Principais tipos de transtornos de humor: Depressão, mania, bipolaridade

January 25, 2012 – 10:45 am

Quais os tipos de Transtorno de HumorTeste de depressão, Teste de ansiedade, Teste de Bipolaridade

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana DSMIV (2000) a seção relativa aos transtornos de humor inclui aqueles quadros que têm como característica predominante uma perturbação importante no humor.

A seção está dividida em três partes. A primeira descreve episódios de humor relativos à depressão como: episódio depressivo maior, episódio maníaco, episódio misto e episódio hipomaníaco. Estes episódios não têm seus próprios códigos diagnósticos nem podem ser diagnosticados como entidades distintas: entretanto, eles servem de “blocos de construção” para o diagnóstico dos transtornos. A segunda parte descreve os transtornos de humor relativos ao: transtorno depressivo maior, transtorno distímico e transtorno bipolar I.

O conjunto de critérios para a maior parte dos transtornos de humor exige presença ou ausência dos episódios de humor descritos acima. A terceira parte compreende os especificadores que descrevem o episódio de humor mais recente ou curso de episódios recorrentes.

Os transtornos de humor estão divididos em transtornos depressivos, transtornos bipolares e dois transtornos baseados na etiologia – transtorno de humor devido a uma condição médica geral, que se refere a uma depressão decorrente de uma problemática orgânica e transtorno de humor induzido por substância.

Os transtornos depressivos (a saber, transtorno depressivo maior, transtorno distímico e transtorno depressivo sem outra especificação) são diferenciados dos transtornos bipolares pelo fato de haver uma história de jamais ter tido um episódio maníaco, misto ou hipomaníaco. Já os transtornos bipolares (transtorno bipolar I, transtorno bipolar II, transtorno ciclotímico e transtorno bipolar sem outra especificação) envolvem a presença (ou história) de episódios maníacos episódios mistos ou episódios hipomaníaco, geralmente acompanhados pela presença (ou história) de episódios depressivos maiores.

a) O transtorno depressivo maior consiste por um ou mais episódios depressivos maiores (isto é, pelo menos duas semanas de humor deprimido ou perda de interesse, acompanhado pelo menos quatro sintomas adicionais da depressão).

b) O transtorno distímico se faz necessário observar por pelo menos 2 anos de humor deprimido na maior parte do tempo, acompanhado ainda por sintomas depressivos adicionais que não satisfazem os critérios para um episódio de depressão maior.

c) Transtorno depressivo sem outra especificação é incluído para a codificação de transtornos com características depressivas que não satisfazem os critérios para transtorno depressão maior, depressão distímico, transtorno de ajustamento com humor deprimido ou transtorno de ajustamento misto de ansiedade e depressão (ou sintomas depressivos a cerca dos quais existem informações inadequadas ou contraditórias).

d) Transtorno bipolar I é caracterizado por um ou mais episódios maníacos ou mistos, geralmente acompanhados por episódios depressivos maiores.

e) Transtorno bipolar II caracteriza-se por um ou mais episódios depressivos maiores acompanhados por pelo menos um episódio hipomaníaco.

f)Transtorno ciclotímico é caracterizado por pelo menos 2 anos com    numerosos períodos de sintomas hipomaníacos que não satisfazem os critérios para um episódio maníaco e numerosos períodos de sintomas depressivos que não satisfazem os critérios para um episódio depressivo maior.

g) Transtorno de humor devido a uma condição médica geral é caracterizado por uma perturbação proeminente e persistente do humor, considerada uma conseqüência fisiológica direta de uma condição médica geral.

 

Ciume e baixa autoestima: A insegurança no relacionamento e o ciúme doentio

January 22, 2012 – 5:07 pm

O ciúme doentio ou ciúme patológico e a insegurança causada pela baixa auto-estima

A insegurança no relacionamento pode levar ao desenvolvimento do ciúme doentio no qual o parceiro ou parceira tenta de todas as formas o controle do outro, gastando enorme energia e deixando de viver uma felicidade por não acreditar em suas próprias possibilidades e encantos.

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O ciúme doentio é uma patologia, ou seja, uma doença que se desenvolve pela perda de confiança no parceiro, quer seja por uma situação verdadeira de infidelidade, quer seja por uma fantasia de perda que faz com que o parceiro (a) alimente uma desconfiança no relacionamento, criando uma necessidade de tentar saber sobre tudo que o outro quer ou faz, para aplacar a duvida de que não está sendo traído ou traída.

A principal característica da pessoa que desenvolve o ciúme é a baixa auto-estima, pois existe uma relação direta entre a insegurança e a capacidade de enxergar e se apropriar de suas qualidades e se garantir no relacionamento, sabendo que tem o que oferecer e que pode ser satisfeita nesta relação.

Conforme Amorim (2003), a auto-estima é entendida como o sentimento que a pessoa tem em relação a si mesma, podendo variar de intensidade (baixa auto estima, ou elevada auto-estima ) e para que alguém se sinta feliz, muitos fatores podem ser considerados como pilares. Uma certa unanimidade deve haver em temas como saúde, realização profissional, experiências afetivas prazerosas e positivas. E uma das condições para se alcançar o sentimento, de satisfação consigo mesmo e com a vida em geral é a auto-estima.

Conforme Dorsch (apud, Capitão,2003), o rebaixamento da auto-estima se expressa por sentimentos de desvalia, de vergonha, de inadequação e por  constante sensação de inferioridade.

Para Vanim (2003), as qualidades como a confiança em seu próprio potencial mental, habilidade de pensar agir,  lidar com os desafios da vida e a consciência do seu valor, dignidade e o direito de ser bem sucedido é o conceito de auto-estima. A expressão no rosto, o jeito de se mover, de falar, andar, demostrar seu prazer de existir descreve a fisiologia da auto-estima.

Já segundo Braga (2003), a auto-estima é formada pela  auto- imagem (imagem que cada pessoa  tem de si mesma), somada ao auto-conceito (quem e o que achamos que somos, consciente ou inconscientemente), que é desenvolvido a partir de estímulos e informações que recebe do seu ciclo social. Conceitos enaltecedores ou pejorativos são atribuídos aos indivíduos pela sociedade e dependendo dos papéis que executam estes valores refletem de maneira muito significativa.

Branden (2002), descreve que a baixa auto-estima correlaciona-se com a irracionalidade, rigidez, cegueira diante da realidade, conformismo ou rebeldia imprópria ,medo do novo e não familiar, postura defensiva, comportamento por demais submisso ou supercontrolado. A baixa auto-estima busca a segurança  do que é conhecido e pouco exigente. A auto-estima saudável (elevada auto-estima, ainda segundo o autor correlaciona-se com racionalismo, intuição, realismo, independência, criatividade, flexibilidade, habilidade para lidar com mudanças. Quanto mais sólida for nossa auto-estima, mais rápido conseguiremos nos erguer depois de um tombo e mais preparado estaremos para lidar com os problemas que surgem em nossa vida pessoal e profissional).

De acordo com Amorim (2003, Apud Branden, 1982), afirma que  o cerne do julgamento que fazemos sobre nó mesmos é a auto-estima e que nenhum outro juízo é mais importante do que a auto avaliação, e muito do nosso êxito ou fracasso dependerá, diretamente, da nossa auto-estima, pois  a auto-estima tem uma dimensão de sentir-se merecedor e também de ser competente. Ter a auto-estima elevada é sentir-se merecedor da felicidade, acolher com suavidade as adversividades da vida e receber críticas com atitude reflexiva, ou seja, a auto-estima é o sistema imune da consciência.

Para Cunha (2003),  auto-estima é como a pessoa se sente em relação a si mesma, é um sentimento de amor próprio e respeito pela sua pessoa. A auto-estima é a mola que nos impulsiona para o êxito ou para o fracasso, toda pessoa tem necessidades psicológicas de se sentir amada e valorizada e o bem-estar emocional não depende somente do ser amada, mas do sentir-se amada.

Quanto a auto-estima na adolescência, pode-se perceber que esta é baseada mais em pessoas do que em fatos, onde a realidade passa a ser o que é confirmado pelos outros e depende das expectativas e valores alheios e de conquistar a aprovação do grupo. E o substituto da verdadeira auto-estima para o adolescente é o decréscimo de ansiedade que  resulta quando se conquista a aprovação dos  outros   (Appleton, 1989)

Segundo Harter (1990, apud, Bee 1997), o indivíduo lá pelo final da adolescência, entre os 19 ou 20 anos possui uma idéia bastante mais positiva  de sua autovalia global do que possuía aos 8 ou 11 anos. No início da adolescência, uma breve queda na auto-estima, parece estar associada não tanto á idade, mas à mudança de escola (ou dos graus numa mesma escola) ao mesmo tempo em que se dão as variações da puberdade. Um estudo recente, realizado por Harter, mostra que o conceito de si passa a ser diferenciado cada vez mais na adolescência, na medida em que o jovem começa a ver a si mesmo de modo  diferenciado em cada um dentre vários papéis: como estudante, com os amigos, com os pais, e em relações amorosas.

Conforme Branden (1982),  a auto-estima tem dois aspectos psicológicos inter-relacionados como fenômeno psicológico:  uma sensação de eficiência pessoal  e uma sensação de valor pessoal. A soma integrada de autoconfiança e auto-respeito, é a experiência de que somos adequados para a vida e para suas exigências

 

Psicologia Jurídica: Campo de atuação da Psicologia Jurídica e trabalho do Psicólogo Perito

January 18, 2012 – 6:29 pm

A Psicologia Jurídica é considerada historicamente como um ramo da Psicologia que estuda o comportamento  criminal do ser humano, observando o cumprimento da pena imposta ao infrator (Silva, 2003). Veja a atuação do Psicólogo Forense

A Psicologia Jurídica pode caracterizar-se como uma área que corresponderia a “… um instrumento auxiliar no exercício da Justiça nos processos que tramitam nas Varas da Infância e da Juventude e nas Varas de Família e Sucessões dos Foros Regionais, e nos Tribunais de Justiça dos Estados” (Silva, 2003, p.49).

Houve um aumento  do estudo da Psicologia decorrente da necessidade  da busca pela norma  a ser aplicada nas disposições legais relativas à matéria no campo jurídico que esteja de acordo com o Direito, aumentando conseqüentemente a atuação da Psicologia Forense e do psicólogo nesta área, que deixam de ser apenas dos foros e tribunais e vão em busca de novas informações e técnicas para a compreensão do comportamento humano (Silva, 2003).

Conforme Camargo (1996), o termo forense é aplicado aos tribunais, ao foro e à Justiça, servindo também para classificar todas as tarefas e atividades de prestação jurisdicional. Nesse sentido fala-se em prática forense, livraria forense e assim por diante.

O psicólogo nomeado perito, atua através de laudos e pareceres  que servem de instrumentos indispensáveis para que o Juiz possa ou não aplicar Justiça. Silva (2003) faz uma divisão deste profissional em psicólogo forense, psicólogo jurídico e psicólogo judiciário apresentadas a seguir as suas características principais:

1- psicólogo forense: atua através da aplicação de procedimentos para avaliar a personalidade e o grau de periculosidade de adultos ou adolescentes, nos processos criminais, nas Varas Especiais da Infância e da Juventude;

2- psicólogo jurídico: atuando como perito dentro dos processos civis ou fora como assistente técnico da instituição judiciária, observando o mecanismo familiar das pessoas no processo de litígio nas Varas da Família e nas Varas da Infância;

3- psicólogo judiciário: psicólogo jurídico que atua dentro do sistema judiciário.

Há uma escassez de fontes bibliográficas sobre a  Psicologia Jurídica, principalmente no Brasil. França (2004) denomina a Psicologia Jurídica como uma área que relaciona diretamente psicólogos com o sistema de justiça, preferindo o adjetivo jurídico  por ser mais abrangente e por  referir-se aos preceitos  concernentes ao Direito. Já o termo forense especifica ser relativo ao foro judicial e aos tribunais .

Para Palomba (1999), psiquiatra forense atuante em São Paulo, há necessidade de pelo menos dois anos de experiência prática na área clinica para uma delimitação mais precisa do diagnóstico nessa área. Aponta como importante para essa prática profissional o exercício de serviços de perícia, para que o psicólogo adquira a habilidade de ler processos, examinar e discutir casos. Essa posição também é compartilhada por Berno (1999).

Nesta Monografia será dada ênfase na terminologia Psicologia Jurídica e no profissional que a  exerce,  que é o psicólogo perito.

Silva, Vasconcelos e Magalhães (2001) apontam ser a Psicologia Jurídica   uma área nova e pouco conhecida da Psicologia. Como não existem técnicas que lhe sejam  especificas, os psicólogos que nela atuam utilizam técnicas e conhecimentos já prontos da Psicologia principalmente o modelo clínico.

Isto é importante para todas as áreas da Psicologia É muito importante o psicólogo judiciário estar atento à literatura específica para atualizar o seu conhecimento, revisando bibliografias e trocando informações com outros profissionais que atuem na área. A atualização e aperfeiçoamento de métodos e técnicas de trabalho, em conjunto com  a prática diária, são condições que aprimoram o conhecimento nessa área, pela falta de um referencial que lhe seja específico (Silva, Vasconcelos e Magalhães, 2001).

Esse autor discute  ainda que a  Psicologia Jurídica é uma emergente área de especialidade da ciência Psicologia, em especial, quando comparada às áreas tradicionais de formação  e atuação da mesma como a Escolar, a Organizacional e a Clinica. Os setores da Psicologia Jurídica são diversos. Há os mais tradicionais, como a atuação em fóruns e prisões e também atuações inovadoras como a mediação e a autópsia psíquica, uma avaliação psicológica retrospectiva mediante informações de terceiros.

A perícia é  semelhante a um exame de situações ou fatos, feito por um profissional gabaritado ou por algum que conheça a matéria que lhe é submetida. Esse é denominado de perito, podendo então ser um psicólogo  (Brandimiller,1996).

Conforme Silva (2003) essa prática da perícia é  conveniente ou necessário para fornecer ao Juiz informações que passem despercebidos ao conhecimento jurídico ou senso comum. A dispensa do exame do perito só é feita quando o Juiz tem conhecimento do senso comum e assim a determina, ou quando o perito tem relação direta com o periciando.

Para Greco (1994) a perícia documenta conhecimentos especializados, inclusive para exame em grau de recurso. Contudo, o Juiz permanece com o poder decisório, de criticar, comentar  acolher ou não as informações compiladas.

Segundo Barros (1997) a perícia estabelece o campo de atuação da Psicologia Jurídica na busca da realidade dos fatos através da prova pericial. Normalmente essa verdade é oferecida  aos autos sempre parcial e incompleta, não podendo obtê-la por completo, mesmo quanto aos conteúdos  inconscientes que permanecem inacessíveis à investigação ou pelo distanciamento entre o subjetivo e o objetivo do Direito e o  discurso afetivo e subjetivo da Psicologia. Por esses motivos, o intuito da Psicologia Jurídica  é de indicar situações  familiares que nortearão a atuação do psicólogo, do próprio  advogado, do promotor e do Juiz.

 

O que é terapia comunitária? Como é a intervenção em terapia de grupo comunitário

January 16, 2012 – 5:22 pm

A terapia comunitária tem características de um grupo de mútua ajuda onde é importante o espaço para falar, ouvir e construir vínculos e desse modo oferecer apoio ao indivíduo e a família que está passando por situações que geram estresse e sofrimento psíquico, como cita Barreto (2005).

Uma das formas de conhecimento pode ser utilizadas pelos psicólogo são testes psicológicos e testes de personalidade. Clique nestes links e obtenha mais informações e exercite estes testes de psicologia.

As intervenções realizadas pelo terapeuta comunitário são em Saúde Mental Comunitária e esta intervenção se dá nas redes que compõem o sistema das relações humanas. No indivíduo, na família, na comunidade quando a coletividade apóia as pessoas que vivem em situações de estresse e crise.

O terapeuta tem como ponto principal, a situação que está gerando o problema e a partir desta estimula e favorece o desenvolvimento das competências do indivíduo e das pessoas que estão próximas dele para que adquiram consciência e co-responsabilidade quanto à situação.

Tudo isso ocorre através de questionamentos e o terapeuta comunitário tenta articular os diversos níveis desse problema em suas dimensões biológicas, psicológicas, sociais e políticas. O apoio vem da competência e jamais das carências (Barreto, 2005).

Como nos dias atuais os espaços de escuta na sociedade estão cada vez mais reduzidos. A terapia comunitária torna-se um espaço apropriado para que as pessoas possam ser ouvidas.

O estimulo à escuta é uma das regras da terapia comunitária, pois a partir desta demonstra-se atenção e respeito pelo que o outro vivencia ou vivenciou e que de alguma forma lhe traz sofrimento. Ao falar, a pessoa coloca para fora algo que está lhe sufocando e consegue dar significado para a dor ou crise através da fala ou das músicas e provérbios conhecidos na terapia comunitária.

Por sua vez, o ouvinte relaciona a sua vivência com a do outro e divide a sua experiência o que vem a ser a base da terapia comunitária.

Segundo Barreto (2003), a terapia comunitária é voltada para um conjunto de pessoas que pertencem a uma mesma cultura, partilham dos mesmos recursos de comunicação e mantém, entre si, laços de identidade (comunidade).

A população alvo da terapia comunitária são os grupos que vivem em contexto de desagregação e exclusão social, onde se encontra a pobreza econômica, cultural, a fragilidade de laços sociais, a incapacidade democrática de organização e auto-imagem desvalorizada que em muitas vezes leva a perda da identidade e dignidade (Barreto, 2003).

Essa comunidade carente costuma defrontar-se com múltiplos problemas que além de estreitar as possibilidades de viver em dignidade também contribui para o empobrecimento de si mesmo e que as crenças de possíveis mudanças parecem não mais existir. Em seu lugar encontra-se somente a apatia de pessoas sofridas e impotentes que acreditam que nada se pode modificar. Nesse contexto está a violência, pois aqueles que não dão valor a sua própria existência jamais conseguirá reverter em valorização da vida do outro (Grandesso, 2002).

A Orientação se dá quando a comunidade passa a funcionar como agente terapêutico no processo de inserção social, respeitando sua própria cultura e resgatando suas identidades. E quando criam uma consciência social nova, ou seja, em meio às tantas dificuldades sociais e sofrimentos descubram suas potencialidades e a capacidade de transformação (Barreto, 2005).

Segundo o mesmo autor, a ética orienta a proposta da terapia comunitária e busca o rompimento entre o saber científico e o popular de modo que ocorra um respeito mútuo entre os saberes e que ambos se completem.

A mesma permite o alcance da solidariedade e do respeito para que o indivíduo em sofrimento possa libertar-se gradativamente deste, e isso ocorre ao acolher, vivenciar, partilhar e descobrir a sua cura. E que também possa respeitar as diversidades culturais e suas variadas representações.

 

O estresse e as reações do nosso corpo à situações de conflitos.

January 13, 2012 – 7:34 pm

Quais as influências do estresse em nosso organismo e como reagimos a situações de conflitos ou ameaçadoras

O Stress consiste num conjunto de reações que preparam o organismo humano para a luta pela sobrevivência provocando uma resposta física.

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Para Perez (1990) a doença integra fatores de ordem biológica, psíquica, cultural e social. O organismo é inserido em um meio, envolvido por emoções, onde funcionamentos somáticos não se dão de forma isolada e independente, e sim indissociável ao seu funcionamento psíquico.

Campos (1992) ressalta que as pessoas reagem diferentemente ao estresse, dependendo do próprio indivíduo em função de sua formação, histórica, estrutura e dinâmica de personalidade e circunstâncias, dentre outros aspectos.O mesmo se aplica ao modo de reagir, enfrentar e se adaptar ao estresse.

Para Lipp e colaboradores (1998) uma boa compreensão e controle do estresse preparam o organismo para lidar com situações difíceis da vida, sendo que uma vez não controlado e permanecendo constantemente na vida da pessoa, o estresse pode desencadear processos sintomáticos, tais como a pressão alta, o enfarto, a artrite, a asma demartistes.

Foram realizadas por Lipp e Guevara (1994) pesquisas para padronização e validade do ISSL (Manual do Inventário de Sintomas de Stress Lipp).Contribuiu para amostra 1.843 adultos, podendo-se verificar que 810 pessoas (44%) não possuía sinais significativos de stress, e 1% estavam na fase de exaustão e a maioria (53%) encontrava-se em resistência.

Os voluntários que participaram da avaliação, foram solicitados em diversos lugares desde quiosque montado em shopping, em colégios e universidades, eram pessoas que estavam interagindo em meio a uma comunidade.

Outro estudo realizado por Lipp (1999) com mil funcionários de várias empresas, na qual procurou averiguar a relação entre estresse e qualidade de vida, mostrando existir uma correlação positiva entre tais variáveis.

No quadrante saúde, p foi <0, 01, no quadrante afetivo p< 0, 05, quadrante social p< 0,05 e no quadrante profissional p =0, 02, neste estudo tudo indica que a qualidade de vida pode ser prejudicada pelo estresse.

O estresse se refere a um padrão de resposta definido, claro e eletroquímico no corpo humano, aos agentes estressores. Estes quebram a homeostase interna do organismo, exigindo alguma adaptação Albrecht (1990 p.53).

O hipotálamo, contíguo com a hipófise, secreta substâncias conhecidas por neuro-hormônios, como é o caso, entre outros, da dopamina, da norepinefrina e do fator liberador da corticotrofina (CRF), sítio cerebral responsável pelo conjunto de respostas orgânicas aos agentes estressores. Uma das principais ações da hipófise durante o estresse se faz sentir nas glândulas supra-renais.

O hipotálamo, produzindo o CRF, estimula a hipófise para aumentar a produção do ACTH (Hormônio adrenocorticotrópico), o qual por sua vez, promove o aumento na liberação dos hormônios da supra-renal, que são os corticóides e as catecolaminas. Estes são de fundamental importância na resposta fisiológica ao estresse. O aumento na produção desses hormônios pelas supra-renais é o principal indicador biológico da resposta ao estresse.

Os níveis aumentados de corticóides influenciam o sistema imunológico inibindo as respostas inflamatórias, afetando essencialmente a função das células.

Temporariamente esta inibição da imunológica parece ser benéfica, tendo em vista diminuir a intensidade das reações inflamatórias aos agentes de estresse.

Além dos corticóides (cortisona) e catecolaminas (adrenalina) das supra-renais, outros hormônios participam da revolução orgânica do estresse. O ACTH, a vasopressina, a prolactina, o hormônio somatotrófico (GH), o hormônio estimulador da tireóide (TSH), que são hipofisários, também atuam sobre o sistema imunológico por meio de receptores específicos nas células linfóides. Para compreender melhor os mecanismos hormonais do estresse, é importante saber que esses hormônios são também produzidos, em pequenas quantidades, por linfócitos (Albrecht 1990,p.56).

Outras substâncias produzidas por linfócitos e que participam ativamente das reações de estresse são as linfocinas e monocinas.

Segundo Albrecht (1990) essas substâncias são secretadas por células linfóides e macrófagos, e são dotadas da capacidade de amplificar a inflamação produzida pelas reações imunológicas. Algumas dessas linfocinas e monocinas podem influenciar glândulas na liberação de alguns hormônios, como é o caso da Interleucina 1, que volta a estimular a hipófise na  liberação de ACTH.

Diversos outros produtos inflamatórios, como prostaglandinas, leucotrienos, tromboxanes, e outros, produzidos nas mais variadas células, linfóides ou não, desempenham alguma influência sobre o sistema imunológico. Eles atuam sobre os linfócitos T e macrófagos, estimulando-os ou inibindo-os na reação ao estresse ( Albrecht, 1990) .

Além desses hormônios e neuro-hormônios produzidos pelas supra-renais, linfócitos e hipotálamo, acredita-se, atualmente, no importante papel dos neuropeptídeos na regulação, transmissão e execução das ações do sistema nervoso.

 

Trabalho do Psicólogo na Saúde e na Psicologia Hospitalar: Campo de atuação da psicologia na área hospitalar

January 10, 2012 – 10:11 am

A importância da Psicologia na área da Saúde e a Psicologia Hospitalar.

Segundo MIYAZAKI e SILVARES (2001), o trabalho de psicólogos em instituições de saúde surgiu conjuntamente com a preocupação de integrar a psicologia na educação médica.

De acordo com MIYAZAKI e SILVARES (2001) ao fazerem uma revisão da literatura relatam que hoje o psicólogo da saúde tem o papel de “humanização” do atendimento, isto justifica a inserção deste profissional na área. As principais causas de morbidade e mortalidade modificaram-se, pois antes eram doenças como a tuberculose e pneumonia que matavam, hoje as doenças estão diretamente relacionadas ao estilo de vida e padrões comportamentais, como câncer e doenças cardiovasculares, além disto pode-se salientar que os crescentes custos dos serviços de saúde tem posto em evidência a importância da educação sobre práticas saudáveis e preventivas com a finalidade de diminuir a vulnerabilidade para as doenças, deste modo a importância de uma intervenção para aumentar a adesão ao tratamento bem como, reduzir o impacto da doença sobre o funcionamento do indivíduo.

A psicologia da saúde segundo MATARAZZO (1980) é um conjunto de contribuições provenientes das áreas educacionais, científicas e profissionais específicas da psicologia, facilitando assim a prevenção da saúde, manutenção e tratamento das doenças, somente com a colaboração destas áreas tornou-se possível a identificação da etiologia e dos diagnósticos relacionados à saúde, à doença e suas disfunções, bem como analisar o desenvolvimento do sistema de atenção à saúde e formação das políticas de saúde.

CHIATTONE (2000) relata que a psicologia no contexto hospitalar surgiu em resposta às novas necessidades de ampliação do saber biopsicossocial na compreensão da doença, tentando modificar as concepções do modelo biomédico, a partir daí definiu-se o surgimento da medicina psicossomática, da medicina comportamental e da psicologia da saúde. O modelo biomédico começou a ser questionado por não ter uma compreensão completa e profunda dos problemas humanos; por não atingir um conhecimento que permitisse relacionar a doença com a existência do homem; por dissociar a promoção da saúde, mesmo tendo conhecimento técnico-científico; por impor o conhecimento do médico como único e totalitário; por negar a existência individual do paciente, enfim por não aceitar as influências da interação mente, corpo e meio ambiente em uma perspectiva holística.

É necessário abandonar a visão dualista mente-corpo para que se possa compreender o homem como um todo, ou seja na sua totalidade (ANGERAMI, 1992).

Segundo CHIATTONE (2000) o ressurgimento de estudos ligando mente e corpo, salientando as influências sociais e culturais na ocorrência e manutenção das doenças, delimitaram o modelo biopsicossocial como alternativa teórica ao modelo biomédico. As concepções de saúde e doença ampliam-se em suas dimensões sociais, humanas e existenciais, assim visando sua essência totalizadora, o homem, o ser doente.

Conforme SANTOS e SEBASTIANI (1996) com o passar dos anos, os hospitais começaram a considerar o trabalho do psicólogo em enfermarias, ambulatórios e unidades de atendimento baseados no aqui e agora, no momento vivido pelo paciente, objetivando assim um atendimento humanizado e global do doente.

Atualmente a psicologia no contexto hospitalar apresenta-se em vários domínios e vertentes, diversos recursos metodológicos, várias linguagens e muitas tentativas de fundamentação teórica por meio de publicações científicas. A partir dessa constatação, verificou-se diversas conseqüências na área, como: dificuldade na definição de perspectivas teóricas, dicotomia entre teoria e prática, exagero à subjetividade, conflitos de inclusão nas equipes, conflitos e tentativas fracassadas de dividir entre os próprios psicólogos da área e dificuldade na configuração do espaço psicológico dentro da instituição de saúde (CHIATTONE, 2000).

Embora as constatações acima citadas não sejam as melhores, MIYAZAKI, DOMINGOS e CABALLO (2001) colocam que a psicologia da saúde vem crescendo a cada dia, graças às pesquisas realizadas na área da saúde, que visam promoção de saúde, prevenção e tratamento das doenças.

Segundo CHIATTONE (2000) pode-se dizer que o caminho mais lógico para a definição da psicologia no contexto hospitalar é o reconhecimento da multiplicidade, não esquecendo os  recursos e procedimentos de fundação da própria psicologia, sendo que este reconhecimento deve visar o entendimento e compreensão do ambiente de inserção. Muitos psicólogos da área da saúde identificam seus problemas e tentam superá-los, já que visam o crescimento e o fortalecimento da especialidade, enquanto que outros psicólogos simplesmente negam a existência dessa pluralidade acreditando que a diversidade “vem de fora” não atingindo a área, e ainda alguns vêem esta diversidade de um modo subjetivo: “o que acredito é psicologia, o restante não é psicologia”.

Psicologia Hospitalar: Qual é a função do Psicólogo no Hospital e a função do Psicólogo na equipe de saúde

January 9, 2012 – 9:13 am

Qual é a função do Psicólogo no Hospital e como é o trabalho do psicólogo junto à equipe de saúde

SANTOS e SEBASTIANI (1996) destacam que a função do psicólogo no hospital é a de entender e compreender o que está embutido na queixa, no sintoma e na patologia, para obter uma visão ampla sobre o estado do paciente, para que se  possa estar auxiliando no enfrentamento desse difícil processo, e também propiciar a família e equipe de saúde dando assistência para uma compreensão melhor do estado de vida da pessoa doente. É dever do psicólogo observar e ouvir com paciência as palavras e silêncios, já que é o profissional mais indicado no domínio da terapêutica humana, possibilitando ao paciente entrar em contato com suas angústias e sofrimentos na fase da doença, e assim ajudando a superar os momentos difíceis.

SMALL (1979) afirma que muitas vezes o psicólogo tem que atuar em situações de crise e emergência, visto que deve optar por psicoterapia breve nessas circunstâncias sendo a mesma cada vez mais aceita. O serviço de emergência demonstra a sociedade que é possível lidar com essas pessoas de forma eficiente e segura dentro da própria comunidade, e fazendo com que retornem a uma vida ativa e produtiva.

Em 1984, BLEGER já reforça a necessidade do médico e do psicólogo ampliarem seu trabalho para além dos aspectos curativos e individuais da doença, voltando-se para o social e a comunidade. Para ele, numa medicina da totalidade, o orgânico, o psíquico, o emocional, o individual e o social são inseparáveis.

LANCETTI, 1986 (apud CAMPOS, 1995) coloca que o psicólogo além de diagnosticar e classificar, tem de entender e compreender o que está envolvido na queixa, no sintoma e na patologia. Afirma que o profissional da saúde precisa ter a sensibilidade para diferenciar o paciente apático-deprimido do “bonzinho” que “não dá trabalho”.

Segundo CAMPOS (1995) o psicólogo necessita ter uma visão ampla do que está se passando com o paciente, pois a leitura “apenas” do sintoma orgânico não permite uma abertura para o paciente, já que o psicólogo não é um classificador de doenças, além de diagnosticar e classificar vai ter que entender e compreender o que não está manifesto. Pode-se afirmar ainda que o psicólogo tem importante contribuição no sentido da humanização no hospital. A humanização do atendimento vai desde a indicação da internação, a orientação médica e assistência geral que o paciente recebe, incluindo também assistência à sua família.

De acordo com FREITAS (1980 apud CAMPOS, 1995), a equipe de saúde sabe que por trás do diagnóstico existe uma pessoa e esta percepção faz com que os profissionais sintam-se angustiados. Neste sentido nota-se que a relação médico-paciente é cada vez mais substituída por exames de laboratórios, radiografias, medicamentos, ignorando assim que por trás de um diagnóstico, existe uma pessoa, um nome, uma história de vida e principalmente um ser humano que tem direitos, não havendo espaço para a relação e o diálogo.

GORAYEB (2001) destaca a importância da adequação no relacionamento dos profissionais da saúde com o paciente, e que a informação é um direito essencial do paciente sendo obrigação dos profissionais, principalmente do médico, garantir que a informação foi dada, sendo que compreender é função do trabalho do psicólogo. Este deve utilizar todo seu conhecimento para que a informação chegue ao paciente em seu nível de compreensão e não em uma linguagem técnica, que muitas das vezes só esconde a incompetência para relacionamento interpessoal de quem a fornece. É imprescindível lembrar-se que a informação é parte do processo terapêutico para paciente internado, pois bem informado o paciente evolui melhor, mais rápido e sofre menos psicologicamente.

Neste sentido as equipes multidisciplinares apareceram no país, especialmente nos centros mais desenvolvidos ou nos que existiam atividades universitárias. Segundo GORAYEB (2001) estas equipes eram compostas por um profissional ou mais profissionais, além dos tradicionais das áreas médicas e de enfermagem, porém nem sempre agiam como uma equipe, mas o tempo e a própria prática possibilitaram mostrar a necessidade de uma maior integração entre estes profissionais. Em seguida, surgiram as equipes interdisciplinares com os membros da equipe interagindo entre si, para buscar uma qualidade de vida melhor para os pacientes.

Hoje no Brasil tem muitos hospitais tradicionais que funcionam somente com médicos, enfermeiras e auxiliares de enfermagem, contudo alguns outros já admitem a inserção de outros profissionais de saúde, incluindo o psicólogo, nutricionista, biomédico, terapeuta ocupacional, assistente social e outros, porém, ainda estão em condição de equipes multiprofissionais (GORAYEB, 2001).

Psicologia Hospitalar: O Trabalho do Psicólogo Hospitalar e a avaliação psicológica no Hospital

January 7, 2012 – 12:53 pm

A Psicologia Hospitalar e as avaliações psicológicas no contexto hospitalar para melhor disgnóstico e tratamento das doenças

O trabalho do Psicólogo Hospitalar junto à equipe multidisciplinar no Hospital Geral está sendo cada vez mais valorizado, tendo em vista os benefícios para o paciente, para a equipe e para a melhora do prognóstico, bem como, no melhor conhecimento da doença e das consequências da enfermidade para o paciente.

As avaliações psicológicas poderão ajudar a determinar a existência de fatores psicológicos, e conseqüentemente existe a possibilidade de influenciarem no manejo futuro. Nestas avaliações, dados como história de vida pessoal, social, econômica, familiar e ocupacional devem ser obtidos, pois podem influenciar significativamente no sucesso do tratamento (FIGUEIRÓ, 1999).

Sabe-se que a dor é o motivo mais comum de procura ao sistema de saúde atualmente no Brasil, e que a participação dos psicólogos na assistência desses pacientes é muito pequena, sendo incomum um paciente que apresenta procura pelo psiquiatra ou psicólogo. Caso a dor venha ser crônica é muito provável que este paciente já tenha passado por vários especialistas, mas o psiquiatra possui habilidades especiais que podem ajudar os portadores de dor crônica, pois estes apresentam prevalência elevada de transtornos psiquiátricos normalmente não reconhecidos. Existem três categorias de associações entre dor e patologias psiquiátricas, a primeira é a dor secundária à patologia psiquiátrica ou a condição psicológica, a segunda é a patologia psiquiátrica secundária à dor e a terceira a comorbidade (FIGUEIRÓ, 1999).

Os problemas de cada indivíduo são diferentes, cada um tem sua história pessoal, sua originalidade nas manifestações, mesmo que todos pertençam à mesma sociedade, suas sensações devem ser entendidas na sua individualidade. Pode-se dizer que os problemas humanos são vários, indo desde a dor, o sofrimento, o abandono, o desamparo, a angústia e que cada indivíduo se manifesta de um modo pessoal diante da vida, pelo jeito de falar, vestir-se, comportar-se, pelas atitudes do cotidiano, assim como pela manifestação de sua doença (CAMPOS, 1995).

De acordo com KERBAUY (2001) a prevenção de doenças e a adesão ao tratamento estão constantemente vinculados a fatores emocionais, e que ao definir a emoção, deve-se verificar os dados culturais e o desenvolvimento psicológico, buscando assim, fazer parte das diversidades de intervenções e demonstrações dos problemas e desafios pertinentes à área.

Segundo ANGERAMI (2001) as somatizações são cada vez mais aceitas no meio nas intervenções médicas, e a intervenção do psicólogo nesse sentido é decisiva na relação médico-paciente. Fica evidenciado também que muitas patologias tem seu quadro clínico agravados devido a complicações emocionais do paciente. Fazer esta inter-relação é outra forma de fazer da psicologia uma força que mobiliza até mesmo no diagnóstico e na compreensão da patologia que a medicina não tem uma explicação absoluta, não podendo assim negar a importância de determinantes emocionais num quadro de patologias não diagnosticadas com precisão. Pode-se incluir nessa relação os casos em que o paciente se queixa ora de dor estomacal, ora de cefaléia, depois de náusea ou ainda nos casos em que o paciente apresenta sintomas concomitantes a diversas patologias, sem no entanto apresentarem tais patologias.

O autor ainda afirma que os exames clínicos não conseguem dar um diagnóstico preciso, já que o paciente apresenta alternância de sintomas, é diagnosticado quando se procura entender além dos sintomas, neste caso a “dor d’alma” que está presente em muitos pacientes. Com isso é interessante ressaltar que apesar de toda a sofisticação tecnológica da medicina, ainda é imprescindível o profissional psicólogo pela sua condição de escuta das manifestações da “alma” humana.

Segundo SEBASTIANI (1998) é fundamental a interação da equipe, e o equilíbrio emocional tanto individual quanto grupal, sendo estes instrumentos essenciais nas situações de emergência, pois os profissionais da saúde “emprestam”, mesmo que por um período curto de tempo esse equilíbrio ao paciente e a sua família, até que os mesmos possam estar se reorganizando para enfrentar ou superar a crise que é um momento de desesperança, desorganização, despersonalização e até mesmo de morte.

Vários estudos apontam para uma variedade de estímulos emocionais nocivos aos quais os profissionais de saúde estão expostos, dentre eles pode-se destacar a intensa relação com as questões relacionados ao processo de morte e morrer; o cotidiano de trabalho por vivências ligadas a dor, sofrimento, angústia, desesperança, medo, impotência, desamparo e perdas de diversos tipos; a difícil tarefa de se relacionar e tratar de pessoas que se apresentam, poliqueixosas, agressivas, hostis, deprimidas, dependentes e inseguras e que na maioria das vezes fantasiam um tratamento rápido, indolor, sem frustrações e muitas vezes sem um investimento pessoal no processo de tratamento e reabilitação (CHIATTONNE, 1997; MARTINS, 1989; NOTO, 1984 e MCCUE, 1982).

Psicologia Hospitalar: A inserção da Psicologia no contexto Hospitalar e a importância do Psicólogo na equipe multidisciplinar de saúde

January 5, 2012 – 6:43 pm

A inserção da Psicologia Hospitalar e a importância do Psicólogo Hospitalar no trabalho interdisciplinar na equipe de saúde

A entrada de psicólogos nos hospitais deu-se por mudanças dos paradigmas na saúde, várias circunstâncias podem ser citadas para o desenvolvimento da psicologia no contexto hospitalar como: desencadeamento de transtornos psicológicos devido a novas drogas; a intensificação de realização de procedimentos cirúrgicos, sendo que o paciente necessita ficar em unidades de terapia intensiva e unidades de recuperação; número freqüente de pacientes que necessitam de atendimento médico e psicológico simultaneamente (tentativa de suicídio, alcoolismo, drogadicção, episódios psicóticos agudos etc.); reconhecimento dos fatores psicossociais da doença bem como nos aspectos preventivos em saúde; desenvolvimento tecnológico da medicina visto que, as ações diagnósticas e terapêuticas estão cada vez mais refinadas mas também despersonalizadas e desumanizadas; descompensações psicológicas referentes à doença e hospitalização, aumento dos trabalhos em equipe e habilidade para trocas interdisciplinares (CHIATTONE, 2000).

Entretanto GORAYEB (2001) afirma que as práticas de consultório não tiveram eficácia no atendimento hospitalar, devido a não trazerem respostas às necessidades do paciente e da própria equipe. É importante ressaltar que ao se trabalhar com psicologia no âmbito hospitalar não se deve esquecer que não se faz apenas psicologia, mas sim psicologia médica tendo por finalidade estudar as situações psicológicas envolvidas na saúde do paciente, com enfoque para o aspecto da saúde orgânica, visto que os aspectos psicológicos são vistos e tratados associados à saúde física, e assim não devendo ser separado.

O autor ressalta ainda que o paciente hospitalizado é diferente do cliente do consultório, visto que não procurou o psicólogo voluntariamente, sendo que não apresenta quadros de psicopatologia específica, portanto precisa comunicar-se bem com o seu médico assim como, necessita que seu médico se comunique adequadamente com ele, assim faz-se necessário, informação e apoio. O papel do psicólogo hospitalar é de apoiar o paciente, esclarecê-lo, informá-lo, levar a equipe a se relacionar efetivamente com o mesmo, dar-lhe todas as informações do seu estado patológico e seu diagnóstico, com isso o psicólogo hospitalar adquire um papel importante para a harmonia da equipe e para a saúde do paciente.

Complementando o autor acima, obrigatoriamente o psicólogo da saúde deve efetuar intervenções para prevenir doenças ou auxiliar no enfrentamento das mesmas, bem como se aperfeiçoar através de pesquisas sobre o desenvolvimento das doenças e os comportamentos associados às mesmas (MIYAZAKI, DOMINGOS e CABALLO, 2001).

GORAYEB (2001) descreve o que seria uma situação ideal de participação do psicólogo em uma equipe de saúde no ambiente hospitalar, assim como aconteceu na C. M. S. U. (Combined Medical Specialities Unit) do Duke University Medical Center na Carolina do Norte, Estados Unidos, em que o psicólogo, psiquiatra e clínico geral dividem a direção de uma equipe de profissionais que tratam de pacientes com doenças combinadas (de mais de uma especialidade médica), distúrbios psicossomáticos ou doenças crônicas recorrentes.

Segundo GORAYEB (2001) a psicologia é peculiar, já que o psicólogo trabalha basicamente com conselhos ou orientações de conduta verbais, e conselho “qualquer um pode dar”, esta talvez seja umas das dificuldades pela qual a Psicologia passa, visto que para exercer o papel do psicólogo, sem sêlo, “basta” falar com outras pessoas. Assim, a função do psicólogo era e ainda é freqüentemente exercida por outros profissionais, devido a isto, o psicólogo é uma figura ausente em muitos hospitais, em muitas práticas hospitalares, sendo também motivo de conflitos em muitas equipes na qual trabalha o psicólogo, mas onde ainda não existe uma verdadeira interdisciplinaridade.

CHIATTONE (2000) coloca que a doença é a expressão máxima do sofrimento humano e que existe uma ligação do psicólogo no contexto hospitalar com o psiquiatra, em estar resgatando no doente sua essência, por este motivo pode-se dizer que a psicologia no contexto hospitalar pode ser considerada como uma estratégia de ligação entre medicina e a psicologia.

Sendo assim, o profissional deve perceber que ele está no hospital para ser psicólogo e não para seguir conceituações enraizadas aos pensamentos materialistas que se afastam da compreensão do ser humano e da sua essência, ou seja, deve buscar compreender o ser humano na situação de doença e hospitalização, não importando assim o modelo de psicoterapia breve utilizada, já que existem vários modelos de psicoterapias breves associados à área de saúde, mas todos têm como objetivo comum remover e aliviar sintomas específicos de forma adequada (CHIATTONE, 2000).

Segundo AMARAL (2001) as intervenções breves podem ser chamadas de focais, no sentido que focalizam o problema no contexto em que ocorrem, envolvendo análises das contingências relacionadas com o aqui e agora. O modelo de análise de contingências é muito favorável a este tipo de ação e resolução rápida do problema, muitas vezes provoca mudanças bastante dramáticas de comportamento. No contexto hospitalar este tipo de manejo comportamental pode ajudar na intervenção de outros profissionais e também facilitar o trabalho interdisciplinar como um todo.

Quais os principais transtornos psicológicos: Classificação dos transtornos psicológicos

January 4, 2012 – 9:00 pm

Classificação dos Transtornos psicológicos: Teste para Transtorno de Ansiedade, Transtorno Depressivo, Transtorno de Personalidade

Segundo BECK e cols. (1993), muitos pacientes aparecem à terapia apresentando questões outras que não problemas de personalidade. Uma forma de identificar distúrbios psicológicos e transtornos psicológicos pode ser por meio de testes psicológicos e testes de personalidade. Clique nestes links e saiba mais

Mais freqüentemente com queixas de depressão e ansiedade, codificadas no Eixo I do DSM-III-R. Segundo os autores, a depressão e ansiedade referidas, podem ser distintas e avaliadas separadas da do Transtorno no Eixo II, e/ou derivado e alimentados pelo transtorno de personalidade do Eixo II.

De acordo com KAPLAN, SADOCK e GREBB (1997), os transtornos do Eixo I são transtornos clínicos que contém todos os transtornos maiores como ansiedade, depressão, esquizofrenia, abuso de substâncias e transtornos orgânicos, já os transtornos do Eixo II são os transtornos de personalidade (ex., anti-social, obsessivo-compulsivo), e segundo os autores, os indivíduos podem ser diagnosticados tanto no Eixo I quanto no Eixo II simultaneamente, por exemplo, uma pessoa pode sofrer de depressão maior (Eixo I) e também apresentar traços de personalidade compulsiva (Eixo II).

Segundo SPITZER e cols. (1996), o DSM-IV Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (APA, 1995), incentiva o uso de um sistema multiaxial para a avaliação, já que este sistema avalia o paciente em uma série de variáveis e em diversos eixos, cada qual referindo-se a um diferente comando de informações que podem vir ajudar o clínico a descrever o tratamento e até mesmo “adivinhar” o resultado. A classificação multiaxial do DSM-IV (APA, 1995) é composta de cinco eixos:

Eixo I              Transtornos clínicos

Outras condições que podem ser um foco de atenção clínica

Eixo II                        Transtornos da personalidade

Retardo Mental

Eixo III           Condições médicas gerais

Eixo IV           Problemas psicossociais e ambientais

Eixo V                        Avaliação global do funcionamento

Segundo o DSM-IV (APA, 1995), o Eixo I traz alguns Transtornos como: do humor, de ansiedade, sexuais, alimentares, do sono, relacionados a substâncias e somatoformes. Já o Eixo II diz respeito aos Transtornos de Personalidade (Anti-Social, Paranóide, Dependente, Obsessivo-Compulsivo e outros) e Retardo Mental. No Eixo III analisa-se as Condições Médicas Gerais como: doenças infecciosas, neoplasias, doenças metabólicas, endócrinas, doenças do sistema nervoso, circulatório, respiratório, digestivo e outras). O Eixo IV vai relatar os Problemas Psicossociais e Ambientais como: problemas de educação, ocupacionais (desemprego), moradia (adequada, inadequada), problemas econômicos (pobreza, recursos financeiros inadequados), problemas com o acesso aos serviços de cuidados à saúde, problemas relacionados ao ambiente social (viver sozinho, discriminação, adaptação à transição no ciclo de vida como aposentadoria) ou ainda problemas relacionados com o grupo de apoio primário (família). E por fim o Eixo V, que é a Avaliação Global do Funcionamento, onde se considera o funcionamento psicológico, social, ocupacional em um continum hipotético de saúde-doença mental.

Diversos estudos observaram que o transtorno de somatização freqüentemente coexiste com outros transtornos mentais. Aproximadamente 2% dos pacientes com transtorno de somatização apresentam sintomas psiquiátricos identificáveis, e até metade dos pacientes têm outros transtornos mentais. Os transtornos da personalidade freqüentemente associados são aqueles caracterizados por aspectos paranóides, esquiva, autodestrutivos e obsessivos-compulsivos (KAPLAN, SADOCK e GREBB, 1997).

Os transtornos distímicos (humor deprimido) afetam de 3% a 5% da população geral e aproximadamente 30% a 50% dos pacientes de clínica psiquiátrica geral, e freqüentemente coexiste com outros transtornos mentais, especialmente transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade (principalmente, transtorno de pânico), abuso de substâncias e transtorno da personalidade borderline. Estes pacientes tendem a receber uma extensa variedade de medicamentos psiquiátricos, incluindo antidepressivos, antimaníacos (lítio, carbamazepina) e sedativos hipnóticos (KAPLAN, SADOCK e GREBB, 1997).

KAPLAN, SADOCK e GREBB, (1997) ressaltam que um recente estudo detectou que 76% dos homens e 65% das mulheres com diagnóstico de dependência de substância química apresentavam um diagnóstico psiquiátrico adicional, sendo que a comorbidade mais comum é o álcool associado a outras substâncias. Outros diagnósticos psiquiátricos como transtorno da personalidade anti-social, transtorno de ansiedade, transtorno depressivo maior e transtorno distímico são freqüentemente associados com abuso de substância. Sabe-se que as substâncias mais potentes e perigosas como a cocaína e opióides (heroína, codeína, hidromorfona), têm provocado as mais altas taxas de comorbidade, já que 90% dos indivíduos com dependência de opióides têm um diagnóstico psiquiátrico adicional, sendo que as comorbidades mais comuns são o transtorno depressivo maior, os transtornos relacionados ao álcool, o transtorno de ansiedade e o transtorno da personalidade anti-social.