A baixa auto-estima e a insegurança. Dificuldades de relacionamento, insegurança, ciúmes e autoconceito desfavorável
January 16, 2011 – 10:57 pm
Para Branden (1996) o auto-conceito é quem e o que achamos que somos, seja consciente ou inconscientemente, ou seja, nossas características físicas e psicológicas, nossos pontos positivos e negativos e além de tudo nossa auto-estima.
Segundo Moysés (2001) a auto-estima é a percepção que o indivíduo possui de seu próprio valor e auto-conceito é a percepção que a pessoa possui de si própria. Marsh (1988, apud Belo e Almeida, 2002) acrescenta que o auto-conceito é o conceito que o indivíduo forma de si mesmo.
Acrescentando ao que foi exposto anteriormente, o auto-conceito refere-se a processos cognitivos e é fruto da percepção que a pessoa possui de si própria. A percepção, como se pode observar é influenciada por fatores externos e internos, ou seja, informações a nosso respeito provenientes de opiniões de outras pessoas, somadas ao que pensamos que somos (nossas características pessoais), assim forma-se em nossa estrutura cognitiva, um conhecimento de nós próprios (Moysés, 2001). Para Doron e Parot (1998) o auto-conceito serve para organizar as informações novas advindas do meio externo no que diz respeito a si mesmo.
Já segundo Salvador (2000), o autoconceito refere-se ao conhecimento que a pessoa tem de si e a auto-estima refere-se à avaliação afetiva que a pessoa tem de si própria, ou seja, como a pessoa se sente em relação aos diferentes atributos que compõem seu autoconceito.
Segundo Moysés (2001) o valor que atribuímos à percepção de nós próprios, se constitui nossa auto-estima. Amorim (2002) concorda afirmando que a auto-estima é o fator avaliador do auto-conceito e portanto pode-se dizer que, a auto-estima é o valor que o indivíduo dá ao seu auto-conceito.
Branden (1996, p. 91), postula que “o grau de nossa auto-estima afeta praticamente todos os aspectos de nossa existência”. Portanto, percebe-se que existem graus de auto-estima, são eles: a elevada, média e baixa auto-estima. Portanto a baixa e elevada auto-estima estão inseridos.
A seguir expõe-se o que significa e quais conseqüências trazem uma baixa e uma alta auto-estima.
Segundo Humphreys (2000) a baixa auto-estima surge em famílias nas quais existem discrepâncias visíveis entre como seus membros se vêem e como os outros esperam que eles sejam. O nível de auto-estima dos pais pode estar intimamente relacionado com o desenvolvimento da auto-estima dos filhos.
Quanto à baixa auto-estima, Branden (1996) postula que significa o quanto inadequados à vida e errados como pessoas nós nos sentimos. A pessoa que possui uma baixa auto-estima poderá encontrar dificuldades para solucionar seus aspectos desfavoráveis e em lidar com as manifestações do meio externo (Souza, 2002).
Segundo Humphreys (2000) uma pessoa que possui baixa auto-estima possui também uma hipersensibilidade às mensagens provenientes do meio em que vive, ou seja, qualquer coisa que alguém diga sobre ela (seja bom ou ruim) terá grande valor para essa pessoa. As pessoas dependem da visão dos outros para formarem a visão de si mesmos. Quando as crianças recebem dos pais mensagens de desaprovação, de crítica ou ridicularizantes, como por exemplo, “você é um estúpido”, “feio”, “preguiçoso”, entre outros, elas começam a formar sua auto-imagem a partir dessas mensagens. Os pais também passam a exigir dos filhos a perfeição, que nem sempre é alcançada. Quando existe uma grande distância entre a auto-imagem dos filhos e o “filho perfeito” idealizado pelos pais, emerge um grave problema de auto-estima.
Vila e Jenichen (2002) acrescentam que quando esse valor que atribuímos a nós diminui, pode-se dizer que muitos fatores podem estar envolvidos para que isso ocorra. Por exemplo, as metas irrealistas que são impostas às crianças podem levá-las a um rebaixamento da auto-estima, ou seja, essa meta não sendo alcançada gerará um fracasso, que acompanhará esse indivíduo por longo tempo e o impedirá de obter novas conquistas. Essa baixa auto-estima implicará em insatisfação, auto-desprezo e falta de respeito por si próprio (Oliveira, 1984).
O indivíduo que sente que não atingirá a meta que se propôs a atingir, apresentará uma baixa auto-estima, pois possui um modesto nível de aspiração de metas, ou seja, dá-se por satisfeito com o que alcançar e considera-se digno da estima dos demais (Oliveira, 1984).
A baixa auto-estima pode estar relacionada com altos níveis de ansiedade, insegurança, instabilidade emocional, passividade, sensibilidade frente às críticas e baixo rendimento escolar (Amorim, 2002). Pode ser atribuída às pessoas envergonhadas, inibidas, temerosas, que não se interessam por “destaque”. Mas, também pode ser sinal de baixa auto-estima: querer sempre chamar a atenção para si; querer ganhar o tempo todo; ser extremamente perfeccionista; depender da aprovação do meio externo, entre outros (Vila e Jenichen, 2002).
Alguns transtornos da infância podem ser atribuídos à baixa auto-estima, como por exemplo: transtorno de aprendizagem; transtorno de comunicação verbal; transtorno por déficit de atenção; encoprese; enurese; fobia social; transtorno de identidade sexual, entre outros (Amorim, 2002).
Já sobre a alta auto-estima, pode-se dizer que é a necessidade psicológica mais profunda do ser humano e percebe-se que uma pessoa que possui uma auto-estima elevada, sente-se adequada à vida e a seus desafios, ou seja, sente-se competente e merecedor dessa vida (Branden, 1996). A criança que possui uma elevada auto-estima tem grandes possibilidades de possuir um adequado ajuste psicológico, sendo bem humorada, segura e cooperativa (Amorim, 2002).
Branden (1996) ainda cita que quanto maior for a auto-estima lida-se melhor com os obstáculos que a vida oferece; tem-se maior probabilidade de obter sucesso; possui-se mais ambição para vivenciar as experiências, tanto emocionais, quanto criativas ou espirituais; mantêm-se relações interpessoais mais saudáveis; e, acima de tudo tem-se mais alegria, simplesmente pelo fato de ser. Uma auto-estima saudável é a pedra fundamental da capacidade de reagir positivamente e conscientemente às oportunidades que a vida oferece.
A elevada auto-estima significa que a pessoa se respeita e se sente digna da estima dos outros, considerando-se bom, mas não melhor e nem pior do que as outras pessoas. As pessoas que possuem uma elevada auto-estima, apesar de suas limitações e deficiências, buscam o amadurecimento e o aperfeiçoamento, sem lamentar-se (Oliveira, 1984).
De acordo com Wigfield e Karpathian (1991, apud Salvador e cols., 2000) todas as pessoas buscam obter um alto nível de auto-estima, priorizando atividades que lhes façam sentir-se bem e evitando as atividades que, ao contrário, façam-lhes sentir-se mal.
Em suma, quando os ideais de uma pessoa são razoáveis e passíveis de serem alcançados com um trabalho eficiente proveniente dessa pessoa, surge uma satisfação consigo própria por ter realizado a tarefa de maneira satisfatória. Já, quando os ideais são muito elevados e não são passíveis de serem alcançados de maneira satisfatória, surgem sentimentos de incapacidade e inferioridade. Desta forma, pode-se pensar que, quanto menor o espaço entre a meta e a possibilidade de alcançá-la, menor ansiedade e maior auto-estima, e, quanto maior o espaço entre o objetivo estabelecido e seu alcance, maior é a ansiedade e menor a auto-estima (Vila e Jenichen, 2002).