriminação e o preconceito. Assim, as representações sociais e os mitos relacionados à doença colaboram para estigmatizar e abalar a moral do portador, seus familiares e amigos . É neste sentido que Cassorla (1990), afirma que o paciente com AIDS se sente marginalizado e estigmatizado pela sua condição.

Sinais desta discriminação são percebidos em diferentes áreas sociais pelos portadores do HIV, como a escolar, a trabalhista, a securitária, a hospitalar, a esportiva, a familiar, por exemplo.

Segundo Almeida & Munoz (1993), a AIDS passou a servir como instrumento de exclusão de pessoas de variadas atividades sociais. Por exemplo, foram impostas restrições da matrícula de crianças com teste anti-HIV positivo em escolas; o emprego era negado aos portadores nas empresas; companhias seguradoras passaram a negar cobertura, além do fato destes pacientes terem sido privados de tratamento apropriado ou terem sido obrigados a permanecer em hospitais porque não tinham o apoio dos familiares em casa.

Além do preconceito, o paciente com AIDS esboça diferentes reações psicológicas a soropositividade (Kubler-Ross, 2000).

Segundo Brasio (2003) o processo de adaptação e convivência com o HIV e AIDS apresenta fases específicas. A primeira fase caracteriza-se pelo conhecimento do diagnóstico. É o momento em que aparecem percepções negativas sobre a doença, como a relação com a morte.

A segunda fase é observada com o surgimento das infecções oportunistas, que caracterizam a AIDS. A depressão e a ansiedade são os primeiros sintomas desenvolvidos pelos infectados nessa fase (Remor, 1999).

A terceira fase é o período sintomático final, onde a mudança da imagem corporal e a redução do autoconceito ocorrem.

Por fim, na última fase, o paciente depara-se com o enfrentamento da própria morte. O soropositivo não tem como negar a doença e sente aumentar a gravidade de seu quadro no próprio corpo.

Como fruto deste processo, o próprio paciente, por medo de discriminação e rejeição, acaba se afastando do meio social. Por conseqüência desse comportamento, o paciente acaba gerando um isolamento do paciente de seu próprio meio. Por receio de ser abandonado por seu parceiro, adota um comportamento de esquiva, distanciando-se das relações afetivas e sexuais.

Deste modo, julga a si próprio e adota um comportamento autopunitivo, se afastando e se isolando do meio (Brasio, 2003).

  1. One Response to “Aids e as manifestações emocionais da doença: Aids e Psicologia”

  2. acho que estou na ultima fase….

    By Pablo Raul Vibrnatz on Dec 27, 2011

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