Sofrimento e Dor: como podemos dimensionar a dor e informar sobre a intensidade de nossa dor

September 2, 2010 – 1:49 pm

O limiar de tolerância a dor é o ponto em que o estímulo alcança tal intensidade que não mais pode ser aceitavelmente tolerado. Difere do limiar fisiológico porque varia conforme o indivíduo e em diferentes ocasiões, é influenciado por fatores culturais e psicológicos. A resistência à dor seria a diferença entre os dois limiares, pois expressa a amplitude de uma estimulação dolorosa à qual o individuo pode aceitavelmente resistir. É também modificada por traços culturais e emocionais, causando ao sistema límbico citado a modulação da resposta comportamental à dor.

De acordo com Angelotti (2001) há ainda uma relação evolutiva entre a sensação dolorida, a sensação do fenômeno primário e a percepção como fenômeno secundário. Essa relação não é observada de forma direta ou linear. O modelo neuropsicofisiológico da dor envolve a psicologia da percepção e a farmacologia dos circuitos centrais e periféricos da nocicepção, sendo moderados por influências límbicas e corticais sobre o afeto e o comportamento.

CLASSIFICAÇÃO DA DOR

Kobayashi (2003) acredita que toda classificação é um tanto formal e esquemática, apesar de muitos sistemas de classificação já terem sido desenvolvidos. Cada um toma uma característica específica da dor como critério de inclusão, ou seja, a etiologia, a natureza e até mesmo a idade do paciente. A mais citada nos trabalhos científicos nacionais e internacionais tem sido a que se utiliza da duração da dor como referencial e se divide em dor aguda, crônica e recorrente:

Dor Aguda: tem duração de minutos a algumas semanas, e decorre de lesões teciduais, processos inflamatórios ou moléstias.

Dor Crônica: tem duração extensa, de vários anos (em geral considera-se seis meses) a vários anos, e, geralmente, acompanha o processo da doença ou está associada a uma lesão já tratada.

No que se refere à dor Recorrente esta é aguda ocorrendo em episódios de curta duração. Tem porém uma característica crônica, porque se repete ao longo de muito tempo (às vezes, ao longo de quase uma vida), e não é claramente associada a uma etiologia específica.

Mello Filho (1992) afirma que existem certas características fisiopatológicas e clinicas que distinguem alguns tipos de dor e nos parece útil expor as classificações existentes conforme a tabela 1.

Tabela 1. Classificação das Dores

Origem periférica

Superficial (cutânea), Profunda: somática e visceral referida

Origem Central

Dor central (deaferenciação)

Angelotti (2001) também descreve e classifica os tipos e qualidade da dor dentro de um quadro de características quanto à sua função e preparação de alerta para cada indivíduo.

Dor de origem nociceptiva somática: essa dor é usualmente sentida como uma sensação dolorosa rude. É localizada no tempo e no espaço, sendo descrita como pontada, facada, ardor e latejamento. Pode ser exacerbada por movimento e aliviada pelo repouso. Alguns exemplos das dores ósseas, pós – operatória, musculoesqueléticas e artrítica.

No caso da dor de origem nociceptiva visceral esta é sentida como vaga, difusa e geralmente referida em estruturas distantes daquelas comprometidas. É associada a sensações autonômicas, tais como náusea, vômito e sudorese. Os locais cutâneos referidos podem ser o ombro ou a mandíbula; em relação ao coração, a escápula; com referência à vesícula biliar e dorsal, em correspondência ao pâncreas.

Dor neuropática sua origem é a lesão ou a irritação do nervo e é normalmente, expressa como dor ardente ou penetrante. A maior queixa dos pacientes estão relacionadas às sensações paroxísticas elétricas, por dores relatadas como lancinantes ou fulgurantes.

Finalmente a dor psicogênica, que ocorre quando nenhum mecanismo nociceptivo ou neuropático pode ser identificado e com componentes emocionais suficientes para estabelecer critérios. Doentes com dor crônica apresentam prevalência elevada de transtornos depressivos, ansiongênicos sexuais somatoformes, factícios e do sono (Angelotti 2001).

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Sensação de dor e o sofrimento: Influências psicológicas da dor

September 1, 2010 – 6:32 pm

Perceber qual o sentido e o significado que cada indivíduo atribui à sua dor nem sempre é uma tarefa fácil, mas é, sem dúvida, de suma importância. Igualmente importante é descobrir qual o espaço que essa dor ocupa na vida do sujeito

A dor é uma experiência desagradável, sugestiva e emocional, associada a uma lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão.

A dor se apresenta como uma das funções primordiais do sistema nervoso pois, leva em conta a informação a respeito da ocorrência ou ameaça da lesão. A sensação de dor, devido à sua natureza aversiva contribui para essa função, que lhe é inerente. Ela é uma qualidade sensorial fundamental, alertando para as ocorrências de lesões teciduais e permitindo a seus mecanismos serem sinalizados para proteção do organismo lesionado (Meyer e Col. Apud Angelotti, 2001).

Na literatura especializada, Karl Johaentges (1996) define que a dor é a mais desagradável das sensações corporais, no entanto, é fundamental para a sobrevivência, pois avisa e protege o organismo. Esta tem várias faces, pode ser tanto lacinante, como palpitante, ou até aguda, podendo ser às vezes persistente, surda, paralisante chegando a ser irritativa. Pode aparecer de repente ou com certa periocidade.

Entretanto, seja qual for a forma em que apareça, ninguém pode questionar o papel fundamental que ela desempenha; é um sistema de alarme que avisa sempre que algo funciona mal na complicada maquinaria humana. Na realidade existe tantas causas de dor, quanto das sensações dolorosas.

Rocha (2001) afirma que sob influências límbicas e corticais, a ocorrência da dor é mediada pelos processos neurais que modulam a percepção ampliando-a ou minimizando-a. Devido a esse fator, a experiência da dor não é uma função isolada da quantidade de dono tecidual, e sim um resultado da integração de diversas funções.

Kobayashi (2003) em sua tese de mestrado pontua a diferenciação da dor ao dizer que, todo ser humano a tem, com exceção dos portadores de insensibilidade congênita, que convivem com a dor desde o seu nascimento.

Ainda segundo a autora a dor é o alarme de que há algo alterado no organismo, tanto no Sistema Nervoso Central (SNC) como no Periférico (SNP). Sua função é adaptativa, educativa protetora, permitindo que o indivíduo escape das situações potencialmente danosas à sobrevivência. Dessa forma, ele aprende a evitar e a reconhecer objetos e situações que possam trazer sensações dolorosas evitando surgimento e ou o agravamento de lesões. As dores provenientes de doenças, induzem o indivíduo a manter-se com menos atividade física, evitando o agravamento da doença e permitindo que o organismo busque recursos naturais de cura.

ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL: INCLINAÇÃO E TALENTO PARA EXERCER FUNÇÃO TÉCNICO–FUNCIONAL

August 27, 2010 – 9:32 pm

Alguns indivíduos descobrem, ao longo de suas carreiras, que possuem verdadeiro talento e grande motivação para um determinado tipo de trabalho. O que realmente os estimula e motiva é exercitar suas aptidões e a satisfação de saber que são peritos. Isto pode acontecer em qualquer área profissional: por exemplo, um engenheiro pode descobrir que é muito bom em projetos; um vendedor que, de fato, tem verdadeiro talento e gosto para vendas; um gerente de produção pode perceber que tem satisfação cada vez maior ao dirigir unidades fabris complexas; um analista financeiro pode descobrir que tem talento e prazer em resolver problemas complexos de investimento de capital; um professor pode ter grande satisfação com seu crescente conhecimento na área, entre outros.

À medida que progridem em suas carreiras as pessoas observam que, sendo transferidas para outras áreas de trabalho, ficam menos satisfeitas e competentes. Começam a se sentir atraídas de volta para suas áreas de competência e satisfação. Elas adquirem um senso de identidade em torno do conteúdo de seu trabalho – as áreas técnicas ou funcionais nas quais são bem sucedidas – e procuram aperfeiçoar suas aptidões nessas áreas.

Os indivíduos com inclinação técnico-funcional dedicam-se a vida toda à especialização e não dão valor à posição de gerente geral, embora aceitem cargos de gerente técnico se isto lhes der condições de continuar em suas áreas de especialidade. Embora quase todas as carreiras, no princípio, tenham orientação técnico-funcional e a sua fase inicial esteja ligada ao desenvolvimento de uma especialidade, nem todos são atraídos por uma especialidade. Para alguns, a especialização é um meio de serem admitidos como membros da organização ou motivo de segurança mais do que um objetivo em si. Para outros, é simplesmente um degrau no plano de carreira, ou seja, uma etapa necessária para chegar à administração geral. Para outros, ainda, é uma oportunidade de aprender algumas técnicas necessárias para iniciar atividades autônomas ou empresariais. Conseqüentemente, embora a maioria comece se especializando, apenas alguns acham isto intrinsecamente gratificante o suficiente para desenvolver pontos de referência profissionais em torno de suas especialidades.

Quanto ao tipo de trabalho, a característica mais importante de trabalho desejável para membros deste grupo é que seja um desafio. Se o trabalho não desafiar sua capacidade e aptidões, logo eles o acharão enfadonho e sentir-se-ão rebaixados, o que os levará o procurar outras atribuições. Como a auto-estima das pessoas deste grupo depende de exercitar seu talento, elas precisam de tarefas que permitam tal exercício. Embora outros possam estar mais interessados no contexto do trabalho, este tipo de pessoa está mais interessada no conteúdo intrínseco do trabalho.

Os indivíduos da categoria técnico-funcional, que são fiéis a uma organização (em oposição a um consultor autônomo) desejam e anseiam tomar parte no estabelecimento das metas. Entretanto, após chegarem a um acordo sobre as mesmas, exigem autonomia máxima para executá-las. Na verdade querem carta branca para agir, orçamentos e recursos de toda a espécie que os capacitem a desempenhar a tarefa apropriadamente. É muito freqüente surgirem conflitos entre gerentes gerais, que procuram limitar o custo de funções especializadas, e especialistas que querem poder gastar o que for preciso para executar a tarefa devidamente.

A pessoa com esta inclinação irá tolerar o gerenciamento enquanto acreditar que é fundamental para a realização da tarefa, considerando-a, contudo, árdua e necessária mais do que intrinsecamente agradável ou desejável. Para essas pessoas, uma promoção para um cargo mais geral é inteiramente indesejável porque as força a se afastar das especialidades com as quais se identificam.

O talento para os aspectos interpessoais de administração varia neste grupo, resultando no dilema de que, se estas pessoas forem promovidas para cargos na área de supervisão e então descobrirem que não têm capacidade para desempenhar tal função, costumam ficar sem saída na organização. Quase todos os degraus em um plano de carreira não permitem um retorno fácil para funções técnicas, uma vez que a pessoa tenha assumido um cargo administrativo.

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Intervenção Psicológica no Hospital - Doença e Morte no hospital

August 25, 2010 – 11:34 pm

A doença ocorre no indivíduo e priva-o de trabalhar, se divertir, tirando-o muitas vezes do convívio familiar e dos amigos, deixando-o isolado. Portanto, para CAMPOS (1995), cada um vive sua própria dor e por mais que os outros façam algum esforço para compreendê-lo, ninguém sentirá o que ele sente. Sendo assim, a experiência de adoecer é sentida como única pela pessoa.

Segundo GOIS E SILVA (1997) a doença representa um conflito na vida do indivíduo, sendo que tira a liberdade do mesmo devido à limitação que o impõe. Antes do adoecer o homem tem o poder de decidir ser o que quiser, pois sua existência é um poder-ser constante, porém, quando adoece, o homem toma contato com um impedimento real, pois não tem a certeza de que ficará bom novamente para poder tomar decisões em sua vida.

A doença faz com que o indivíduo seja tratado como alguém que não pode ou sabe opinar. Ela cita que quase sempre é outra pessoa quem decide sobre se, quando e onde um paciente deverá ser hospitalizado. É como se o paciente houvesse perdido suas faculdades mentais e não possua sentimentos, desejos, opiniões e, acima de tudo, o direito de ser ouvido (KÜBLER-ROSS, 1996).

Segundo MELLO FILHO (1992) toda doença humana é psicossomática, já que incide num ser sempre provido de soma e psique, inseparáveis, uma vez que toda doença orgânica sofre influência da mente, pois repercute aspectos psicológicos.

Para BOSS (1981, apud FREITAS, 1995) a doença é sempre ameaçadora à vida, e de certa forma acena para a morte. Para o autor, vida e morte são reduzidas a uma única possibilidade destacada do existir humano, portanto cada indivíduo vive e morre sua própria morte, sendo insubstituível no morrer.

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Separação de casais: Dificuldades, queixas e consequencias da separação

August 24, 2010 – 6:39 pm

Um fator importante que deve ser levado em conta quando falamos em dissolução de uma relação de casal, são as alterações que os componentes desta relação sofreram.

1- Os papéis “homem/mulher” já não são tão diferentes, ou seja, suas tarefas e responsabilidades muitas vezes se equivalem e ambos lutam por uma posição ou mesmo disputam posições idênticas no mercado ou em casa;

2- A solidão neste final de século. Todos sabemos da solidão que afeta o homem moderno. Muitos sentem-se sós nas grandes cidades, nas pequenas ou mesmo em suas próprias casas. Pode ser este medo que acaba por levar duas pessoas a unirem-se e talvez iludirem-se que são felizes para fugirem da solidão. Neste caso, o lar torna-se um campo de batalha pois contém duas pessoas idênticas, disputando um único lugar, o de se preservar;

3- Outra possibilidade que ela aponta é a rapidez das transformações sociais. Atualmente temos a estabilidade das relações inter e intragrupos bastante frágil. As pessoas mudam de grupo de relacionamento muito rapidamente. Há o predomínio de relações teatrais e superficiais. Na sociedade moderna é difícil conhecer alguém com profundidade; e

4- A busca pela alma gêmea é outro forte fator. Como ambos estão empenhados nesta busca, quando encontram-se, acreditam também ter realmente encontrado sua alma gêmea, dispensando maior profundidade de conhecimento. Quando a comunhão de “almas” não é atingida, desfaz-se a relação e imediatamente inicia-se novamente a mesma busca.

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Ciúmes, paixão, amor: As diferenças entre Homens e Mulheres no relacionamento. Como o homem ama?

August 19, 2010 – 2:52 pm

Uma explicação psicológica possível para entendermos porque é mais difícil para o homem procurar um relacionamento, à principio, mais ligado ao amor e menos ligado a sexualidade é descrito por Gikovate (1979). Ele fala sobre o medo do amor ser mais freqüente no homem do que na mulher porque as frustrações sentimentais edpianas femininas são menos dolorosas, o esforço é menos intenso em relação a obtenção da individuação; então, o homem está preparado e mais preocupado com sua individuação. O autor ainda afirma que “… a mulher tem, do ponto de vista da sexualidade, uma condição melhor que a do homem, pelo fato de ser desejada ativamente e não estar sujeita a mesma forma de estimulação visual ” (Gikovate, 1979, p. 131). Ele coloca que o interesse da mulher pelo homem vem através da admiração por esse, através da admiração é que ela se entrega sexualmente.

Na visão de Penteado (1993), o que é romantismo para as mulheres é atração física para os homens. As mulheres, a princípio, procuram e sonham que terão relacionamentos mais profundos com os homens, muito além da visão deles que corresponde a uma noite de relação sexual. E, para o interesse do homem não ficar só em uma noite e passar para além da atração sexual, depende da mulher saber que eles querem sempre achar que estão no comando da conquista. Assim, mesmo que a mulher esteja fazendo a conquista, ela terá mais sucesso se deixar o homem acreditar que ele está a conquistando e não sendo conquistado.

Para Verissimo (1997), a idéia da união dos sexos tem como objetivos a reprodução e o divertimento. Para isso ocorrer, sem problemas, é preciso que homens e mulheres tenham ideais iguais e que as diferenças entre os sexos sejam somente as estruturais e biológicas. Mas, o que ocorre na realidade é que homens e mulheres parecem ser de espécies distintas, com valores, regras, cultura e linguagem diferentes e as maiores diferenças de idéias vem justamente do que os une, o sexo.

Segundo Monesi (1995), o homem precisa estar sempre conquistando a mulher e, quanto mais trabalho ele tiver para isso, mais há interesse em fazê-lo. Se o objetivo de sua conquista não impõe certos empecilhos, o conquistador pode perder o interesse por sua conquista. E quando conseguem o que querem, logo vem outro objetivo.

Querer outro desafio na hora da paquera não ocorre só com os homens. As mulheres, apesar de seus objetivos, às vezes diferentes, também arrumam um novo interesse quando a meta anterior foi atingida dentro do processo da conquista.

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Como os Médicos e outros profissionais da saúde lidam com a morte no hospital

August 18, 2010 – 4:35 pm

Os profissionais da área de saúde tem junto de si a presença e proximidade constante da morte, entretanto, não tiveram uma preparação profissional adequada para enfrentar tais situações no cotidiano hospitalar

O profissional da saúde, teoricamente é preparado para lidar com a morte, a qual, na maioria das vezes é representada por figuras tristes, solitárias e ameaçadoras

Nos cursos de medicina, em geral, as aulas começam nos laboratórios de anatomia, fazendo com que os futuros médicos entrem em contato com a morte despersonalizada, sem identidade e sem história. A doença e a morte são descaracterizadas na tentativa de retirar delas quaisquer aspectos que possam envolver relações pessoais que venham a despertar emoções “indesejáveis” (Kovács, 1989).

No ensino médico, os estudos baseiam-se na dicotomia órgão-corpo, corpo-mente e doença-doente. Ao desconsiderar o paciente como um todo, o trabalho do médico acaba sendo desumano. O tratamento deve ser dado à pessoa como um todo e não ao processo diagnóstico-cura. Ao médico deveria ser ensinado o saber ouvir e, sabendo ouvir, a diferenciar os seus sentimentos dos do paciente, para não correr o risco de manter uma relação projetiva (Esslinger, 1995).

Nos últimos anos, com o surgimento de doenças como a AIDS, a morte vem se tornando tema necessário na formação do profissional da saúde. Na prática desses profissionais, a morte está presente em qualquer lugar onde se possa pensar a presença de seres humanos (op. cit.).

Para os profissionais da área de saúde, o desafio está no duelo entre o status profissional consciente e o inconsciente, onde estão seus fantasmas, medos e tabus. “Para poder exercer a medicina, todo médico necessita incorporar a morte em si, “vacinar-se” para poder conhecer algo sobre ela, lidar com ela, enfrentá-la. Essa vacinação, muitas vezes, produz o resultado do médico se transformar na própria morte (não reconhecer a morte e a vida dos pacientes nem sua própria vida e morte). Entretanto, a medicina não existe isolada dos médicos e cada um irá incorporar a morte – inoculada durante o curso médico – de acordo com sua individualidade” (Lessa, 1995, p. 16).

O fracasso em perder uma vida pode ser uma experiência traumática para muitos profissionais, por isso, muitos procuram relacionar-se com seus pacientes mantendo um papel profissional, esquecendo-se que são pessoas. No entanto, tal comportamento parece impossível, já que a presença da morte em algum momento depara a todos (Cruz, 2001).

A relação médico-paciente muitas vezes é vista como desumana, enquanto deveria ser o contrário. Espera-se que o médico não tenha pressa em seu atendimento, ouça o paciente com atenção, dê explicações sobre as doenças, seja empático, compreensivo e saiba comunicar o diagnóstico e o prognóstico ao paciente e sua família. Porém, deve-se lembrar que o médico está em constante contato com a morte, seja ela real ou algo contra o qual ele tem que lutar. Por isso, torna-se importante compreender os sentimentos e emoções que envolvem a relação médico-paciente, o que não justifica o descaso que tem sido visto, mas torna evidente a necessidade de estudar a morte durante a formação acadêmica, isso não só para os médicos e sim, para todos os profissionais da área de saúde

Como a morte é vivenciada no hospital: O Hospital diante da morte

August 17, 2010 – 6:46 pm

Para KOVÁCS (1991) a morte está presente na vida do ser humano em todas as idades, e para cada estágio de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo, ela se apresenta com diferentes características, sendo que a única certeza que o homem tem na vida é de que a morte é inevitável.

Antes do advento da tecnologia, o medo da morte era mais familiar ao homem, havia um compartilhar muito maior tanto no leito de morte, como nos rituais que envolviam a comunidade, sendo permitida a expressão de dor e tristeza. Com o avanço da Medicina e também o desenvolvimento industrial em uma sociedade que valoriza a produção do homem, este se vê solitário no momento de sua morte, em um quarto de UTI. Afastam-se as crianças para que não tenham contato com o moribundo ou com a morte, pois isso pode afetar seu desenvolvimento de forma negativa e acredita-se que as expressões de dor e tristeza devam ser banidas, o que impede a elaboração de luto (id).

Sob o ponto de vista de CAMPOS (1995) morrer é a possibilidade mais extrema e íntima do existir do homem, sendo percebida por ele desde cedo, como sendo a mais certa de todas as suas possibilidades.

De acordo com a autora citada, o homem é provavelmente, o único ser vivo que sabe, com certeza, que vai morrer. Por esse motivo, é difícil ele parar para questionar sobre a morte, pois esta causa uma sensação de desconforto, mal estar, medo do desconhecido; sendo esta situação geradora de muita angústia.

Essa angústia é maior no paciente que se encontra hospitalizado, pois este entrega seu corpo nas mãos dos enfermeiros e médicos, que para ele são estranhos, esperando que eles ajudem-no a sair dessa situação ameaçadora (id.).

No ambiente hospitalar, a preocupação com a morte envolve tanto o paciente e sua família, quanto os profissionais que o assistem. O cuidar de pacientes, especialmente de pacientes em estado terminal, tem sido um desafio para os profissionais da área da saúde (FIGUEIREDO e TURATO, 1995).

O contato íntimo do profissional da saúde com a morte, pode representar uma ruptura com toda a convicção de onipotência e poder, fazendo com que o confronto com a impotência e a consciência da morte resultem em ansiedade e depressão (id).

Para ROMANO (1994), quase ninguém mais morre em casa, o hospital tornou-se o lugar oficial da morte, em especial a CTI (centro de tratamento intensivo) ou UTI (unidade de terapia intensiva). E esse espaço fechado, quase sagrado, faz com que a morte se torne indefinida, selvagem, prolongada e escamoteada, o que provoca reações diversas na equipe de saúde.

SILVA (1995) compartilha dessa idéia afirmando que houve um deslocamento do antigo lugar da morte, que antes era em casa acompanhada dos familiares, para os hospitais, onde serão assistido pelos profissionais de saúde.

MENDES e cols. (1988) afirmam que a doença provoca no paciente hospitalizado um estado de dependência em relação à enfermeira, o que pode ocasionar mudanças na concepção do papel da mesma: do cuidado tradicional de cabeceira que inclui assistência física e psicológica, para um papel mais abrangente de relacionamento mútuo.

Para RIBEIRO, BARALDI e SILVA (1998) a morte é vista como um fato despersonalizado e desagradável, a morte e não o morrer é tida como uma fase do processo de vida, assim como o nascer, o crescer, entre outros. Isso faz com que se torne um tabu discuti-la, sendo que morte, desde a Idade Média até os nossos dias é ocultada, banida e proibida das preocupações do homem.

Avaliação do paciente no Hospital: Uso do Sistema Multiaxial DSM IV

August 16, 2010 – 10:57 pm

Como avaliar o paciente no hospital e detectar os diferentes tipos de transtornos que influenciam na doença e no tratamento, bem como adotar uma classificação de acordo com o DSM IV

Segundo SPITZER e cols. (1996), o DSM-IV Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (APA, 1995), incentiva o uso de um sistema multiaxial para a avaliação, já que este sistema avalia o paciente em uma série de variáveis e em diversos eixos, cada qual referindo-se a um diferente comando de informações que podem vir ajudar o clínico a descrever o tratamento e até mesmo “adivinhar” o resultado. A classificação multiaxial do DSM-IV (APA, 1995) é composta de cinco eixos:

Eixo I Transtornos clínicos

Outras condições que podem ser um foco de atenção clínica

Eixo II Transtornos da personalidade

Retardo Mental

Eixo III Condições médicas gerais

Eixo IV Problemas psicossociais e ambientais

Eixo V Avaliação global do funcionamento

Segundo o DSM-IV (APA, 1995), o Eixo I traz alguns Transtornos como: do humor, de ansiedade, sexuais, alimentares, do sono, relacionados a substâncias e somatoformes. Já o Eixo II diz respeito aos Transtornos de Personalidade (Anti-Social, Paranóide, Dependente, Obsessivo-Compulsivo e outros) e Retardo Mental. No Eixo III analisa-se as Condições Médicas Gerais como: doenças infecciosas, neoplasias, doenças metabólicas, endócrinas, doenças do sistema nervoso, circulatório, respiratório, digestivo e outras). O Eixo IV vai relatar os Problemas Psicossociais e Ambientais como: problemas de educação, ocupacionais (desemprego), moradia (adequada, inadequada), problemas econômicos (pobreza, recursos financeiros inadequados), problemas com o acesso aos serviços de cuidados à saúde, problemas relacionados ao ambiente social (viver sozinho, discriminação, adaptação à transição no ciclo de vida como aposentadoria) ou ainda problemas relacionados com o grupo de apoio primário (família). E por fim o Eixo V, que é a Avaliação Global do Funcionamento, onde se considera o funcionamento psicológico, social, ocupacional em um continum hipotético de saúde-doença mental.

Diversos estudos observaram que o transtorno de somatização freqüentemente coexiste com outros transtornos mentais. Aproximadamente 2% dos pacientes com transtorno de somatização apresentam sintomas psiquiátricos identificáveis, e até metade dos pacientes têm outros transtornos mentais. Os transtornos da personalidade freqüentemente associados são aqueles caracterizados por aspectos paranóides, esquiva, autodestrutivos e obsessivos-compulsivos (KAPLAN, SADOCK e GREBB, 1997).

Os transtornos distímicos (humor deprimido) afetam de 3% a 5% da população geral e aproximadamente 30% a 50% dos pacientes de clínica psiquiátrica geral, e freqüentemente coexiste com outros transtornos mentais, especialmente transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade (principalmente, transtorno de pânico), abuso de substâncias e transtorno da personalidade borderline. Estes pacientes tendem a receber uma extensa variedade de medicamentos psiquiátricos, incluindo antidepressivos, antimaníacos (lítio, carbamazepina) e sedativos hipnóticos (KAPLAN, SADOCK e GREBB, 1997).

Como interpretar os sonhos: Histórico e importância dos sonhos e do sono

August 14, 2010 – 10:53 am

O sonho é uma experiência própria do ser humano estudado nas mais diversas épocas e diferentes culturas. Desde a antigüidade até os dias de hoje, muito tem se pesquisado sobre o mundo dos sonhos tanto dentro do âmbito religioso quanto no científico.

Pode-se encontrar relatos que revelam as crenças e a misticidade dos sonhos em livros religiosos como a Bíblia que possui mais de setenta passagens tratando do assunto, como estará citado a seguir, o Alcorão (livro sagrado dos maometanos) visto que grande parte de seus escritos foram revelados a Maomé em forma de sonho e até mesmo no Talmud (leitura rabínica) sendo que os sonhos aparecem como algo que precisa ser revelado pois contém efeitos transmutadores (FROMM , 1951)

A Bíblia mostra que o sonho durante muito tempo foi uma forma de comunicação entre Deus e os homens e que através deles, muitos conteúdos sobre a vida futura eram revelados. O caráter premonitório dos sonhos aparece em várias passagens Bíblicas como esta: “E aconteceu que, ao fim de dois anos inteiros, Faraó sonhou, e eis que estava em pé junto ao rio, e subiam ao rio sete vacas formosas e gordas de carne, e pastavam. E eis que subiam do rio após elas, outras sete vacas feias e magras de carne; e paravam junto às outras vacas no pasto. E as vacas feias e magras, comiam as sete vacas formosas e gordas. Então acordou o Faraó. Chamou o Faraó um garoto de nome José para que interpretasse seu sonho e assim foi feito. Disse José ao Faraó: O sonho do Faraó é o que Deus fará. As sete vacas formosas são sete anos de muitas fartura que o Egito enfrentará e as sete vacas magras e feias são os sete anos de fome e miséria que se sucederá” (Bíblia Sagrada, 1969, p. 47, antigo testamento).

Na Idade Média, o sonho passou a ser encarado como portador de uma força cognitiva em relação aos fatores da realidade externa objetiva, especialmente o Futuro, o Além e as verdades do relacionamento do homem com o divino, que, de outra forma seriam inacessíveis (WOLFF, 1985).

Segundo a Dra. VON FRANZ em seu livro O Caminho dos Sonhos (1988), na virada do século, os pioneiros da Psicologia não descobriram a importância dos sonhos. Eles a redescobriram. Muitas civilizações antigas levavam extremamente a sério seus sonhos. Por ironia, muita gente que hoje rejeita os sonhos como algo sem sentido, sem saber, aceita e segue valores espirituais, crenças e tradições que se originam diretamente dos sonhos de indivíduos que viveram há milhares de anos. Durante toda a história religiosa da cultura judeu-cristã os sonhos tiveram um papel central na determinação do destino da humanidade.

Existem até mesmo autobiografias importantes centradas em sonhos: a primeira, de um médico de Bagdá, Ibn al-Banña de 1068 e é composta de vinte e três sonhos e suas interpretações; a outra, é do historiador damasceno Abn Shama de 1260. Já se tratando do mundo científico, encontra-se Freud que em 1900 lança uma de suas principais obras “ A interpretação dos sonhos” em que descreve a forma como a psique se protege e satisfaz-se durante o sonho. Freud indica que do ponto de vista biológico, a função do sonho é permitir que o sono não seja perturbado. Sonhar é uma forma de canalizar desejos não realizados através da consciência sem despertar o corpo. Freud considera o sonho como um guardião do sono, ao permitir a satisfação parcial dos desejos inconscientes reprimidos. Seria uma forma de manifestação dos impulsos que estão sob pressão da resistência durante a vigília e que podem liberar-se durante o relaxamento do sono. A lembrança dos sonhos não é apenas fragmentária, mas decididamente imprecisa e falsificada e, muitas vezes, ao despertar, as imagens são fracas e pouco inteligíveis. O esquecimento dos sonhos está a serviço da resistência. Parte da dificuldade de fornecer uma descrição dos sonhos se deve ao fato de se traduzir as imagens em palavras ( WOLFF, 1985).

Os sonhos são produtos da própria atividade mental e processam-se, predominantemente, por imagens visuais, mas também recorrem a impressões auditivas; seu conteúdo é derivado da experiência, mostrando conhecimentos e impressões que o indivíduo acordado muitas vezes não percebe (FREUD, 1900).

Além do estado desperto normal, o sono, é naturalmente, o outro estado de consciência cujo reconhecimento é mais comum. As pessoas passam boa parte da vida dormindo, como a maioria dos mamíferos. O desenvolvimento do eletroencefalógrafo (EEG) foi decisivo para o progresso das pesquisas sobre o sono e o sonho. Berger, um psiquiatra alemão, em 1924, foi a primeira pessoa a registrar o EEG de um homem. Berger só publicou os seus primeiros registros em 1929. Suas descobertas abriram caminho a uma intensa atividade de pesquisa. Muitas pesquisas foram realizadas posteriormente para ampliar e aprofundar as descobertas de Berger, colocando ao alcance de todos uma considerável soma de informações sobre a atividade elétrica do cérebro humano (KIMBLE, 1975).

Segundo MAGNIN (1992), os movimentos lentos dos olhos que apareciam logo antes do sono, também ocorriam durante a noite e estavam diretamente relacionados a profundidade do sono. Seu principal foco de pesquisa era por que motivo, quando uma pessoa deveria estar relaxada, seus globos oculares se comportavam como se ela estivesse acordada assistindo a um filme. E a partir daí veio a confirmação de que o sono não é um estado tranqüilo.

Um colaborador muito importante em tais descobertas foi o Dr. William Dement, que em 1952 era aluno do segundo ano da Faculdade de Medicina na Universidade de Chicago e hoje em dia é o atual chefe do Centro de Pesquisa do Sono na Universidade de Stanford também em Chicago. Ele deu a este estranho estágio do sono o nome de REM (rapid eye movementes, ou seja, movimento ocular rápido) e a seu oposto o nome de NÃO-REM. O experimento consistia em acordar as pessoas tanto no estágio REM como no NÃO-REM para verificar se havia alguma diferença. Então em 1957, o Dr. Kleitman que foi de fato quem estava interessado em estudar estes estágio do sono, publicou os primeiros resultados de um estudo no qual as pessoas foram despertadas cento e noventa e uma vezes durante o sono REM. Em 80% dessas ocasiões os pacientes podiam lembrar-se com nitidez de estar sonhando na hora em que foram despertados (MAGNIN, 1992).

Inversamente, em cento e sessenta vezes em que foram despertados pacientes cujas ondas cerebrais e globos oculares imóveis mostravam que estavam que estavam no sono NÃO-REM, houve apenas onze casos (6,9%) em que os pacientes puderam lembrar de estar sonhando. Os pesquisadores ficaram eufóricos e o jovem William Dement não podia esperar para demonstrar a ligação entre o sono REM e os sonhos. Assim, aprendeu a afixar eletrodos em seu próprio couro cabeludo e conseguiu que outro estudante de medicina monitorasse as leituras, com instruções para acordá-lo cada vez que estivesse no sono REM. Ao chegar a hora, o aluno acordou Dement ele não se lembrou de nenhum vestígio de sonho, apenas uma vaga curiosidade para saber que horas eram. Desde então, muito se aprendeu sobre os dois tipos de sono. Os pesquisadores concordaram que existem dois tipos de sono, que se entra e sai de maneira cíclica ( o ciclo médio tem a duração de noventa minutos), que todos sonham mesmo que, pelo fato de poder acordar durante um período NÃO-REM não lembre-se de tê-lo feito (USHER, 1991).

REIMÃO, 1999 (apud, SNYDER,1983) relata que em estudos feitos em humanos e, de um modo mais ou menos paralelo, em todos os mamíferos que tem sido estudados, existem uma alternação rítmica de dois estados fisiológicos distintos. Um estado, a que se deu o nome de período de movimento ocular rápido (REM), por causa de seu atributo mais impressionante, é caracterizado pelo alto grau de atividade do sistema nervoso central (SNC), uma supressão da atividade motora periférica e uma associação temporal com as experiências vividas e alucinatórias denominada sonhos. As provas favoráveis a esta última associação, compõem-se de uma elevada porcentagem de recordações oníricas, quando se faz o sujeito despertar durante o período de sono REM; de uma correlação entre a duração subjetiva da experiência onírica e a duração do período REM associado; e de uma estreita correspondência entre os padrões espaço-temporais dos REM’s e os eventos específicos do sonho.

Ao outro estado deu-se o nome de sono não REM e é o estado durante o qual os padrões de onda cerebral mostram sincronização com a presença de ondas lentas e/ou fusos de sono. Não há REM’s, o SNC parece estar em relativo repouso e não há provas de uma supressão ativa. As provas parecem sugerir que uma atividade psíquica de baixo grau pode ocorrer neste período, mas não justifica a suposição de que os sonhos estejam, em qualquer momento, associados ao sono NÃO-REM (REIMÃO,1999 apud SNYDER,1983).

Para o autor, uma consideração interessante é que pessoas com hipoplasia ou anormalidades no corpo caloso cerebral, cessaram seus sonhos ou perderam a capacidade de sonhar por imagens mas sonhavam com palavras.